Língua Latundê

A língua Latundê pertence ao ramo Nambikwara do Norte, integrante da família linguística Nambikwara, um tronco autônomo que não apresenta relação genealógica comprovada com outras famílias linguísticas. Entre todas as línguas desse tronco, a Latundê se destaca por ser a única originalmente falada fora do estado de Mato Grosso, estando localizada em Rondônia.
Dentro do ramo Nambikwara do Norte, a Latundê compõe, juntamente com Lakondê e Tawandê, o conjunto conhecido como Roosevelt Cluster. Embora essas línguas compartilhem semelhanças significativas — ao ponto de algumas fontes terem descrito o conjunto como formado por dialetos — não há estudos conclusivos que mapeiem rigorosamente suas distâncias linguísticas. Além disso, os próprios falantes ressaltam que as línguas são distintas e de difícil inteligibilidade mútua. Por essa razão, Latundê é tratada como uma língua autônoma, ainda que intimamente relacionada às variedades Lakondê e Tawandê.
Atualmente, a língua Latundê é falada e/ou compreendida por aproximadamente 28 pessoas, dentro de uma população total de cerca de 32 indivíduos distribuídos em aldeias da Terra Indígena Tubarão-Latundê e nas cidades de Chupinguaia e Vilhena (RO). O nome Latundê é utilizado tanto para a língua quanto para o povo, embora não corresponda a uma autodenominação tradicional.
Os Latundê habitam, historicamente, a região central e oriental da atual terra indígena, área marcada pela transição entre floresta tropical e cerrado. Os primeiros registros sobre esse povo datam da década de 1970. O contato pacífico inicial ocorreu em 1975, através de um grupo Aikanã, seguido do primeiro contato oficial com não-indígenas durante uma expedição da FUNAI em 1977. Como em tantos outros processos de contato, epidemias subsequentes afetaram severamente a população, marcando profundamente a memória coletiva Latundê.
As relações entre Latundê e Aikanã, embora caracterizadas por convivência parcial e casamentos interétnicos recentes, historicamente foram tensas. Informações detalhadas sobre esse contexto, assim como sobre a trajetória etno-histórica do povo Latundê, encontram-se em trabalhos de referência como Reesink (2012).
A língua Latundê ocupa, portanto, um lugar crucial dentro do cenário linguístico brasileiro: é uma das últimas representantes vivas de um importante ramo do tronco Nambikwara, preservando conhecimentos, práticas culturais e formas de expressão essenciais à memória e à identidade do povo Latundê.
