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Panorama da diversidade linguística no Brasil
No Brasil, o Censo Demográfico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou um levantamento das línguas faladas no país – com base em um critério de autodeclaração – e chegou a um total de 274 LÍNGUAS faladas por INDÍGENAS de 305 etnias diferentes. Distribuídas, segundo Rodrigues (1986), em dois grandes troncos linguísticos – Tupí e Macro-Jê – e em 40 famílias, além de 13 ou mais línguas isoladas (sem parentesco genético com outras línguas), as línguas indígenas brasileiras estão dispersas em boa parte do território nacional, mas especialmente na Amazônia, que concentra a maior diversidade linguística do país e a segunda do mundo, atrás apenas da Nova Guiné (cf. WEBER, 2010).
(…) Atualmente, conhecemos três grupos indígenas falantes de uma LÍNGUA CRIOULA de base francesa no Brasil, no norte do Amapá: Galibi-Marwórno, Karipúna do Norte e Palikur (MOORE, 2011, p. 228). Essa língua crioula se desenvolveu inicialmente fora do território nacional, mas hoje é falada por cerca de sete mil pessoas. Esses povos falam também duas línguas indígenas, o Palikur e o Galibi, além do Português e do Francês, numa situação de intenso contato entre as línguas e de plurilinguismo, como é característico de zonas fronteiriças.
Os FALARES AFRO-BRASILEIROS, por sua vez, remontam à experiência histórica do tráfico de africanos escravizados, estendendo-se, a partir de 1538, por mais de três séculos, quando mais de quatro milhões de indivíduos, falantes de cerca de 200 línguas, passaram a ser trazidos à força para o Brasil (cf. LUCHESI et al., 2009). As línguas faladas por essas populações pertenciam a dois troncos linguísticos principais: Afro-Asiático e Níger-Congo. O segundo teve maior importância, sobretudo pela grande quantidade de falantes de línguas da família Banto (como o Quimbundo, o Quicongo e o Umbundo), mas também línguas do sub–grupo linguístico Kwa, representado pelas línguas Ewe, Fon, Mahi, Jeje, Mina, IIó e Iorubá [Nagô]) (cf. PESSOA DE CASTRO, 1990, 2001; LUCHESI et al., 2009; RASO et al., 2011).
(…) As chamadas LÍNGUAS DE IMIGRAÇÃO, cerca de 56 línguas alóctones trazidas por imigrantes (ALTENHOFEN, 2013), sofreram forte repressão linguística e resistem, ainda hoje, a processos de deslocamento linguístico. Passaram a fazer parte do cenário linguístico do país a partir do final do século XIX com a vinda em massa de imigrantes europeus e asiáticos para ocupar terras ditas devolutas, oferecidas pelo Estado brasileiro. Com o passar das gerações, essas línguas adquiriram uma configuração própria que reflete a história da formação da sociedade brasileira. Muitas vezes tratadas como exóticas ou estrangeiras, as línguas de imigração são, na verdade, línguas maternas de milhões de brasileiros e a sua representatividade histórica, demográfica, sociocultural e geográfica é atestada em diversos levantamentos e estudos (RASO et al., 2011, p. 37). Embora pesquisas recentes indiquem a presença de comunidades falantes de idiomas de imigração em todo o território brasileiro (OLIVEIRA; ALTENHOFEN, 2011), essas línguas estão presentes, sobretudo, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Destacam-se como línguas de imigração com características geodemográficas amplas no Brasil, hoje, Japonês, Talian, Pomerano, Hunsrückisch, Hochdeutsch, Coreano e Platt.
As LÍNGUAS DE SINAIS diferenciam-se das demais categorias de línguas aqui relacionadas por sua modalidade, ou seja, trata-se de uma língua visuo-espacial. Dentre as línguas de sinais existentes no Brasil, a mais difundida é a Libras, sobretudo pelo fato de ser reconhecida legalmente por meio da Lei nº 10.436/2002 e regulamentada pelo Decreto nº 5.626/2005. A Libras, usada em várias cidades de todas as regiões do país, é uma língua difundida a partir das redes sociais estabelecidas especialmente pelos surdos brasileiros, por meio das associações de surdos, mesmo antes da era da internet. O estudo científico da Libras é também bastante recente, assim como da língua de sinais Ka’apor, falada por indivíduos de etnia homônima no Maranhão. Estudos recentes apontam para a existência de outras línguas de sinais nativas no país, como é o caso da língua de sinais falada na cidade de Jaicós, no povoado de Várzea Queimada, Piauí (cf. TUYAMA, 2013). Embora haja indícios documentais da existência dessas línguas, ainda é necessária a realização de pesquisas para sua identificação e documentação.





