Línguas Afro Brasileiras

Os falares de origem africana no Brasil remontam à experiência histórica do tráfico de africanos escravizados, que se estendeu por mais de três séculos, a partir de 1538, quando mais de quatro milhões de pessoas, falantes de cerca de 200 línguas, foram trazidas à força para o Brasil. As línguas faladas por essas populações pertenciam a dois troncos linguísticos principais: Afro-Asiático e Níger-Congo.

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Essas línguas são atualmente muito diferentes das línguas africanas de onde elas se originaram, em função do intenso contato com o português.

É possível propor uma subdivisão dessas práticas linguísticas em três categorias:

  • Aquelas com forte presença de palavras (léxico) de origem africana como forma de resistência histórica (por exemplo, a gira de Tabatinga, a “língua do Cafundó” e as variedades faladas nos municípios de Patrocínio, Uberaba etc.);
  • Variedades afro-brasileiras do português rural, com grandes diferenças sobretudo de concordância verbal e nominal, além de importante presença de palavras (léxico) de origem africana, mas notavelmente diferentes das línguas da primeira categoria; e
  • Línguas de rituais — também conhecidas como línguas de santo ou de terreiro — usadas pelos praticantes de religiões de matrizes africanas, especialmente durante celebrações religiosas.