1 - Identificação da Comunidade Linguística
1.2 Projeto
1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:
1.4 Língua do Inventário
Indígenas
Identifique a Etnia
Uru-Eu-Wau-Wau (povo Kawahiba, família Tupi-Guarani, Tronco Tupi.
Autodenominação da Etnia
O povo Uru-Eu-Wau-Wau se lembra que era um grupo único junto dos demais povos Kawahiba, que são o Parintintin, o Tenharim, o Juma, o Diahoi, os Uru-Eu-Wau-Wau, os Piripkura, os Apiaká, os Capivara, os Karipuna e os Kayabi.
3 - Caracterização da comunidade linguística
3.1 Histórico
O termo Kawahiba tem sido utilizado para designar um complexo dialetal composto por diferentes povos indígenas que compartilham uma origem histórica e linguística comum, entre os quais se destacam os Uru-Eu-Wau-Wau, Amondawa, Karipuna de Rondônia, Parintintin, Tenharim, Juma, Diahoi e Piripkura. Esses povos falam variedades linguísticas aparentadas e são considerados parte de um mesmo conjunto etnolinguístico, embora apresentem diferenças dialetais e trajetórias históricas próprias.
Há evidências históricas e relatos orais que indicam que esses povos descendem de um ancestral comum que habitava a região da foz do rio Tapajós. A dispersão dos grupos teria ocorrido em diferentes momentos, principalmente em decorrência de conflitos internos e pressões externas, como ataques de outros povos indígenas e a expansão de frentes colonizadoras. Parte desses grupos migrou para regiões próximas aos rios Marmelos e Alto Tapajós, enquanto outros se deslocaram para a região dos afluentes do rio Madeira, especialmente os rios Jaci-Paraná e Jamari, onde se estabeleceram os ancestrais dos atuais Amondawa, Uru-Eu-Wau-Wau e Karipuna.
Os primeiros contatos sistemáticos com a sociedade não indígena ocorreram ao longo do século XX, inicialmente por meio de expedições do Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Na década de 1980, ocorreu um contato mais intenso entre os Uru-Eu-Wau-Wau e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), durante uma expedição organizada com o objetivo de evitar conflitos violentos com não indígenas. Esse contato teve consequências graves, incluindo a disseminação de doenças que provocaram a morte de diversos membros das comunidades indígenas.
Ao longo do tempo, os povos Kawahiba continuaram a se dispersar e reorganizar territorialmente, mantendo relações de parentesco, memória de origem comum e vínculos linguísticos entre si. Atualmente, esses povos ocupam diferentes territórios na região amazônica, especialmente nos estados de Rondônia, Amazonas e Mato Grosso, preservando elementos culturais e linguísticos compartilhados, apesar das transformações decorrentes do contato com a sociedade envolvente.
3.2 Presente
Os Uru-Eu-Wau-Wau são falantes de uma língua da família Tupi-Guarani, do tronco Tupi, e compõem o conjunto pan-Kawahiba junto de outros, no mínimo, nove povos que também se identificam como Kawahiba, quais sejam os Amondawa, Tenharim, Parintintin, Juma, Karipuna de Porto Velho, Diahoi, Piripkura, Apiaká e Kayabi. Há ainda povos Kawahiba isolados que resistem ao contato com a sociedade nacional.
Culturalmente, como foi primeiramente observado por Denófrio (2013, p. 17) e confirmado em trabalho de campo, esses povos se caracterizam por fazerem uso de tatuagens faciais que se diferenciam entre homens e mulheres. Denófrio menciona que os Piripkura não se lembram de fazer uso de tatuagens. São notáveis pelas técnicas de aumento do pênis; cintos masculinos feitos de cipó; estojo que acompanha o pênis; cabelos curtos; não consumação de tabaco; a prática da agricultura; a prática ritual de exoantropofagia; terminologia de parentesco do tipo dravidiano; metades exogâmicas patrilineares não localizadas, com nomes de aves, Mutum e Gavião Real, no caso dos Parintintin; residência que tende a ser uxorilocal, com circunstâncias neolocais; relações entre genros e sogros caracterizadas pelo imperativo da dívida e do dom; xamanismo horizontal; sistema de mudança onomástica, em que os nomes denotam os clãs, os sexos e as idades; e a dispersão geográfica e a autonomia política do grupo local (DENÓFRIO, 2013, p. 17).
No que respeita às relações sociais dos Uru-Eu-Wau-Wau com a sociedade não indígena, essa relação é esporádica e se restringe principalmente a situações em que os indígenas necessitam se deslocar para resolver demandas na cidade, como o saque mensal de auxílios sociais, o que os leva a fretar uma lotação ou se locomoverem com suas próprias motos, ou mesmo por empréstimo de veículo de vizinhos ou parentes indígenas. O deslocamento em lotação é comumente realizado pelos mais velhos, enquanto os mais jovens geralmente utilizam motocicletas próprias ou emprestadas.
2 - População da comunidade linguística
2.1 População identificada na pesquisa
99
2.2 Estimativa da população total
108
2.3 Observações
99 indivíduos Uru-Eu-Wau-Wau vivem na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, que é a área de abrangência da pesquisa. Há três (3) que estão em outra Terra Indígena, a dos Oro Win, e mais cinco (5) que vivem com os Karipuna de Rondônia, na Terra Indígena Karipuna. Ademais, há um (1) Uru-Eu-Wau-Wau casado com uma Amondawa e que mora na aldeia dos Amondawa. Com isso, o total de Uru-Eu-Wau-Wau é de 108 indivíduos.

