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Salamãi

Início Módulo 3 - Comunidade Linguística Salamãi

1 - Identificação da Comunidade Linguística

1.2 Projeto

Língua Salamãi

1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:

Línguas Indígenas

1.4 Língua do Inventário

Salamãi

Indígenas

Identifique a Etnia

Salamãi

3 - Caracterização da comunidade linguística

3.1 Histórico

A língua Salamãi é lembrada por duas senhoras idosas da etnia de mesmo nome, na T.I. Tubarão-Latundê e na cidade de Porto Velho. Os Salamãi moravam tradicionalmente na região entre as cabeceiras do rio Barão de Melgaço e a banda direita do médio rio Pimenta Bueno ou Apediá, no sudeste do Estado de Rondônia.

Os povos vizinhos tradicionais eram os Aikanã (ou Massaká, Cassupá, Huarí, Mondé e Tubarão, de língua isolada), Kwazá (ou Koaiá/Coaiá, língua isolada), Kanoê (língua isolada), Kepkiriwat (língua Tupí extinta) e povos Nambikwara.

O nome Salamãi é a autodenominação (Castro Faria, 2001:150) e foi registrado pela primeira vez em 1913 pela Comissão Rondon, como Charamein (Anônimo, 1916:334). Os Salamãi (também escrito como Salamãy, Salamay, Salamãe) são conhecidos também por alguns outros nomes. O nome Mondé (também escrito Mundé), registrado por Lévi-Strauss (1955, 1994), é o nome pessoal Salamãi de um líder de um subgrupo Salamãi. Um outro nome encontrado na literatura é Sanamãika (registrado em Loukotka, 1949:75), que é provavelmente derivado da autodenominação.

Não deve-se confundir o nome dos Salamãi com Salumã, nome antigo dos Enawenê-nawê (povo de língua Arawak em Mato Grosso). Os Salamãi foram caracterizados como um povo pacífico, alegre e sociável (Hanke, 1950:214) e aparentemente aberto a contato com outros povos. Rondon considerou eles, igual os “Uapurutá” (Aikanã), como um subgrupo dos Kepkiriwat (Anônimo, 1916:334), provavelmente por razão dos seus contatos pacíficos com esses grupos.

Apesar do intercâmbio com os Aikanã, não está claro se pertenciam ao mesmo "Complexo Cultural do Marico" (Maldi, 1991). A Dona Peridalva aprendeu tecer o marico, a famosa bolsa de fibras de tucum usada pelos povos desse complexo cultural, com os Aikanã, e confirmou que os Salamãi não o faziam.

É provável que os Salamãi começaram a ser também envolvidos na extração de seringa e outros produtos da floresta a partir dos anos 1920, igual os outros grupos ao longo do rio Pimenta Bueno. Essa primeira época de contato levou a uma grande mortalidade indígena, principalmente pela introdução de doenças contagiosas, como influenza e sarampo, contra os quais os povos indígenas da região não tinham imunidade. Essas epidemias continuaram a dizimar povos indígenas no sul de Rondônia até os anos 1980.

Quando o antropólogo Claude Lévi-Strauss (1955) passou pela região em 1938, ele encontrou uma pequena aldeia etnicamente mista de “Mondé” na beira do rio Pimenta Bueno, que eram predominantemente índios Salamãi. Era a aldeia Salamãi dentro do território dos Aikanã, que os idosos Aikanã localizam um pouco acima da foz do rio Kapasura/Rio do Ouro (Comunidade Aikanã, 2010).

Lévi-Strauss referiu ao grupo com o nome Mondé, mas supôs inicialmente que eram Kepkiriwat (Lévi-Strauss, 1948). O outro antropólogo na mesma expedição, o etnógrafo brasileiro Luiz de Castro Faria, notou que Mondé era o nome do líder do grupo (Castro Faria, 2001:165) e registrou a autodenominação do grupo como salamaié (Castro Faria, 2001:150), ou seja, ‘povo Salamãi’ (com o sufixo coletivo -e).

De Castro Faria (2001:148-165) inclui uma lista de palavras da língua que são obviamente da mesma língua que as em outras listas de Mondé (Hanke, 1950; Xerez, 1946) ou Salamãi (Becker-Donner, 1955; Caspar, s.d.; Zack, 1942), o que comprova a identidade étnica. Note que as listas de palavras “Quêpi-quiri-uáte” colecionadas pela Comissão Rondon em 1913 foram publicadas somente em 1948 (Rondon & Faria, 1948:177-191).

A diferença com Salamãi estava óbvia para Loukotka (1949), que tratou listas de palavras de “Sanamaikã” e “Kepkeriwát” em subseções diferentes (v. também Rodrigues, 1955:1066 e Caspar, 1953:28). Entre o grupo visitado por Lévi-Strauss e Castro Faria estavam também alguns índios Kwazá (v. van der Voort, 2004, 2008).

No final dos anos 1930, a “Marcha para o Oeste” do governo Getúlio Vargas levou a várias expedições na região, o que resultou em alguns registros de língua e contexto social (Dequech, 1988-1993; Zack, 1943). Nessa época, o SPI estabeleceu um posto de atendimento no lugar chamado Cascata, no território dos Aikanã, no alto rio Pimenta Bueno, onde juntaram membros de vários grupos indígenas (Aikanã, Kanoé, Salamãi, Mekens) para trabalhar na borracha.

Nessa mesma época, o SPI começou a retirar grupos indígenas da região para liberar as terras para seringalistas. Muitos índios foram levados para o Posto Indígena Ricardo Franco, hoje T.I. Rio Guaporé, centenas de quilômetros para o oeste, na fronteira com a Bolívia. Lá foram juntadas partes de dez populações étnicas do sul de Rondônia e foram colocadas para trabalhar. No caminho, vários fugiram das canoas com as quais foram deportados e tentaram voltar para suas terras.

O processo de levar índios para Ricardo Franco continuou até os anos 1970, e hoje há ainda membros de uma família Salamãi (sob o nome Aruá, v. seção 3.3.2) na T.I. Sagarana, que é adjacente à T.I. Rio Guaporé.

No início dos anos 1950, uma parte dos grupos Salamãi e Cassupá (Aikanã) de Ricardo Franco foi mandada para o seringal Ribeirão, ao norte de Guajará-Mirim, enquanto uma parte dos Salamãi voltou às suas terras originárias na região do Pimenta Bueno.

No final dos anos 1960, os Salamãi e Cassupá foram levados de Ribeirão para o terreno da Delegacia do Ministério da Agricultura (DEMA), a 5,5 km da cidade de Porto Velho. Esse terreno foi doado em 2012 aos índios sob o nome Comunidade Indígena Cassupá e Salamãi (Silva, 2016).

Após o fechamento e loteamento pelo INCRA dos antigos seringais, várias comunidades remanescentes conseguiram reservas indígenas na região de origem. Nos anos 1970, os Aikanã conseguiram segurar uma parte da sua região original, hoje conhecida como a T.I. Tubarão-Latundê.

Além de Aikanã e Latundê, a população inclui duas famílias Kwazá e uma pessoa Salamãi, a Dona Peridalva. O nome dessa reserva era para identificar os supostos dois povos moradores. É óbvio a qual povo refere o nome Latundê. Porém, o nome Tubarão, que é popularmente usado para os Aikanã, é de fato uma corruptela do nome Gubal’um, que é um nome pessoal Salamãi de um líder de um subgrupo misto Salamãi com Aikanã nos anos 1940 (Dequech, 1988-1993; Peridalva, c.p.).

3.2 Presente

A língua Salamãi é uma língua da família Mondé, tronco Tupí, lembrada por 2 senhoras idosas: Dona Maria Salamãi na cidade Porto Velho e Dona Peridalva Salamãi na T.I. Tubarão-Latundê. Possivelmente não há mais falantes fora dessas duas senhoras. A população étnica Salamãi é dispersada pelo estado de Rondônia e é estimada em algumas fontes a aproximadamente 10 pessoas. Alguns descendentes dos Salamãi moram nas cidades Porto Velho e Guajará-Mirim, alguns se juntaram com os Cassupá (subgrupo dos Aikanã) na Comunidade Indígena Cassupá e Salamãi no km 5,5 em Porto Velho, e alguns moram na T.I. Sagarana onde são registrados como Aruá. (Essa confusão já existiu nos anos 1940, quando os Tupari no P.I. Ricardo Franco acharam que os recém-chegados Salamãi seriam representantes de um grupo Aruá, por causa de semelhanças na língua (Caspar 1953:55). Note que o Aruá também pertence à família Mondé, tronco Tupí, e alguns falantes moram na T.I. Rio Guaporé vizinha.)

2 - População da comunidade linguística

2.1 População identificada na pesquisa

10

2.2 Estimativa da população total

10

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