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Sakurabiat

Início Módulo 2 - Caracterização Territorial Sakurabiat

4 - Síntese das características da área da comunidade de referência da língua

4.1 Características sociais

A diversificação em aldeias distintas, cada uma com seu chefe ou cacique é relativamente recente. Em tempos antigos havia apenas uma liderança unificada. O último cacique considerado o cacique de toda etnia foi Daosmar Sakyrabiar, conhecido como Damião, que foi assassinado no ano de 2006. Atualmente as cinco aldeias Sakurabiat na T.I. Rio Mequens possuem cada uma seu próprio líder/cacique. Elas são formadas por distintos grupos familiares aparentados de forma bastante próxima entre si. A aldeia 90 (sendo renomeada para Aipere Koopi) é a aldeia mais antiga. É composta por 02 famílias/residências: a família do cacique Olimpio F. Sakyrabiar, que reside com seus filhos solteiros, e a família de AGI Lidia Sakyrabiar, filha mais velha de Olímpio. Olimpio Sakyrabiar assumiu a função de cacique geral, após o assassinato do cacique Daosmar, que era seu irmão mais velho, porém atualmente, há lideranças em cada uma das cinco aldeias, as quais são reconhecidas tanto internamente quanto de certa forma também pelos agentes externos, incluindo os órgãos públicos.

A 2ª aldeia, em termos de temporalidade, é a aldeia Baixa Verde, cujo cacique é Geraldinho Guaratira. Ela foi fundada no inicio dos anos 2000, pela família de D. Mercedes Guaratira e alguns de seus filhos, incluindo o cacique Geraldinho. É composta atualmente por 08 famílias/residências, sendo todos, a exceção de 01 família, irmãos e/ou sobrinhos do cacique Geraldinho, com seus respectivos cônjuges e filhos.

Nos últimos 05 a 10 anos, outros 03 grupos residenciais foram formados e adquiriram o status de aldeias, com suas lideranças próprias. A aldeia Mariano dista poucos quilômetros da aldeia 90 e costumava ser considerada parte dessa aldeia. Atualmente é constituída por 04 famílias/residências, organizadas em torno da matriarca, Nair Sakyrabiar, e lideradas pelo seu filho cacique Joãozinho Sakyrabiar. Todas as famílias são formadas por filhos/filhas da matriarca Nair e seus respectivos cônjuges e filhos.

A aldeia Soopipari foi formada pela família de Rosalina Guaratira Sakyrabiar, irmã de Geraldinho Guaratira, que se mudou da aldeia Baixa verde e montou um novo núcleo, próximo a um dos limites da T.I. Esta aldeia é liderada pelo cacique Adelino Sakyrabiar, esposo de Rosalina, e formada por 05 familias/residências, todos encabeçados por filhos/filhas de Adelino e seus respectivos cônjuges e filhos.

A aldeia Kwai foi formada mais recentemente, por uma família de dois irmãos, Moacir Mariano e Manoel Mariano, ambos se mudaram da aldeia 90 e formaram esse novo núcleo familiar/aldeia próximo aos limites da T.I na direção das fazendas conhecida como 07 de setembro, onde há uma família de indígenas Sakyrabiar, que residem há muitos anos.

4.2 Características geográficas

Os Sakurabiat habitam a Terra Indígena Rio Mequens, demarcada em 1996. A TI possui uma extensão de 105.250 hectares e está localizada no município de Alto Alegre dos Parecis, estado de Rondônia.

4.3 Características ecológicas

Área de floresta, as aldeias são geralmente localizadas próximas às cabeceiras ou a braços estreitos dos rios e no alto das serras. A disponibilidade de caça e pesca vem diminuindo ao longo dos anos.

4.4 Características econômicas

Os Sakurabiat são agricultores. Os principais cultivos são diversas qualidades de macaxeira, milho e cará. Em suas roças, também plantam árvores frutíferas como mamão, abacaxi, banana. A produção é voltada para o consumo interno. Porém algumas famílias na aldeia Baixa Verde estão produzindo café para comercializar, e a família de Olimpio estava produzindo banana também para tentar comercializar.

As principais fontes de renda são os benefícios das aposentadorias rurais. Como mencionado anteriormente, há uma professora contratada na aldeia Baixa Verde e uma Agente de Saúde Indígena contratada na aldeia 90 (Aipere koopi).

Nas aldeias Baixa Verde e Soopipari os caciques alugam pasto para os fazendeiros vizinhos. Há notícias também de exploração de venda de madeira ou lascas de madeira, em todas as aldeias, exceto na aldeia Kwai. Os rapazes mais jovens costumam trabalhar esporadicamente nas fazendas vizinhas ou para os madeireiros que exploram os recursos da área indígena.

4.5 Semelhanças e diferenças sociolinguísticas marcantes entre as localidades de ocorrência da língua

Em todas as cinco aldeias, o Português é a língua de uso regular por todos da comunidade. Na aldeia 90 (Aipere koopi), a língua Sakurabiat só era utilizada como meio de comunicação entre o cacique Olímpio e sua mãe; na aldeia Baixa Verde, para conversa entre o cacique e seus irmãos, quando estes se encontram em momentos específicos. Na aldeia Kwai, também havia uso da língua Sakurabiat, entre os irmãos Moacir e Manoel Mariano. Na aldeia Soopipari há possibilidade de uso da língua como meio de comunicação entre Rosalina e seus filhos, porém o português é a língua mais usual, embora haja tentativa de ensino de Sakurabiat por iniciativa de Rosalina, tanto para os filhos quanto para o esposo, o cacique Adelino, que já pode ser considerado falante parcial da língua. Na aldeia Mariano não há falante pleno da língua.

Apesar da situação de vulnerabilidade em que a língua se encontra e do número populacional reduzido, bem como do pequeno número de falantes, a comunidade Sakurabiat ainda preserva algumas variedades dialetais. Foram identificadas três variedades linguísticas: Guaratira, Siokweriat e Sakurabiat, sendo que esta última variedade inclui os dialetos dos subgrupos étnicos Sakurabiat e Korategaya. A variedade Guaratira é falada nas aldeias Baixa Verde e Soopipari, pelos filhos da falecida matriarca Mercedes Guaratira. A variedade Sakurabiat é falada na aldeia 90 e também na aldeia Kwai. A variedade Siokweriat é representada por um único membro – o indígena Sakurabiat que mora na T.I Rio Branco – e sua fala é mais próxima da variedade Guaratira do que da variedade Sakurabiat (GALÚCIO, 2001). Esse senhor se autoidentificava como pertencente á etnia Sakurabiat (do clã ou subgrupo dos Siokweriat), mas desde que passou a residir na T.I Rio Branco (RO), com a família de seu irmão já falecido, passou a ser identificado como pertencente à etnia Kampé, que é a etnia da família de seu irmão. A sua variante de fala passou, então, a ser referida como sendo Kampé. Enquanto escrevíamos este relatório (janeiro/2021), tivemos notícia de seu falecimento, no dia 17 de janeiro de 2021.

Em todas as aldeias da T.I. Rio Mequens, há falantes parciais da língua, ou seja, pessoas que compreendem a língua, mas não conseguem responder ou estabelecer um diálogo nela, totalizando 10 pessoas assim autoidentificadas. O restante das pessoas conhece itens lexicais da fauna e flora, palavras específicas do uso cotidiano e relações próximas de parentesco, mas não compreendem uma conversa na língua. Todos os Sakurabiat a partir de dois nãos de idade são falantes de português.

4.6 Síntese das situações de risco para a comunidade linguística e a língua

A língua dos Sakurabiat encontra-se criticamente ameaçada de desaparecer devido a vários fatores. A situação de perda linguística vivenciada pelos Sakurabiat vem se constituindo há algumas décadas e atualmente há uma situação de alta vulnerabilidade e pouca vitalidade da língua. Os Sakurabiat constituem hoje um grupo bastante reduzido, embora estejam distribuídos em cinco pequenas aldeias, eles totalizam menos de 100 pessoas vivendo atualmente na T.I. Rio Mequens. O processo de perda e mudança linguística no caso dos Sakurabiat foi relativamente gradual e envolveu fatores sociolínguisticos já conhecidos na literatura, como redução populacional (devido, sobretudo, a doenças), marginalização e repressão, espaço de uso reduzido, quebra na cadeia de transmissão. Todo esse contexto resulta em número reduzido de falantes e concentração desses falantes entre pessoas com idades avançadas. Há mais de duas décadas a língua não tem sido transmitida/ensinada para as gerações mais novas.

6 - Anexos

6.1 Dados do acervo digital sobre as localidades

T. I. Rio Mequens

6.2 Mapa(s) de distribuição geográfica da língua

Mapa T.I. Rio Mequens

|

Mapa T.I. Rio Mequens Detalhes

|

Mapa T.I. Rio Mequens Contexto

|

Croqui Mapas das aldeias

1 - Dados Gerais

1.2 Projeto

Língua Sakurabiat

3.1 A população falante da língua se encontra:

Concentrada em uma área geográfica

3.2 Com relação ao padrão de residência em locais urbanos:

A comunidade linguística é majoritariamente rural e há poucos falantes em áreas urbanas

3.3 Movimentos migratórios?

Não há movimentos significativos de migração dos falantes para áreas urbanas

2.1 Existem localidades de ocorrência da língua fora da área de abrangência da pesquisa

Não

2.2 Localidades

Terra Indígena Rio Mequens

Tipo de localidade

Na área de abrangência da pesquisa

É comunidade de referência?

Sim

Faz parte da área ocupada pela comunidade de referência da língua?

Sim

Você considera que a língua está em risco nessa localidade?

Sim

Demografia

População de falantes da língua é minoritária

Temporalidade

A comunidade reside há mais de 100 anos

Infraestrutura

Possui rede de eletricidade | Fácil acesso por meios de transporte a centros urbanos

Economia

A população depende largamente de fontes de renda oriundas de outros locais

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