Caracterizar as grafias existentes
Projeto de Identificação
Língua do Inventário
Quem elaborou? Quando? Com que propósito?
O sistema de grafia da língua Sakurabiat foi elaborado por Ana Vilacy Galúcio e testado pela pesquisadora durante as aulas de alfabetização ministradas na década de 1990, 1996-1998. A proposta formal de ortografia da língua Sakurabiat, aprovada pela comunidade de fala em reuniões com participação de todos os membros da comunidade à época, foi apresentada em Galúcio (2004). A grafia foi planejada no contexto no qual o público de usuários era constituído por falantes adultos da língua. Essa ortografia foi revisada pela linguista e assistente de pesquisa do levantamento, Carla Costa (2020), em decorrência da mudança no status da comunidade de fala. Atualmente, como reportado anteriormente neste relatório, a maioria das pessoas na T.I. Rio Mequens já não fala a língua Sakurabiat. Esta pode ser definida como língua de herança e L2 para os alunos e professores. Desta forma, houve solicitação por parte dos professores indígenas de revisão da ortografia, para facilitar sua aprendizagem pelos alunos, aprendentes de Sakurabiat como L2, ou seja, alunos não falantes da língua. Essa revisão proposta por Costa (2020) diz respeito à grafia de vogais nasais e nasalizadas, que passaram a ser sempre indicadas por til (~), e à representação de vogais longas maiúsculas e minúsculas.
Está sendo usada na alfabetização? Quem ensina? Onde?
A grafia é ensinada na escola Aipere (aldeia Baixa Verde), nas aulas de Língua Materna; ensinada pela professora da escola;
Quem a usa atualmente na comunidade?
Os jovens adultos (faixas etárias I e II) conhecem a grafia da língua, mas não a usam para escrever em Sakurabiat.
Porém, na assembleia para apresentação do INDL, anuências e demandas da comunidade com relação à língua, foi demandada a produção de materiais para ensino-aprendizagem da língua, inclusive dicionários. Há um interesse em se usar o espaço da educação escolar indígena, para o ensino da língua tradicional.
É relevante para que tipos de produtos escritos?
Para materiais didáticos e para quaisquer outros registros da língua. O livro de narrativas tradicionais Sakurabiat: Mayãp ebõ (GALÚCIO, 2006) e a cartilha de alfabetização (GALÚCIO; SAQUIRABIAR, 2004) utilizaram a grafia definida por Galucio (2004); o material didático proposto por Costa (2020) já utiliza a grafia revisada por Carla Costa (2020).
