4 - Síntese das características da área da comunidade de referência da língua
4.1 Características sociais
As famílias locais vivem em casas coletivas multi familiares ou pequenas casas familiares, feitas de palha. Como um típico grupo Yanomami, o xamanismo, os rituais funerários e as relações sociais com outros grupos Yanomami imprimem ritmo à vida da aldeia. Os Ỹaroamë vivem próximos à Missão Catrimani, região onde há a maioria de falantes do Yanomam, os Ỹaroamë muitas vezes são desprestigiados pelos Yanomam. A desestruturação social causada pelo impacto da construção da Perimetral Norte, entre os anos de 1973 a 1976, deixa ainda suas marcas entre os Ỹaroamë, que frequentemente vão para cidades ou vilas próximos à fronteira da TIY, trabalham em fazendas. Esses deslocamentos os colocam em situações vulneráveis e precárias de vida, sujeitos ao alcoolismo e violência.
4.2 Características geográficas
Vivem em região densa da floresta amazônica, na Serra do Pacu, que está cravada na região das baixadas da Terra Indígena Yanomami.
4.3 Características ecológicas
Vivem em uma região bem preservada da floresta, onde não há presença de invasores não indígenas.
4.4 Características econômicas
A agricultura familiar, caça, pesca e coleta são as principais atividades econômicas desse conjunto de aldeias. Há talvez um ou dois homens assalariados nessas comunidades. Um número significativamente menor do que nas comunidades vizinhas Yanomam da Missão Catrimani. Alguns homens Ỹaroamë frequentam vilas e fazendas próximas à fronteira da TIY, onde trabalham sazonalmente em condições muito precárias.
4.6 Síntese das situações de risco para a comunidade linguística e a língua
O fato das aldeias ỹaroamë estarem relativamente próximas ao limite da Terra Indígena Yanomami (TIY), acaba por sujeitar os grupos falantes dessa língua à diversas ameaças da sociedade envolvente e impõe grandes desafios imediatos à sobrevivência de sua língua. A construção da Perimetral Norte, rodovia não asfaltada que atravessa a região tradicional ỹaroamë, foi causa de traumáticos eventos e profundas mudanças das quais ainda se vê marcas da desestruturação sociais e sanitárias gerada pela obra. Mais recentemente, as vilas rurais que se estabeleceram depois da construção da rodovia próximas às comunidades ỹaroamë, se tornaram a fonte estável de bebidas destiladas para diversos membros da comunidade e o palco de não raros acontecimentos violentos envolvendo pessoas ỹaroamë, o que ajuda a reforçar o estigma negativo que carrega esse grupo e, consequentemente, sua língua.
Além disso, a migração para pequenos centros urbanos próximos ao entorno da TIY e assentamentos rurais do INCRA é uma realidade entre os Ỹaroamë. Assim, aaçõ es que ofereçam alternativas econômicas sustentáveis para a região são urgentes para a população jovem deixe de ir buscar essas alternativas fora da TIY. Duas pessoas que vivem fora TIY e foram entrevistadas pelo projeto de documentação da língua Ỹaroamë (Prodoclin/ Museu do Índio) afirmam que nunca usam sua língua no dia-a-dia, salvo quando seus parentes os visitam na cidade ou no assentamento.
Além disso, a língua ỹaroamë atualmente enfrenta uma situação de língua dupla ou triplamente minoritária, já que em diversos eventos comunicativos que ocorrem na própria comunidade nativa, o ỹaroamë disputa espaço com outras três línguas, o yanomam na Serra do Pacu, o ninam no Apiaú e o português em todas as regiões da área. O yanomam e o ninam são línguas regionalmente majoritárias (Perri Ferreira, 2015).
1 - Dados Gerais
1.2 Projeto
1.3 Língua do Inventário
3.1 A população falante da língua se encontra:
Concentrada em uma área geográfica
3.2 Com relação ao padrão de residência em locais urbanos:
A comunidade linguística é majoritariamente rural, mas há muitos falantes em áreas urbanas
3.3 Movimentos migratórios?
Há um movimento crescente de migração dos falantes para áreas urbanas
2.1 Existem localidades de ocorrência da língua fora da área de abrangência da pesquisa
Sim

