1 - Identificação da Comunidade Linguística
1.2 Projeto
1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:
1.4 Língua do Inventário
Sinais
Observação
A comunidade linguística pode ser classificada como: comunidade surda que inclui surdos e ouvintes usuários de Língua Brasileira de Sinais que integram agrupamentos de surdos por meio de associações de surdos, escolas, universidades e encontros informais.
3 - Caracterização da comunidade linguística
3.1 Histórico
Segundo Quadros e Campello (2010), os registros para a constituição da Libras datam da fundação do Instituto Nacional de Surdos (INES), em 1855. Esse instituto configura uma escola de surdos que contou com a vinda de um professor surdo francês, Prof. Huet, ex-diretor do Instituto de Bourges na França. Esse professor foi convidado pelo Imperador Dom Pedro II para vir ao Brasil para educar surdos brasileiros. Os registros apontam que o Prof. Huet usava a língua de sinais como afirma Moura (2000, p. 81-82): [...] se deu através de Língua de Sinais, pode-se deduzir que ele utilizava os Sinais e a escrita, sendo considerado inclusive o introdutor de Língua de Sinais Francesa no Brasil, onde ela acabou por mesclar-se com a Língua de Sinais utilizada pelos Surdos em nosso país. O curriculum por ele apresentado, em 1856, colocava disciplinas como português, aritmética, história, geografia e incluía ‘linguagem articulada’ e ‘leitura sobre os lábios’ para os que tivessem aptidão para tanto. Segundo Quadros e Campello (2010), a influência da Língua de Sinais Francesa (LSF) está indicada por meio das publicações da época que registram sinais da LSF identificados com palavras da Língua Portuguesa, como sendo sinais da Língua Brasileira de Sinais, Libras. Um exemplo desse tipo de publicação foi o dicionário de Flausino José da Gama. As autoras indicam que a influência também aconteceu em outras instâncias educacionais: As metodologias e gramáticas publicadas incorporam a LSF, de 1857, determinando a mudança das regras das variantes que os alunos surdos já dominavam anteriormente, provavelmente uma proto-língua, ou os elementos linguísticos, como gesto, pidgin, iconicidade, para se comunicarem. Essa referência pode indicar a existência de uma língua brasileira de sinais - Libras. A LSF, junto com essa “proto-língua”, vai dar corpo à constituição da LSB no Brasil (Quadros; Campello, 2010). Quadros e Campello (2010) citam Bacellar (1925) que apresentou a estimativa de surdos naquela época com base no primeiro censo realizado no Brasil: em 1924 existiam 26.214 surdos, em uma população total de 30.635.605 habitantes, um coeficiente de 8,56 para cada 10.000 pessoas. Destes 26.214 surdos, 14.525 eram do sexo masculino e 11.689 do sexo feminino. As autoras também registram que os surdos se encontravam em locais informais (pontos de encontros) para conversarem. Esses encontros tinham também a função de disseminar a língua de sinais. A língua de sinais surge, portanto, desses encontros. De qualquer forma, o INES teve um papel muito importante na constituição da Libras no país, pois vários surdos do país foram enviados ao Rio de Janeiro para estudar no INES e, ao retornarem aos seus estados de origem, disseminaram a Libras, constituindo-a como uma língua nacional. 9.
3.2 Presente
A Libras é uma língua nacional, reconhecida legalmente por meio da Lei n. 10.436/2002 e regulamentada pelo Decreto n. 5.626/2005. As pesquisas voltadas às línguas de sinais têm um desenvolvimento bastante recente, quando comparadas ao desenvolvimento de estudos das línguas orais.
Até a década de 1960, o próprio estatuto linguístico das línguas de sinais enquanto línguas naturais era questionado, colocando obstáculos tanto para o desenvolvimento da linguística como ciência, quanto para o desenvolvimento social e educacional das pessoas surdas. A década de 1960 representa um marco no estudo das línguas de sinais devido ao trabalho seminal de William Stokoe (1960).
Neste trabalho, o linguista americano demonstrou que línguas de sinais, tal como a língua de sinais americana (ASL), poderiam ser descritas e analisadas utilizando-se os mesmos procedimentos teóricos e metodológicos aplicados às línguas orais. Em particular, Stokoe demonstrou que as línguas de sinais, assim como as línguas orais, também apresentavam a propriedade da articulação: os sinais eram compostos por um conjunto limitado de elementos mínimos que se recombinavam para a produção de um número ilimitado de sinais, constituindo um sistema de contrastes altamente produtivo e econômico.
Desde esse estudo seminal de Stokoe até o presente, o campo de estudos das línguas de sinais cresceu significativamente. Esses estudos têm contribuído para a ciência linguística de duas maneiras: por um lado, demonstrando que as propriedades fundamentais das línguas naturais também estão presentes nas línguas de sinais, que vêm sendo então estudadas em seus mais variados níveis de análise (fonético e prosódico, fonológico, morfológico e lexical, sintático, semântico e pragmático); por outro lado, destacando semelhanças e diferenças no modo como línguas de sinais e línguas orais estruturam-se nesses diferentes níveis de análise, contribuindo para o aprofundamento da teoria linguística e de suas aplicações na sociedade.
2 - População da comunidade linguística
2.1 População identificada na pesquisa
2.429
2.2 Estimativa da população total
2.000.000

