1 - Identificação da Comunidade Linguística
1.2 Projeto
1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:
1.4 Língua do Inventário
Indígenas
Identifique a Etnia
Paiter
3 - Caracterização da comunidade linguística
3.1 Histórico
Segundo a tradição oral dos próprios Paiter (tanto nas referências publicadas quanto nos resultados de entrevistas conduzidas para o preenchimento deste questionário), a área original de residência do povo Paiter se localizava no norte do Estado de Mato Grosso, de onde foram sendo deslocados, devido à pressão dos brancos e de outros povos indígenas, até a área atualmente habitada pelos Cinta Larga, os quais, por sua vez, empurraram os Paiter mais para o oeste, até a região hoje em dia vizinha à cidade de Espigão d’Oeste, de onde se foram deslocando para dentro da sua área atual. O contato com os Cinta Larga se mantém, em certo nível, até hoje, como dá a perceber a existência de casamentos Paiter-Cinta Larga, o segundo tipo mais frequente de casamento misto entre os Paiter (depois de casamentos com brancos). Os Paiter tinham relações, geralmente hostis, com os vizinhos Zoró. Mesmo após contato, na década 70, ocorrem conflitos armados entre os dois grupos. Como os outros grupos da família linguística Mondé, os Paiter têm uma tradição guerreira formidável. Deixando-se de lado contatos ocasionais com brancos durante o deslocamento e até a chegada no seu território atual, o primeiro contato oficial com a sociedade circundante se deu em 1969, por intermédio dos sertanistas Francisco e Apoena Meireles, da FUNAI. Neste ano, os Paiter finalmente visitaram o acampamento da FUNAI na linha 12, o qual havia sido fundado no ano anterior, no dia sete de setembro (data da qual deriva o nome da Terra Indígena). Uma certa parte da população continuou fora da área de contato, mantendo-se perto de Espigão d’Oeste, até finalmente mudarem-se em 1977 para a aldeia da linha 14, onde havia na ocasião um outro posto da FUNAI. Na década de 1970, a INCRA permitiu a entrada de colonos na área dos Paiter, que, após muita luta conseguiu a expulsão dos invasores e habitaram a periferia da reserva para impedir as sua volta. A organização atual das aldeias em termos de “linhas” é vestígio da INCRA.
3.2 Presente
Os falantes atuais da língua Paiter dentro da Terra Indígena Sete de Setembro são basicamente todos os membros da etnia Paiter. Há casos de casamentos mistos (sobretudo com índios Cinta Larga) onde estes últimos aprenderam a falar Paiter, mas estes são apenas casos isolados; em casamentos mistos com brancos, estes em geral aprendem pouco ou nada da língua indígena.
Os Paiter continuam, em geral, a manter muito do seu modo de vida tradicional (roças de mandioca e outros produtos, caça e pesca como fonte de proteínas, etc.), embora a influência de elementos externos já seja evidente: a influência do modo de vida ocidental (uso de dinheiro, a compra e consumo de bens ocidentais, como carros, motocicletas, televisões, telefones celulares, a frequência de casas de tijolos e alvenaria, etc.) é bastante marcante.
Mencione-se, em particular, a influência dos missionários, os quais vêm levando o cristianismo a um número crescente de indivíduos dentro da Terra Indígena, com a concomitante diminuição do interesse por aspectos considerados “não cristãos” da cultura e religião ancestral Paiter (p. ex., a falta de interesse na realização da festa tradicional do Mapimaĩ, que não tem ocorrido desde 2011).
As relações dos Paiter com os não-índios se limitam, na prática, a contatos com os brasileiros, já que a Terra Indígena Sete de Setembro está longe da fronteira mais próxima (com a Bolívia). Após o contato inicial, as interações entre os Paiter e os brancos foram-se intensificando paulatinamente. Em consequência, a influência da língua portuguesa sobre o Paiter veio aumentando.
Por enquanto, essa maior influência levou apenas a um número crescente de indivíduos bilíngues, sem afetar o uso e a transmissão da língua Paiter dentro da Terra Indígena Sete de Setembro. A longo prazo, contudo, é possível que o português venha a afetar mais diretamente o uso e transmissão da língua Paiter (note-se o aparecimento esporádico de indivíduos com baixa ou nenhuma proficiência na língua entre os Paiter nascidos em famílias que moram nas cidades, sobretudo em Cacoal).
Uma preocupação dos Paiter é a redução entre os jovens dos conhecimentos tradicionais da cultura e da língua.
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2 - População da comunidade linguística
2.1 População identificada na pesquisa
21
2.2 Estimativa da população total
1.165

