Metadados
Projeto
Língua do Inventário
1 - Comunidade de Referência
1.1 Número de falantes
280 (considerando todos os residentes na comunidade de referência)
1.2 Número de falantes parciais
38 (considerando todos os residentes na comunidade de referência)
1.3 Números de não-falantes
20 (considerando todos os residentes na comunidade de referência)
15 (considerando os da etnia Karo-Arara residentes na comunidade de referência)
7 - Taxa de Transmissão da língua de referência
7.1 Faixa Etária
Infância 0-12
8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência
Grau de transmissão da língua
9 - Escrita e Leitura
9.1 Identificar a existência de grafias
com uma grafia
9.2 Caracterizar as grafias existentes
9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?
Sim
9.5 Quais tipos de texto?
Textos escritos pelos alunos da escola sobre hábitos animais, práticas do cotidiano.
9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?
Há menos de 25 anos
9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?
Não
9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?
Sim
9.10 Quais tipos de textos?
Documentos, convites, textos na internet
10 - Paisagem Linguística
10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:
Cartazes, faixas, banners e cartolinas
13 - Língua mais frequente
13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas
Língua 1 Karo | Língua 2: Português (no caso do Cinco Irmãos e na interação com não indígenas em todas as aldeias)
14 - Situação Comunicativa
14.1 Situações comunicativas
Na maioria dos contextos, a língua utilizada é o Karo. Fazem uso do português somente quando se dirigem a não indígenas, a indígenas falantes de outra língua e ao pessoal de Cinco Irmãos. No contexto das redes sociais, como o Facebook, usam o português, dado que nesse espaço se comunicam basicamente com indígenas de outras etnias e não indígenas.
14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência
[3] Uso estável
14.4 Justificativa e detalhamentos sobre a dinâmica de usos
Em geral, os Karo-Arara das aldeias Paygap e Iterap não demonstram grandes preocupações em relação ao uso da língua. Lamentam muitas vezes estarem perdendo a sua cultura, expressando preocupação quanto às transformações de seu modo de vida, principalmente em relação à alimentação, ao abandono de algumas práticas rituais e ao processo de conversão religiosa. Em relação à língua, não a consideram ameaçada. As pessoas sentem que a língua está viva e afirmam que as crianças e jovens seguem aprendendo e se comunicando na língua nativa, o que é confirmado por esse levantamento. A situação da aldeia Cinco Irmãos, como vem se buscando frisar ao longo desse relatório, é bem distinta. Desde que fundaram sua própria aldeia, em 2012, interromperam a aprendizagem da língua, que ocorria espontaneamente entre as crianças e jovens do sexo masculino.
15 - Usos linguísticos especiais da língua de referência
15.1 Uso linguístico especial
Narração de mito, Cantos,
15.2 Descrição das características formais e dos conteúdos
Narração de mito: Os mitos são preferencialmente narrados em duplas, com um narrador principal e um acompanhante, que interrompe fazendo perguntas, corrigindo e confirmando algumas passagens. As frases são terminadas com evidenciais como to'wa (“contam”, “dizem”), que aponta a origem indeterminada da fonte da história, atribuindo-a a um genérico e subentendido “os antigos”. Cantos: Em geral, consistem em repetições de uma ou duas frases, quando em geral a primeira é uma pergunta e a segunda uma resposta. Nas canções compostas por uma única frase, é comum que duas entonações diferentes se intercalem. Assim, a segunda sentença acrescenta a última vogal da última palavra da frase. Na terceira repetição, essa marcação não aparecerá, na quarta sim, e assim sucessivamente.
15.3 Situações sociais de ocorrência
Narração de mito: Atualmente, essas ocasiões costumam estar relacionadas ao contexto de pesquisa, seja ela realizada por pesquisadores indígenas matriculados no curso de Licenciatura Intercultural da Unir. Mais raramente, alguns senhores mais idosos costumam narrar alguns mitos e histórias de antigamente em suas casas para seus filhos e netos. Cantos: Os cantos são executados em práticas rituais, como festas e encontros de pajés.
16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais
16.1 Proporção de indivíduos que conhecem o uso linguístico especial
Poucas pessoas
16.2 Frequência atual do uso linguístico especial
Menos do que antigamente
16.3 Situação da transmissão do uso linguístico especial
Número decrescente de pessoas aprendendo
16.4 Observações sobre os usos linguísticos especiais
Para as situações sociais de ocorrência de usos linguísticos especiais, ver item 5.4.1. Os professores e alguns idosos dizem que ninguém está aprendendo a narração de mitos, embora crianças e jovens que moram ou convivem com narradores devam estar aprendendo. A chegada da eletricidade e a aquisição de televisões são alguns dos motivos para o decréscimo da aprendizagem. Antigamente, as pessoas contavam e ouviam histórias antes de dormir. Hoje várias delas preferem assistir televisão. Sobre os cantos, algumas poucas crianças e jovens sabem cantar os cantos tradicionais, mas quase todas sabem cantar as músicas da igreja.
17 - Atitudes linguísticas da comunidade
17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência
Observações
"A língua não se acaba". Valorizam, não reconhecem risco de perda da língua.
17.2 Atitude em relação às demais línguas
O uso do português não é condenado pela comunidade de referência, que valoriza o aprendizado dessa segunda língua. Como o levantamento mostra, há 209 falantes plenos de Karo e português. Algumas palavras emprestadas, como cultura, reunião e pajé, foram incorporadas à língua.
18 - Síntese
18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?
Língua 1 Karo
Língua 2 Português
18.2 Justifique
Conforme já mencionado em itens anteriores, a comunidade comunica-se em Karo, reservando o uso do português para a comunicação com não falantes do idioma nativo. O português é valorizado por possibilitar o acesso ao mundo dos não indígenas e a comunicação com eles e indígenas de outras etnias.
18.3 Panorama das línguas em contato
As línguas mais usadas na comunidade de referência são o Karo e o português. Pessoas de outras etnias residentes nas aldeias pesquisadas tendem a falar a língua materna, o Karo e o português. Essas pessoas são cônjuges de homens ou mulheres Karo-Arara ou filhos e filhas de casamentos interétnicos. Em grupos domésticos com casamentos desse tipo, as pessoas tendem a se comunicar em Karo. Somente as pessoas de outra etnia, majoritariamente Gavião, comunicam-se com seus filhos na língua materna. Essas pessoas comunicam-se em Karo ou em português com o resto da comunidade.
2 - Comunidade Linguística
2.1 Número de falantes
280 (considerando todos os residentes na comunidade de referência)
2.2 Número de falantes parciais
38 (considerando todos os residentes na comunidade de referência)
2.3 Números de não-falantes
20 (considerando todos os residentes na comunidade de referência)
15 (considerando os da etnia Karo-Arara residentes na comunidade de referência)
3.1 Na comunidade de referência
23
3.2 Na comunidade linguística
23
3.3 Em português na comunidade de referência
18 (considerando todos os residentes na comunidade de referência)
15 (considerando os da etnia Karo-Arara residentes na comunidade de referência)
3.4 Em português na comunidade linguística
18 (considerando todos os residentes na comunidade de referência)
15 (considerando os da etnia Karo-Arara residentes na comunidade de referência)
3.5 Nas demais línguas faladas no território na comunidade de referência
1 falante de Gavião
3.6 Nas demais línguas faladas no território na comunidade linguística
1 falante de Gavião
4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?
309 (considerando todos os residentes na comunidade de referência), sendo 209 falantes plenos e 100 falantes parciais
4.2 Quantos também falam português na comunidade linguística?
309 (considerando todos os residentes na comunidade de referência), sendo 209 falantes plenos e 100 falantes parciais
4.3 Quantos também falam uma outra língua na comunidade de referência?
Gavião: 27
Zoró: 6
Suruí: 2
Karipuna: 1
Total: 36
4.4 Quantos também falam uma outra língua na comunidade linguística?
Gavião: 27
Zoró: 6
Suruí: 2
Karipuna: 1
Total: 36
5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?
0
5.2 Quantos indivíduos na comunidade linguística que falam três ou mais línguas?
0
5.3 Quais são as línguas mais comuns faladas por indivíduos que dominam mais de duas?
Karo, português e gavião
6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?
Língua 1: Karo(no caso das aldeias Paygap e lterap) | Língua 2: Português (no caso da aldeia Cinco Irmãos)
6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?
Língua 1: Português
6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique
Língua:
Português
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
Infância
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
Aprendem com as outras crianças e adultos falantes e com os brancos que visitam ou trabalham na aldeia. As aulas ministradas por professores não indígenas também são uma fonte de aprendizagem do português. Os Kart-Arara gostam que seus filhos falem português, mas só costumam falar português com eles na presença de pessoas que não falam Karo.
6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?
Nas aldeias Iterap e Paygap, a aquisição da língua é feita em casa e nos espaços comunitários. As pessoas só falam entre si na língua nativa. Somente recorrem à conversação em português na presença de não indígenas ou de indígenas não falantes de Karo. Mesmo nas conversas com aqueles senhores que voltaram a conviver com os parentes depois de alguns anos, vindo a aprender a língua de modo parcial, isto é, eles entendem tudo, mas são incapazes de falar, ver item 2.3, as pessoas se dirigem a eles na língua Karo.
No caso dos Cinco Irmãos, a aquisição da língua Karo não está ocorrendo. Pelas informações que obtive, a língua não é ensinada na escola. A escola só tem professores indígenas. Os poucos moradores que aprenderam a língua o fizeram quando moravam em Paygap.
Número absoluto de falantes fluentes
31
Número absoluto de falantes com proficiência parcial
17
Número percentual de falantes com proficiência parcial
21
Número absoluto de não falantes
6
11.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
23
11.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
22
11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
82
11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
76
11.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
35
11.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
42
Observações
Metodologia e amostragem: A proficiência foi atribuída pelos professores das escolas de Iterap, Prainha e Cinco Irmãos a seus alunos e, portanto, não corresponde à totalidade da comunidade de referência/linguística, mas somente aos estudantes. Não é possível fazer uma estimativa a partir dos dados coletados.
12.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
59
12.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
65
12.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
59
12.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
53
12.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
22
12.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
22
Observações
Metodologia e amostragem: A proficiência foi atribuída pelos professores das escolas de Iterap, Prainha e Cinco Irmãos a seus alunos e, portanto, não corresponde à totalidade da comunidade de referência/linguística, mas somente aos estudantes. Não é possível fazer uma estimativa a partir dos dados coletados.

