Metadados
Língua do Inventário
1 - Comunidade de Referência
1.1 Número de falantes
67
1.2 Número de falantes parciais
16
1.3 Números de não-falantes
25
7 - Taxa de Transmissão da língua de referência
7.1 Faixa Etária
Idoso +60
8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência
Grau de transmissão da língua
9 - Escrita e Leitura
9.1 Identificar a existência de grafias
com uma grafia
9.2 Caracterizar as grafias existentes
9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?
Não
9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?
Há menos de 25 anos
9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?
Não
9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?
Sim
9.10 Quais tipos de textos?
Gêneros de multimídias, por meio de suportes como WhatsApp e Facebook. Um indígena que está cursando o curso Intercultural da Universidade Federal de Rondônia, campus Ji-Paraná, também usa o e-mail.
9.11 Comente sobre as principais diferenças entre a prática de escrita e leitura na língua portuguesa e na língua de referência da comunidade
A escrita e a leitura em português são comuns para os que têm celular, por meio do qual se comunicam e leem sobre qualquer assunto disponível na Web.
Em nenhum momento foi constatado o uso da grafia da língua nesses suportes midiáticos. Desse modo, em termos gerais, não se pode dizer que há concorrência entre as práticas de leitura e escrita entre essas línguas.
Pode-se afirmar, sim, que a prática de leitura e escrita na língua é inexistente. Mais ainda, essa grafia é atualmente simbólica e se restringe ao âmbito escolar, espaço que limita ainda mais a prática da escrita, haja vista que só é utilizada no período do primeiro ciclo do Ensino Fundamental.
10 - Paisagem Linguística
10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:
Cartazes, faixas, banners e cartolinas
10.2 Caso tenha marcado a opção "outros", explique:
Como registrado em fotos, a paisagem linguística nas aldeias 621 e 623 se resume a algumas palavras escritas em português e traduzidas com a grafia da língua.
13 - Língua mais frequente
13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas
Língua 1: Português | Língua 2: Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau
14 - Situação Comunicativa
14.1 Situações comunicativas
Na comunidade, entre pessoas com mais de 30 anos, a língua de referência predomina em todas as situações comunicativas. No entanto, pessoas com idade entre 20 e 29 anos usam o português mesmo em situações corriqueiras, como quando jogam futebol, prática quase diária. Pessoas com idade inferior a esta tendem a usar português sempre com outros da mesma faixa etária.
O meio pelo qual a língua é mais utilizada é na sua modalidade oral, como nas conversas do dia a dia, em reuniões da associação, nas tomadas de decisão sobre alguma demanda da comunidade etc.
A única oportunidade em que se constatou seu uso na escrita foi quando se solicitou a alguns alunos do 9º ano que escrevessem um texto curto sobre sua vida na aldeia. Nas redes sociais, como Facebook, ou no WhatsApp, só se observou o uso do português. Além disso, no rádio, pelo qual fazem contato com outras aldeias Uru-Eu-Wau-Wau e a CASAI de Jaru, onde há indígenas Kawahiba trabalhando, também só foi observado o uso do português.
14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência
[2] Uso em retração
14.4 Justificativa e detalhamentos sobre a dinâmica de usos
Essa escolha se deve ao fato de que mesmo os jovens entre 20 e 30 anos usam o português para discutirem algum problema da aldeia.
Ademais, nas partidas de futebol, que contam com homens de 15 a 30 anos, qualquer comentário é feito em português. Às vezes, a impressão é de que, se houver um não indígena próximo, o português é que deve ser a língua de comunicação.
No entanto, por vários momentos não havia algum não indígena por perto e o diálogo se passava em português.
Além disso, pessoas com idade superior a 30 anos sempre falam na língua. Sempre que me encontravam, me interpelavam na língua, com expressões para "bom dia", "aonde vai?" e "de onde vem?"
15 - Usos linguísticos especiais da língua de referência
15.1 Uso linguístico especial
Não se sabe. Talvez os pajés tivessem um uso especial da língua; no entanto, não há como verificar essa possibilidade, pois não existem mais pajés entre os povos Kawahiba de Rondônia.
16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais
16.1 Proporção de indivíduos que conhecem o uso linguístico especial
Ninguém
17 - Atitudes linguísticas da comunidade
17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência
17.2 Atitude em relação às demais línguas
A atitude dos Uru-Eu-Wau-Wau parece ser indiferente quanto ao português, única língua falada por eles, além da língua de referência.
É interessante notar, entretanto, que tudo que entrou na cultura do povo recentemente, como escola, livro, carro, moto etc., são ou nominalizações ou derivações, sem recorrência ao processo de empréstimo de fato. O exemplo disso vem de burehua, que significa "avião". Morfologicamente, essa palavra é composta de bure, "mosca", e -hua, um sufixo aumentativo. Literalmente, burehua é "mosca grande" ou "avião".
Contudo, é possível que esses neologismos sejam da época do contato, quando nenhum deles falava português, e por isso novidades que não são da cultura indígena foram traduzidas para a língua conforme sua função ou o aspecto icônico mais saliente para os Uru-Eu-Wau-Wau.
Ademais, apesar de os velhos apresentarem um registro mais formal da língua segundo os jovens, não há um contexto de diglossia na comunidade.
18 - Síntese
18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?
Língua 1 Português
Língua 2 Kawahiba dos Uru-Eu -Wau-Wau
18.2 Justifique
A predominância do português em vários contextos frente à língua dos Uru-Eu-Wau-Wau é o principal argumento para essa afirmação. A quantidade de falantes atualmente de português é superior à de falantes do Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau, embora todos os velhos e jovens acima de 25 anos saibam a língua indígena.
Diferentemente, jovens abaixo dessa faixa etária são bilíngues passivos ou não falantes. Sua comunicação com os mais velhos é sempre pelo português, mesmo no caso dos bilíngues passivos.
18.3 Panorama das línguas em contato
Com exceção dos seis (6) monolíngues na língua e das crianças de 0 a 5 anos, os demais Uru-Eu-Wau-Wau são bilíngues em português. Não há falantes plurilíngues.
2 - Comunidade Linguística
2.1 Número de falantes
67
2.2 Número de falantes parciais
16
2.3 Números de não-falantes
25
3.1 Na comunidade de referência
6
3.2 Na comunidade linguística
6
3.3 Em português na comunidade de referência
22
3.4 Em português na comunidade linguística
22
3.5 Nas demais línguas faladas no território na comunidade de referência
0
3.6 Nas demais línguas faladas no território na comunidade linguística
0
4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?
57
4.2 Quantos também falam português na comunidade linguística?
57
4.3 Quantos também falam uma outra língua na comunidade de referência?
0
4.4 Quantos também falam uma outra língua na comunidade linguística?
0
5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?
0
5.2 Quantos indivíduos na comunidade linguística que falam três ou mais línguas?
0
6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?
Língua 1: Português
6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?
Língua 1: Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau
6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique
Língua:
Uru-Eu-Wau-Waut
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
Quando aprendida, o que não é comum atualmente, isso se dá na infância. Verifica-se que, por não haver um contexto propício para o aprendizado da língua Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau após o aprendizado do português, os Uru-Eu-Wau-Wau geralmente se tornam monolíngues em português.
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
A língua Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau é adquirida somente na aldeia, durante o contato com os falantes que têm acima de 30 anos. Ao mencionar a aldeia, não estamos implicando que a escola, por estar situada na aldeia, também ajude. Como já dissemos, o cenário hoje é de indiferença na promoção da língua.
6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?
Não. De acordo com os professores das aldeias 621 e 623, assim como com alguns jovens que passaram pela escola dessas duas aldeias, a situação é semelhante nas demais aldeias Uru-Eu-Wau-Wau. Embora, em algumas aldeias, o número de falantes seja superior ao de não falantes, o cenário é de jovens e crianças entre 0 e 20 anos que são bilíngues passivos.
Número absoluto de falantes fluentes
7
Número percentual de falantes fluentes
6,48%
Número absoluto de falantes com proficiência parcial
-
Número percentual de falantes com proficiência parcial
-
Número absoluto de não falantes
-
Número percentual de não falantes
-
11.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
2
11.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)
1,85%
11.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
14
11.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)
12,96%
11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
26
11.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)
24,07%
11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
26
11.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)
24,07%
11.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
80
11.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)
74,07%
11.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
80
11.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)
74,07%
12.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
30
12.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)
27,77%
12.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
14
12.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)
12,96%
12.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
23
12.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)
21,29%
12.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
16
12.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)
14,81%
12.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
55
12.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)
50,92%
12.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
78
12.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)
72,22%

