1 - Identificação da Comunidade Linguística
1.2 Projeto
1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:
1.4 Língua do Inventário
Imigração
Identifique o país de origem
Observação
Comunidade linguística dos falantes de Hunsrückisch (pt. hunsriqueano), língua de meio que tem por base o alemão trazido por imigrantes da Renânia, Hunsrück e Palatinado, ora tendendo para uma variedade [+dialetal] ou [+francônio-moselana], ora para uma variedade [+standard] ou [+francônio-renana], no contínuo standard-substandard do alemão. Por sua maior proximidade da norma standard escrita (Hochdeutsch), muitas vezes se mescla ou alterna com esta. Este pode ser um dos fatores que explicam sua vitalidade e retenção linguística durante quase 200 anos (1824 até os dias atuais), com falantes nas diferentes faixas etárias e estratos socioculturais, tanto no meio rural, onde se mantém mais fortemente, quanto em contextos urbanos. Estima-se uma população de 1.225.000 falantes do Hunsrückisch no Brasil e na Bacia do Prata, distribuída em comunidades isoladas (ilhas linguísticas) e áreas descontínuas pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e demais áreas do Centro-Oeste e Amazônia, sobretudo Mato Grosso.
3 - Caracterização da comunidade linguística
3.1 Histórico
A comunidade linguística do Hunsrückisch formou-se a partir da primeira metade do séc. XIX (RS, 1824; SC, 1829; e ES, 1847), com a vinda dos primeiros imigrantes alemães da região do Hunsrück e Palatinado, na Renânia Central. A variedade do alemão falada nessa matriz de partida, situada entre as áreas dialetais do francônio moselano ([+dialetal]) e do francônio renano (([+próximo do alemão standard ou Hochdeutsch]) serviu de base ao Hunsrückisch brasileiro. O contato entre variedades do alemão (devido à origem diversa dos imigrantes), assim como também com o português, moldaram essa língua de imigração ao longo de quase 200 anos. A partir dos núcleos iniciais em torno de São Leopoldo – RS (Hunsrückisch Rio-grandense), São Pedro de Alcântara (Hunsrückisch Leste-catarinense) e Domingos Martins (Hunsrückisch do Espírito Santo), essa língua se difundiu, inicialmente, para seu entorno, abrangendo a partir de 1890, no caso da matriz do Rio Grande do Sul, onde foi realimentada com sucessivas levas de novos imigrantes, uma área extensa que chega até o oeste de SC, sudoeste do PR e MT. O desenvolvimento dessas áreas de imigração teve por muito tempo o Hunsrückisch como língua dominante de comunicação, além do suporte da escola, da igreja e de uma imprensa em língua alemã.Estabeleceu-se, assim, uma diglossia entre o Hunsrückisch, como língua da oralidade e da informalidade, e do Hochdeutsch (norma standard local do alemão) como língua da escrituralidade e da formalidade. Com a política da nacionalização do ensino pelo Estado Novo, durante o período da Segunda Guerra Mundial, houve um ruptura que levou à substituição da língua-teto (Hochdeutsch) pelo português, para as funções formais e de escrita. O Hunsrückisch permaneceu, porém, como língua da família e da interação local entre os membros dessas comunidades, especialmente nos contextos rurais, onde o português ainda não estava presente com a mesma intensidade. 9.
3.2 Presente
Há cerca de 10 anos atrás, quando se iniciou a Política Nacional da Diversidade Linguística, no Brasil, pouco se sabia, no contexto geral, sobre o Hunsrückisch, ou hunsriqueano, como se propõe no presente Inventário. Mesmo assim, devido à sua representatividade demográfica e geográfica e uma pesquisa linguística mais ou menos estabelecida, o Hunsrückisch foi incluído, ao lado do Talian, no rol das línguas de imigração que mereciam uma atenção mais significativa, participando ativamente do Seminário do Livro das Línguas, promovido pelo IPHAN em 2006.
Hoje, o Hunsrückisch representa um conceito de alcance internacional, como língua amplamente pesquisada e documentada. Sua vitalidade linguística, tanto em termos de sua territorialidade de uso, quanto em relação ao número de falantes, chama igualmente atenção, apesar da perda gradativa dessa língua, acelerada nos últimos anos em virtude das mudanças sociais e da urbanização crescente.
O presente Inventário vem contribuir para subsidiar as ações de reconhecimento, salvaguarda e promoção dessa língua, fornecendo o conhecimento para a compreensão do comportamento linguístico, uso e configuração dessa língua.
2 - População da comunidade linguística
2.1 População identificada na pesquisa
1.225.000 falantes
2.2 Estimativa da população total
Sem estimativa precisa.
2.3 Observações
Na rede de comunidades de referência há pontos essenciais e originais com alto grau de
urbanização, como RS01 – Novo Hamburgo e São Leopoldo, na Grande Porto Alegre, e outras localidades rurais ou rurbanas, como RS11 – Forquetinha.

