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Latundê

Início Módulo 3 - Comunidade Linguística Latundê

1 - Identificação da Comunidade Linguística

1.2 Projeto

Língua Latundê

1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:

Línguas Indígenas

1.4 Língua do Inventário

Latundê

Indígenas

Identifique a Etnia

Latundê

3 - Caracterização da comunidade linguística

3.1 Histórico

Os falantes do Latundê moravam originalmente numa região de transição entre a mata e o campo. O primeiro registro oficial da sua aldeia foi em 1976, quando uma antropóloga da FUNAI sobrevoou a recém-identificada reserva Tubarão-Latundê (Melatti 1976). Essa reserva foi ocupada em 1973 por remanescentes aculturados dos povos Aikanã e Kwazá, os quais, vindo da foz do rio Tanarú, se estabeleceram na região oeste da reserva. Os Aikanã (e entre eles a pequena minoria Kwazá) tinham sobrevivido às doenças e à escravidão nos seringais, desde os primeiros contatos no início do século XX até os anos 1960. Quando o INCRA começou a lotear os seringais para fazendeiros, os Aikanã foram transferidos para terras menos férteis (a reserva atual), onde começaram extrair seringa por conta própria. Durante visitas no interior da reserva, os Aikanã encontraram vestígios de picadas de caça dos Latundê, e realizaram uma breve visita em janeiro 1975 (Melatti 1976). (Na mesma época, os Aikanã também encontraram um outro grupo de Aikanã no interior da reserva, que tinha se separado nos anos 1940.) O primeiro contato oficial registrado entre os Latundê e os não indígenas foi durante uma expedição da FUNAI, em 1977, realizada pelo capataz rural Jorge Falca, que levou consigo alguns Aikanã. O grupo Latundê que encontraram consistia de pouco mais de 20 membros. Logo após esses contatos iniciais, típica e tragicamente estabelecidos sem o devido cuidado com respeito às doenças contagiosas exógenas, uma parte significante do grupo faleceu, ficando reduzido a 11 membros. O Jorge Falca, que foi encarregado de realizar o contato e em seguida prestar assistência aos Latundê, os abandonou para morar na aldeia dos Aikanã. Vários Latundê foram levados para a aldeia dos Aikanã, e foram alí escravizados, trabalhando pela comida. Os Aikanã aplicaram o modelo de dominação que eles próprios haviam sido submetidos pelos não indígenas. Algum tempo depois, uma parte dos Latundê fugiu dessa situação, voltando para o interior da reserva. Devido às experiências traumatizantes, os Latundê inicialmente não queriam se reproduzir mais. Porém, nessa mesma época, alguém levou um jovem de descendência Yelelihrê, criado por Tawandê em Mato Grosso, para os Latundê. Esse indivíduo casou-se com as duas moças do grupo, com quem teve seis filhos. Hoje os filhos nascidos após o período de contato são jovens adultos. Esses jovens têm vários filhos de casamentos com membros dos povos Aikanã, Sabanê, Mamaindê e Negarotê, que formam a população infantil do grupo. As recordações dos sobreviventes do período desastroso do contato ainda são extremamente dolorosas. Devido ao tamanho pequeno do grupo Latundê e das relações de parentesco entre os seus membros, novos casamentos são necessariamente exógamos. Duas índias Latundê se casaram com Aikanã e foram morar junto a esse na aldeia Gleba. Nesses casamentos, Português é a língua da casa e as mulheres Latundê não chegam a usar Aikanã, mas algumas entendem essa língua. Não há casos de homens Latundê casados com mulheres Aikanã. Os homens casaram com mulheres Sabanê, Negarotê e Mamaindê e moram com os outros Latundê na aldeia Latundê no interior da reserva, porém, mantendo uma casinha na Gleba. Mesmo que Português tenda a ser a língua de casa nesses casamentos, as mulheres Mamaindê, e algumas Negarotê, falam ou entendem a língua do seu povo e parecem entender também o Latundê. Em dois casos, o Mamaindê é a língua nativa das suas crianças. O contato com falantes do Português (os Aikanã, o homem Tawandê, e os neo-brasileiros) exerceu um forte impacto tanto na transmissão do Latundê quanto na língua mesma. Telles (2002a) relatou que a geração pós-contato cresceu, principalmente, usando o Português e apresentando um domínio passivo do Latundê. O uso regular do Latundê começou efetivamente no início da adolescência. O resultado é que o Latundê falado pelos idosos acima de 50 anos difere da variante falada pelos jovens. Além disso, o Português falado pelos Latundê é uma variante distinta, desenvolvida de uma variante baseada em domínio parcial da língua e marcada pelo substrato Latundê. O Português parece ter mais prestígio entre os Latundê do que a própria língua indígena. Para eles, o português é considerado mais “facil”. Porém, o Latundê é muito valorizado como marcador de identidade étnica e é também usado como língua secreta em situações quando os Latundê não querem que pessoas não Latundê entendam o que eles falam entre si. Fontes importantes da época do contato são os relatórios da Melatti (1976), Price (1977), e Galvão (1980) [anexado sob “3.3.1 etc.”]. Uma fonte etno-histórica e sociolinguística importante sobre os Latundê é Reesink (2011, 2012). Uma descrição abrangente da língua com uma introdução sociolinguística substancial e incluindo um dicionário é Telles (2002a). Existe um levantamento sociolinguístico sobre as línguas do Nambikwara do Norte pelos missionários do SIL (Anonby & Eberhard, 2008), com enfoque na evangelização das suas comunidades.

3.2 Presente

Os falantes do Latundê são os remanescentes de um povo que já era pequeno quando foram alvo do contato com o povo vizinho Aikanã e com os neo-Brasileiros nos anos 1970. Desde esse contato, alguns deles mudaram para a aldeia dos Aikanã, a aldeia Gleba, por várias razões. A maior parte mora na região onde foram encontrados os Latundê nos anos 1970, na aldeia Latundê (também chamada aldeia Barroso). Como os Latundê são um grupo muito pequeno com genealogias inter-relacionadas, os jovens, quando querem casar, têm que procurar parceiros fora do povo. Algumas mulheres casaram-se com homens Aikanã e alguns homens casaram-se com mulheres Sabanê, Negarotê e Mamaindê. As relações dos Latundê com os Aikanã sempre foram tensas, apesar de convivência parcial desde a época de contato e de casamentos interétnicos recentes. Como os Aikanã estavam em contato com a cultura ocidental por muito mais tempo (desde o início do século XX), eles tinham adotado muitos dos seus aspectos (cultura material, domínio do Português, economia capitalista), e por isso se consideravam culturalmente superior. Essa atitude, também vigente entre muitos neo-Brasileiros, e a discriminação que isso acarreta, ainda é possível perceber em certas ocasiões. Além disso, os Latundê moram no interior da reserva, relativamente afastados e com muito mais difícil acesso à cidade que os Aikanã. A situação do grupo com respeito à educação escolar e à assistência médica é muito mais precária, e para terem acesso a esses serviços os Latundê dependem do seu ponto de apoio na Gleba. Alguns Latundê frequentam fazendas nos arredores da reserva e as cidades, especialmente Chupinguaia, onde eles às vezes trabalham para os neo-Brasileiros, ou negociam produtos da sua roça e da floresta, e onde fazem compras. A população das fazendas e cidadezinhas próximas geralmente não possui qualquer conhecimento básico sobre os povos indígenas e menos ainda sobre os Latundê. Alguns jovens Latundê atuam como lideranças e representam seu povo em encontros interétnicos e através das autoridades.

Anexar documentos(s)/Fazer upload de documentos(s)

Delimitação de reserva: uma difícil tarefa | Relatório contato com os Lacondê | Relatório Aikaná

2 - População da comunidade linguística

2.1 População identificada na pesquisa

32

2.2 Estimativa da população total

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