1 - Identificação da Comunidade Linguística
1.2 Projeto
1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:
1.4 Língua do Inventário
Indígenas
Identifique a Etnia
Sanöma
3 - Caracterização da comunidade linguística
3.1 Histórico
O centro de origem do povo Sanöma é a região das nascentes do rio Orinoco. Ali, os Sanöma tiveram acesso às primeiras ferramentas de metal para a produção de suas roças, por meio de trocas estabelecidas com o povo Ye’kwana (grupo Karib). Nesse período, os Sanöma começaram a produzir roças de mandioca e banana (Martins et al., 2016).
Os sucessivos conflitos entre os Sanöma e os Samathali töpö (yanomamɨ) deram início à diáspora Sanöma, configurando o atual território sanöma. O primeiro ponto de parada foi às margens do rio Saula u, afluente esquerdo do rio Padamo, na Venezuela. Com a continuidade dos conflitos com os Samathali töpö, os Sanöma seguiram para a cabeceira do rio Õkopi u, em território brasileiro. Nesse momento, um novo conflito entre os grupos Sanöma que ocupavam os arredores da pista e os Sikoi tili töpö fez com que os grupos Sanöma que hoje vivem próximos à pista fugissem para as cabeceiras do rio Walopi u.
Um novo conflito — dessa vez com os Ye’kwana — fez com que esse grupo Sanöma migrasse novamente, indo para as cabeceiras do rio Caura, conhecido como Maamapi u, onde epidemias dizimaram grande parte da população Sanöma. Esse impacto populacional levou os Sanöma, por fim, para a região hoje conhecida como Awaris (ibidem, 2016).
Os movimentos migratórios dos Sanöma e as disputas territoriais com os Ye’kwana ocorreram em um contexto em que diversos grupos indígenas que habitavam o norte amazônico eram dizimados ou sucumbiam aos maus-tratos e epidemias trazidos pelos conquistadores brancos, em especial durante o boom da borracha ocorrido no século XIX. Os Sanöma passaram, portanto, a ocupar territórios onde anteriormente viveram grupos Karib já extintos (Ramos, 1995).
A região do rio Awaris (ou Asikamatu) foi ocupada primeiramente pelos Ye’kwana, sendo a ocupação dos Sanöma no mesmo território marcada por longos conflitos entre os dois grupos. Esses conflitos cessaram somente na virada do século XIX para o século XX e, desde então, Sanöma e Ye’kwana coabitam a região conhecida hoje como Awaris (ibidem).
Os primeiros contatos entre o grupo Sanöma de Awaris e não indígenas ocorreram na década de 1950, por meio da Comissão Demarcadora de Limite Franco-Venezuelana (CCPY, 1982). Os missionários da Missão Evangélica da Amazônia (MEVA), primeiros não indígenas a se estabelecerem em Awaris, chegaram à região na década de 1960 a convite dos Ye’kwana e Sanöma, quando estes realizavam longas expedições de canoa até a cidade de Boa Vista. Em uma dessas expedições, os indígenas conheceram o missionário americano Donald Borgman, que até então havia trabalhado em uma missão na região de Surucucu. Os indígenas convidaram o missionário para que fosse até sua região, pois desejavam ter acesso facilitado a remédios e bens manufaturados.
Assim, o missionário forneceu aos indígenas ferramentas para que pudessem abrir uma pista de pouso próxima às suas comunidades. A pequena pista foi aberta com mão de obra indígena local, por meio de uma articulação entre o Coronel Camarão, da Força Aérea Brasileira, e missionários da MEVA. Em 1963, o comandante da 1ª Zona Aérea pousou na região, declarando a nova pista praticável. Em 1965, foi aberta oficialmente a Missão de Awaris na região, que contava também com um pequeno posto de saúde.
Na década de 1990, como parte do Projeto Calha Norte, a pista de pouso de 300 metros foi ampliada para 1.200 metros e também asfaltada. A ampliação da pista foi realizada pela COMARA e contou com mão de obra indígena local. Em 1995, foi concluída a implantação do 5º Pelotão Especial de Fronteira na região.
Com o início do atendimento de saúde pela FUNASA e a criação do primeiro Distrito Sanitário Indígena (o Yanomami) em 1991, foi construído um posto de saúde e um pequeno alojamento para os doentes internados, às margens da pista de pouso, entre as comunidades Sanöma de Asikama u e a comunidade Ye’kwana de Fuduuwaadunha.
No ano 2000, por meio de um convênio com a FUNASA/Ministério da Saúde, a ONG Urihi Saúde assumiu o atendimento à saúde em Awaris, respeitando a forma Sanöma de ocupação do território. Os funcionários da Urihi se deslocavam às comunidades para prestar atendimento e realizar busca ativa de malária. A saúde dos Sanöma nesse período teve significativa melhora, com a diminuição dos casos de malária, a redução da mortalidade e o consequente crescimento demográfico. O trabalho da Urihi incluiu a formação de microscopistas, agentes indígenas de saúde e professores.
Foram criadas seis escolas nas comunidades Sanöma e, após o fim das ações da Urihi Saúde, em 2004, o trabalho de escolarização foi assumido pela ONG Comissão Pró-Yanomami (CCPY), por meio da formação de um pequeno grupo de professores Sanöma e da assessoria às suas escolas (Jabur et al., 2008). Em 2011, o Instituto Socioambiental iniciou trabalhos de pesquisa intercultural na região de Awaris, com uma grande pesquisa sobre a alimentação Sanöma, realizada de forma colaborativa entre pesquisadores indígenas e não indígenas. Como resultado desse trabalho, foram lançados dois livros que compõem a Enciclopédia dos Alimentos Yanomami (Sanöma) e, em 2016, o Instituto Socioambiental deu início à comercialização de cogumelos comestíveis consumidos pelos Sanöma.
3.2 Presente
Atualmente, no entorno da pista de pouso está instalado o 5º Pelotão Especial de Fronteira (5º PEF), subordinado ao 7º Batalhão de Infantaria de Selva (7º BIS). O 5º PEF conta com a presença de cerca de 60 militares, possui acesso à internet e um orelhão. Na cabeceira da pista fica o posto de saúde de Awaris, onde atua uma Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI), composta por 12 profissionais (Costa da Silva, 2017).
Existem pequenos postos de saúde nas comunidades de Kolulu, Olomai, Õkiola, Tipolei, Hokolasimu e Hokomawë, onde há presença constante de técnicos de saúde. Até o ano de 2017 havia um conjunto de cinco casas de madeira que, por mais de cinco décadas, foi a sede local da Missão Evangélica da Amazônia (MEVA). Atualmente, a missão concentra suas ações com os Sanöma na comunidade de Olomai, e a estrutura da missão em Awaris deixou de existir.
A região de Awaris é uma das mais populosas da Terra Indígena Yanomami, assim como Maturacá e Surucucu, regiões onde também foram instalados pelotões de fronteira do Exército Brasileiro.
2 - População da comunidade linguística
2.1 População identificada na pesquisa
174 - Comunidade Kolulu
2.2 Estimativa da população total
3222 - Brasil e 3000 - Venezuela

