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Ninam

Início Módulo 3 - Comunidade Linguística Ninam

1 - Identificação da Comunidade Linguística

1.2 Projeto

Língua Ninam

1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:

Línguas Indígenas

1.4 Língua do Inventário

Ninam

3 - Caracterização da comunidade linguística

3.1 Histórico

Os primeiros registros que permitem distinguir a localização de diferentes grupos Yanomami datam do mesmo período, onde podemos identificar o que poderiam ser os ancestrais de grupos conhecidos hoje como Yanomamɨ, Sanöma e Ninam. Codazzi, já em 1838, localiza os Kirishana vivendo na Serra do Parima, contudo não é possível afirmar quando teriam deixado a região. Schomburgk, no mesmo ano, em sua expedição pelo rio Uraricoera, registra a presença dos “Kirishana” vivendo na região serrana entre o Ocamo e o Orinoco. O explorador descreve que, ao chegar a uma aldeia Ye’kwana, encontrou seus moradores em estado exaltado, preparando-se para deixar o lugar. A razão para esta partida repentina era o receio de novos ataques por parte dos “Kirishana”, que já haviam matado 20 Ye’kwana durante uma tentativa de troca de objetos manufaturados. Nesta mesma viagem, apesar de não encontrar pessoalmente nenhum Yanomami, Schomburgk chegou a encontrar um roçado “Kirishana” localizado em um tributário do Uraricoera, próximo ao Tepuy Marutani (Schomburgk, 1841). Early & Peters (1990), a partir de relatos e genealogias recolhidas entre os Ninam do Mucajaí, reconstroem parte da história e dos movimentos desse grupo até 1890. De acordo com estes autores, no final do século XIX os ancestrais dos Pola pek viviam nas imediações do rio Awaris e estavam inseridos no circuito de troca de bens industrializados através de relações, ora amistosas ora conflituosas, com os Ye’kwana. Com o aumento da tensão na relação com os Ye’kwana o grupo decide se mudar para rio abaixo, mais precisamente para a confluência do rio Parima com o rio Awaris. Por volta de 1910, um novo conflito, dessa vez interno, leva a uma divisão do grupo e parte desce o Uraricoera até o seu encontro com o Uraricaá. Entre 1911 e 1913 Koch-Grumberg refaz o trajeto de Schomburgk e pela primeira vez oferece um relato mais detalhado desse grupo. O viajante encontra alguns Ninam navegando pelo canal Santa Rosa e, nessa ocasião, recolhe dados etnográficos e linguísticos sobre eles. Esses são referidos pelo alemão como “Schirianas” e seriam habitantes do alto Uraricaá. Na mesma viagem Koch-Grumberg faz referência a outro grupo de Schirianas vivendo no alto Uraricoera (Koch-Grümberg, 1979-1982). Hamilton Rice, na década seguinte, mais uma vez faz referência a estes dois grupos: os habitantes do rio Uraricaá e aqueles que viviam nas mediações do Igarapé Linepenone, no alto Uraricoera (Rice, 1978). Nas décadas seguintes, os Ninam do Uraricaá foram se deslocando à montante em direção ao Parágua, na Venezuela, e nesse processo foram incorporando indivíduos de outros povos que habitavam a região, como os Uruak, Máku, Marakana e Sapé, que devido a epidemias e conflitos foram sendo reduzidos a poucas famílias e indivíduos. Já o grupo do alto Uraricoera durante as décadas de 1930 e 1940 experimentou diversos conflitos com os outros povos que habitavam o mesmo rio. Peters (1998) descreve primeiro os conflitos que se sucederam com os Máku e depois uma série de conflitos com os Ye’kwana. A letalidade desses últimos, considerando que os inimigos possuíam um significativo arsenal de armas de fogo, levou os Ninam a se afastarem do Uraricoera e migrarem em direção ao Mucajaí, onde permaneceram em relativo isolamento até o início dos anos 1950. Em 1958 são fundadas duas missões distintas entre os Ninam: uma missão evangélica da Unevangelized Field Mission (UFM) no rio Mucajaí, e uma missão Batista no rio Uraricaá. A primeira persiste até os dias de hoje e a segunda foi encerrada em 1982. As missões representam um marco na história desses grupos, que desde então têm aprofundado cada vez mais a sua relação com a sociedade envolvente. Assim como ocorreu com outros grupos, essa nova “história” significou também uma espécie de interrupção (ou desaceleração) dos grandes movimentos de migração.

3.2 Presente

A língua Ninam apresenta pelo menos três grandes divisões dialetais. O Ninam do Norte, falado pelos grupos que vivem nas regiões de Saúba e Ericó, próximo ao rio Uraricaá; o Ninam Central, falado pelos Yanomami que vivem na região de Uraricoera, próximo ao rio homônimo; e o Ninam do Sul, falado pelos Yanomami que vivem às margens do rio Mucajaí nas regiões de Baixo Mucajaí e Alto Mucajaí. Como vimos acima, após a saída dos Ninam da Serra do Parima, eles teriam migrado ao Norte, passando a viver nas imediações do rio Awaris, estabelecendo assim relações de troca com os Ye’kwana ao final do século XIX (Early & Peters, 1990). Porém, por conflitos diversos, os Ninam seguiram em direção sul, alcançando o ponto em que o Awaris encontra o rio Uraricoera. A partir daí, conflitos internos entre os próprios Ninam levam uma parte do grupo a descer o rio Uraricoera. Em 1911 Koch-Grumberg (1979-1982) encontrou membros de um grupo Ninam que já vivia no alto rio Uraricaá, sendo eles os antepassados dos Ninam do Norte. Já os grupos que ficaram a montante do rio Uraricoera cruzaram o rio para a margem sul, dando origem aos Ninam Central e Ninam do Sul (Chagnon et al., 1970, p. 343; Peters, 1998, p. 174). Esta divisão e distanciamento entre os Ninam do Sul e do Norte, e posteriormente entre os Ninam do Sul e Central, deu origem aos três dialetos Ninam.

Anexar documentos(s)/Fazer upload de documentos(s)

Mapa das rotas percorridas por Schomburkg entre 1838 e 1839

2 - População da comunidade linguística

2.1 População identificada na pesquisa

258

2.2 Estimativa da população total

1700 aproximadamente

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