Metadados
Projeto
Língua do Inventário
1. Ações de revitalização e promoção
1.1 Identificação e caracterização de ações de revitalização e promoção
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Denominação da Ação
Festas para resgatar conhecimentos culturais do grupo
Atores/Pessoas/Instituições envolvidos
Todos os membros da comunidade.
Atividades Desempenhadas
Preparação de comidas tradicionais e de artesanatos.
Observações
Na 2ª festa, foram confeccionados artesanatos, como brincos, pulseiras e colares. Também houve preparo de comidas tradicionais, como massaco de mandioca e cará, chicha de banana e milho, carne moqueada, peixe assado na folha de bananeira etc. O uso da língua Sakurabiat também ficou mais evidente na segunda festa. Foram relembrados os nomes dos animais, frutas e cereais usados na preparação das comidas tradicionais, bem como dos elementos da fauna e flora utilizados para a confecção dos artesanatos. As ações 1, 2 e 3 foram organizadas no contexto do processo de resgate linguístico e cultural, capitaneado pelos jovens professores indígenas, como já reportado nas seções anteriores. Foram realizadas duas festas.
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Denominação da Ação
Oficina de artesanato
Atores/Pessoas/Instituições envolvidos
Todos os membros da comunidade.
Atividades Desempenhadas
Foram três dias de atividades, incluindo oficinas de artesanato, como produção de rede e flecha, pintura corporal, canto e danças das etnias presentes, Aikanã e Suruí, e também em Sakurabiat.
Observações
As ações 1, 2 e 3 foram organizadas no contexto do processo de resgate linguístico e cultural, capitaneado pelos jovens professores indígenas, como já reportado nas seções anteriores.
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Denominação da Ação
Valorização e resgate da língua e cultura Sakurabiat na escola
Atores/Pessoas/Instituições envolvidos
Professora da escola Aipere e seu pai, o qual é falante pleno de Sakurabiat, e alunos da escola.
Atividades Desempenhadas
Contação de histórias na escola; caminhadas na floresta para ensinar os aprendizes sobre plantas medicinais; incentivo ao uso de palavras em Sakurabiat fora da escola.
Observações
As ações 1, 2 e 3 foram organizadas no contexto do processo de resgate linguístico e cultural, capitaneado pelos jovens professores indígenas, como já reportado nas seções anteriores.
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Denominação da Ação
Material didático
Atores/Pessoas/Instituições envolvidos
Professores indígenas, Carla Costa e Ana Vilacy Galúcio.
Atividades Desempenhadas
Oficinas com os professores indígenas e outros adultos, geralmente pais de alunos, para planejamento e elaboração de material didático.
Observações
As oficinas foram realizadas em 2018 e 2019.
1.2 Propostas da Comunidade para a Salvaguarda da Lingua
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Propostas
Material didático para ensino da língua na escola
Justificativa
A cartilha elaborada anteriormente, Galúcio; Sakyrabiar, 2004, já não atende às necessidades atuais da comunidade. A comunidade reconhece o espaço da educação escolar indígena como sendo um espaço propício para se trabalhar o resgate da língua e cultura. Além disso, no contexto escolar, há uma ênfase no estudo da língua escrita, possivelmente motivada pelo status elevado dessa modalidade da língua entre os Sakurabiat.
Prioridade
Alto
Ações necessárias
Planejar e elaborar o material.
Pessoas ou Instituições a serem encaminhadas as demandas
Linguista Ana Vilacy Galúcio, assistente de pesquisa Carla Costa e Museu Goeldi.
Observações gerais
Carla Costa elaborou uma proposta de material didático para o ensino da língua na escola, Costa, 2020. Porém, devido às limitações ocasionadas pela pandemia de Covid-19, o material ainda não pôde ser encaminhado para a Seduc/RO nem para a comunidade.
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Propostas
Oficinas nas aldeias que sejam mantidas pelos mais velhos
Justificativa
A experiência recente dos Sakurabiat, com a realização de uma oficina de artesanato tradicional em 2017, mostrou que esse tipo de atividade tem um efeito positivo para o resgate da língua e cultura tradicional.
Prioridade
Alto
Ações necessárias
Planejar e buscar recursos e apoio.
Pessoas ou Instituições a serem encaminhadas as demandas
Funai, Seduc/RO e Iphan.
Observações gerais
Editais específicos podem ser pensados para apoiar esse tipo de ação.
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Propostas
Materiais didáticos na língua de referência, como dicionários, por exemplo
Justificativa
A comunidade reconhece o espaço da educação escolar indígena como sendo um espaço propício para se trabalhar o resgate da língua e cultura. E, na situação atual da língua, o estímulo tecnológico pode ter um efeito positivo entre jovens e crianças.
Prioridade
Alto
Ações necessárias
Planejar e elaborar o material.
Pessoas ou Instituições a serem encaminhadas as demandas
Linguista Ana Vilacy Galúcio.
Observações gerais
Galúcio já está trabalhando há alguns anos na coleta e organização do léxico para compor o dicionário. Em 2020, foi concluída a 1ª versão do dicionário multimídia Sakurabiat-português, com itens da fauna, flora e partes do corpo, para uso em aplicativos de celular.
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Propostas
Professores conhecedores da língua de referência e conhecedores da cultura do povo
Justificativa
A comunidade reconhece o espaço da educação escolar indígena como sendo um espaço propício para se trabalhar o resgate da língua e cultura.
Prioridade
Alto
Ações necessárias
Apenas uma aldeia possui professor e escola funcionando e uma professora indígena contratada. Há 3 professores formados pelo Projeto Açaí, de formação de professores indígenas.
Pessoas ou Instituições a serem encaminhadas as demandas
Secretaria de Educação de Rondônia.
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Propostas
Materiais tecnológicos para registrar a língua em uso, assim como a cultura
Justificativa
A documentação da língua e de aspectos da cultura tradicional pode ser feita pelos Sakurabiat, a partir da disponibilização de recursos tecnológicos.
Prioridade
Alto
Ações necessárias
Buscar recursos.
Pessoas ou Instituições a serem encaminhadas as demandas
IPHAN
Observações gerais
Editais específicos podem ser pensados para apoiar esse tipo de ação.
2. Vitalidade linguística
2.1 Grau de vitalidade da língua
2.2 Fatores a que se atribui o atual estado de vitalidade da língua
Como dito anteriormente, a situação de perda linguística vivenciada pelos Sakurabiat vem se constituindo há algumas décadas e atualmente há uma situação de alta vulnerabilidade e pouca vitalidade da língua. Os Sakurabiat constituem hoje um grupo bastante reduzido, embora estejam distribuídos em cinco pequenas aldeias, eles totalizam menos de 100 pessoas vivendo atualmente na T.I. Rio Mequens. O processo de perda e mudança linguística no caso dos Sakurabiat foi relativamente gradual e envolveu fatores sociolinguisticos já conhecidos na literatura, como redução populacional, devido, sobretudo, a doenças, marginalização e/ou repressão, espaço de uso reduzido, quebra na cadeia de transmissão, o que resulta em número reduzido de falantes e concentração desses falantes entre pessoas com idades avançadas. Na década de 1990, a língua Sakurabiat contava com 23-25 falantes fluentes e já havia uma ruptura na transmissão. Naquela época as crianças já não aprendiam Sakurabiat, houve apenas duas exceções, um casal de crianças, hoje adultas, que haviam crescido próximas a sua avó e aprendido com ela a falar Sakurabiat (Galucio, 2001). O número de falantes reduziu em 50% desde então. Além de não ter havido transmissão intergeracional por mais de três décadas, houve um alto número de mortes (tanto em decorrência de fatores naturais quanto de homicídios) de idosos e outros falantes adultos de Sakurabiat.
Como demonstrado nas demais seções, a língua Sakurabiat não está sendo ensinada/aprendida e nem está sendo usado como veículo regular de comunicação na comunidade. E o Português é a língua dominante na comunidade, sendo já a 1ª língua de todas as pessoas com menos de 40 anos.
Nesse contexto é que deve ser interpretado o atual processo de resgate cultural e linguístico, iniciado pelos Sakurabiat desde 2015 e impulsionado pela participação de três jovens adultos que iniciaram o curso de formação de professores indígenas. Os três jovens professores cursaram a III Etapa do Projeto Açaí, desenvolvido pela Coordenação Geral do Núcleo de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc-RO).
O processo de valorização da língua e cultura tradicionais foi motivado especialmente pelas atividades realizadas durante o curso de formação de professores que demandavam conhecimentos específicos dos alunos sobre costumes, tradições e línguas de seus respectivos povos. Assim como pela demanda específica de ensino da língua tradicional na escola indígena da aldeia, como parte do currículo escolar formal.

