Metadados
Projeto
Língua do Inventário
1. Ações de revitalização e promoção
1.1 Identificação e caracterização de ações de revitalização e promoção
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Denominação da Ação
A “Universidade Paiter”
Atores/Pessoas/Instituições envolvidos
Os Paiter e a Unicamp, veja o portal da Unicamp: [http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2016/06/06/acordo-para-universidade-indigena](http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2016/06/06/acordo-para-universidade-indigena)
Atividades Desempenhadas
Até o momento, nenhuma; no futuro, criação de cursos, além do nível do ensino fundamental e médio, em língua Paiter. Não é especificamente focalizado na língua.
Observações
Esta iniciativa terá problemas com o estado corrente da escrita da língua, além das divisões dentro do povo.
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Denominação da Ação
Projeto ELDP de documentação digital da língua e cultura.
Atores/Pessoas/Instituições envolvidos
Coordenado por Denny Moore, com assistente local e muitos jovens Paiter.
Atividades Desempenhadas
Documentação de 158 tópicos na Enciclopédia Digital Paiter.
Observações
As gravações ainda precisam ser distribuídas ao povo.
1.2 Propostas da Comunidade para a Salvaguarda da Lingua
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Propostas
Assessoria para resolver problemas na ortografia
Justificativa
Escolhida pelos representantes, que ficaram chocados com os erros e inconsistências observados na escrita e com a dificuldade que estes vêm criando para a alfabetização na língua e seu uso.
Prioridade
Alto
Ações necessárias
Estudo linguístico adequado da fonologia da língua Paiter. Com base no estudo supracitado, explicação da fonologia da língua e das alternativas para sua representação ortográfica a um comitê de Paiter capacitados, de várias aldeias, bem como das consequências práticas de cada alternativa. Escolha informada da ortografia pelo comitê. Adoção oficial da ortografia supracitada e produção subsequente de materiais escritos, didáticos etc., nessa ortografia oficial, com divulgação da ortografia e de sua justificativa.
Pessoas ou Instituições a serem encaminhadas as demandas
Linguistas com experiência e conhecimento especializado das línguas da família, de preferência com sucesso em trabalho ortográfico e alfabetização, com resultados concretos. Um problema é que as pessoas responsáveis para os erros e inconsistências na escrita não vão resolver os problemas que elas criaram; vão defender o seu trabalho anterior.
Observações gerais
Duas tendências dificultam a escrita Paiter: 1) O embranquecimento da escrita (omissão de distinções e sons que não existem no português) e 2) a aleatoriazação da escrita (mudança frequente de símbolos gráficos e acumulação de erros). Uma parte do trabalho é linguística técnica. Uma parte é política—como organizar pessoas para conseguir bons resultados, apesar da territorialidade e rixas das pessoas nesse tipo de atividade. Os Paiter geralmente são mais racionais e interessados em resultados que os branco, mas necessitam de capacitação.
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Propostas
Documentação digital da língua e cultura verbal por meio de gravações de áudio e de vídeo, com cópias para o uso da comunidade.
Justificativa
Escolhida pelos representantes, como medida de reforçar o conhecimento da língua e cultura tradicional entre os jovens e como resgate do patrimônio linguística e cultural dos Paiter, frente o número reduzido de idosos.
Prioridade
Médio
Ações necessárias
Treinamento de jovens na tecnologia e metodologia de documentação digital; Disponibilização de equipamentos de captura e edição; Catalogação e depósito das gravações e seus metadados e traduções em um arquivo digital profissional permanente; Divulgação do material na comunidade, esp para os jovens.
Pessoas ou Instituições a serem encaminhadas as demandas
Um grande projeto de documentação digital entre os Paiter já foi realizado no período 2016 2018, coordenado pelo linguista Denny Moore. Após a consolidação dos resultados desse projeto, incluindo a disponibilização das gravações na comunidade, pode-se pensar em como continuar o trabalho.
Observações gerais
O projeto treinou, inicialmente, 15 jovens Paiter, selecionados pela sua capacidade técnica e interesse na cultura e língua. A seleção de tópicos e gravação em vídeo ou em áudio foi realizadas pelos jovens, também o registro de metadados e a tradução. Todo material já foi catalogado e arquivado permanentemente. Estuda-se como devolver à comunidade. A qualidade do trabalho Paiter foi impressionante.
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Propostas
Corrreção de materiais didáticos existentes e aumento da sua quantidade.
Justificativa
Escolhida pelos representantes, como medida de melhorar a alfabetização e o uso da língua Paiter.
Prioridade
Baixo
Ações necessárias
A questão ortográfica tem que ser resolvida primeiro. (Ver prioridade #1). Depois materiais preliminares devem ser preparados e testados para verificar a sua utilidade. Depois mais materiais podem ser elaborados e a sua reprodução solicitada.
Pessoas ou Instituições a serem encaminhadas as demandas
Provavelmente o mesmo linguista que resolveu a ortografia teria que ser envolvido na elaboração de material, provavelmente com uma equipe de Paiter capacitada para a produção de material.
2. Vitalidade linguística
2.1 Grau de vitalidade da língua
2.2 Fatores a que se atribui o atual estado de vitalidade da língua
Os Paiter se encontraram com a civilização envolvente há relativamente pouco tempo (o primeiro contato oficial ocorreu em 1969, por meio dos sertanistas Francisco e Apoena Meireles). Em um período de apenas cerca de 40 anos, mudanças fundamentais nos padrões linguísticos ainda não ocorreram: os Paiter que residem na Terra Indígena Sete de Setembro continuam a comunicar-se em Paiter em todas as situações da vida diária, estando o português restrito a contatos com não-indígenas ou pelo menos não-Paiter (p.ex., em casamentos entre Paiter e brancos). Essa situação perdura até hoje, e todas as crianças que crescem dentro da Terra Indígena Sete de Setembro continuam a adquirir o Paiter como língua materna. As principais razões para isso parece ser o pouco tempo passado depois da aproximação inicial aos brancos e, até recentemente, o relativamente baixo número de contatos com brancos e com a sociedade circundante. Observa-se, contudo, que esta situação parece estar começando a mudar: o número de índios Paiter fluentes em português vem aumentando devido à expansão da escolaridade e dos contatos com a população circundante, a ponto de já haver casos, entre as famílias residentes nas cidades (sobretudo Cacoal), de índios Paiter que falam pouco, ou não falam mais, a sua língua ancestral. É provável que pelo menos o grau de bilingualismo Paiter-português aumente consideravelmente no futuro imediato. O uso da língua continua entre os jovens, mas há uma redução no seu conhecimento da língua tradicional, que causa os idosos a reclamar que os jovens “não sabem falar direito”. A vitalidade da língua seria maior com escrita menos confusa. (Os brancos não percebem que é confusa ou acham que a confusão não é problemática.) Para uma ortografia ser adequada para documentação, tem que ser possível recuperar a pronúncia das palavras escritas. Com representação embranquecida e inadequada da pronúncia, a escrita pode contribuir à aculturação linguística e impossibilitar a aprendizagem da língua através da leitura por parte dos Paiter que não são falantes plenos.

