4 - Síntese das características da área da comunidade de referência da língua
4.1 Características sociais
Os usuários de Libras estão espalhados nas cidades entre os falantes de Língua Portuguesa. Normalmente, eles compartilham espaços com os ouvintes (referência usada para os falantes de Língua Portuguesa pelos surdos). Para manterem a comunidade surda, os surdos criam espaços de encontros que podem ser institucionalizados ou não. Quando são institucionais, estão ligados às associações criadas pelos próprios surdos ou, normalmente, escolas. Quando não são institucionalizadas, os surdos criam os pontos de encontros. Eles combinam um horário fixo e permanente em um determinado local popular da cidade (por exemplo, em Florianópolis, eles se encontram nas sextas-feiras ao final da tarde no vão central do Mercado Público). Eles valorizam muito os pontos de encontros entre os surdos, pois é considerado o espaço de conforto. O fato de compartilharem a língua é muito importante nesses espaços, pois frequentemente, entre os ouvintes, acabam sendo excluídos das conversas, mesmo sendo bilíngues (por não ouvirem a língua, apenas terem acesso ao português escrito). A questão da língua de sinais ser uma língua na modalidade visual-espacial e se estabelecer a partir da condição auditiva é um aspecto que apresenta impacto significativo nas questões sociais. Os surdos preferem quando todos usam a língua de sinais, pois é quando compartilham efetivamente os espaços sociais. Por outro lado, nos espaços compartilhados por pessoas ouvintes que não usam a Libras, o Português torna-se fator de exclusão social das pessoas surdas.
4.2 Características geográficas
Não há características geográficas relevantes.
4.3 Características ecológicas
Não há características ecológicas relevantes.
4.4 Características econômicas
Não há características econômicas relevantes.
4.5 Semelhanças e diferenças sociolinguísticas marcantes entre as localidades de ocorrência da língua
Os surdos que estão nos grandes centros urbanos, normalmente, têm mais acesso à escolarização e contato com outros surdos e acesso a diferentes agrupamentos de surdos formais e informais, quando comparados com surdos que estão em cidades menores, mesmo sendo urbanas. Isso impacta nos usos da língua, especialmente, quanto à riqueza do vocabulário.
4.6 Síntese das situações de risco para a comunidade linguística e a língua
A Libras sempre está diante de situações de risco, por ser uma língua usada por uma minoria linguística que apresenta uma situação bastante peculiar quanto à forma de transmissão da língua. A maioria das crianças nasce em famílias de ouvintes que desconhecem a língua de sinais. Dessa forma, a transmissão da língua depende do contato com os usuários da língua que não fazem parte do núcleo familiar da criança. Os resultados do levantamento sociolinguístico realizado por meio do questionário aplicado no país indicam que a maioria das crianças surdas têm contato com a Libras na escola, entre os 4 e 18 anos de idade. Também indicam que esse contato é feito com os intérpretes de língua de sinais ou os professores que conhecem um pouco da língua. Assim, claramente temos uma situação de risco iminente, pois a língua não está sendo transmitida no berço familiar e não está sendo transmitida na infância da criança, apresentando implicações no processo de aquisição da linguagem. A escola é o espaço no qual as crianças surdas têm acesso a Libras. Portanto, torna-se fundamental o estabelecimento de políticas linguísticas de aquisição da primeira língua nesse espaço.
3.1 A população falante da língua se encontra:
Dispersa em áreas geográficas descontínuas
3.2 Com relação ao padrão de residência em locais urbanos:
A comunidade linguística é majoritariamente urbana
2.1 Existem localidades de ocorrência da língua fora da área de abrangência da pesquisa
Sim

