4 - Síntese das características da área da comunidade de referência da língua
4.1 Características sociais
A comunidade mantém relações amistosas entre si e a sociedade não indígena que vive próximo à aldeia. Há não indígenas que vivem a menos de 4km da aldeia, pois a entrada desta é próximo a uma estrada vicinal conhecida como Linha do KM81, ou Linha 81. Os indígenas Amondawa, às vezes, vendem produtos, como milho e farinha, para os não indígenas que vivem próximos à aldeia.
4.2 Características geográficas
Os Amondawa vivem na T.I Uru-Eu-Wau-Wau, que tem pouco mais de um milhão e 800 mil hectares. Além dos Amondawa, também estão na T.I os seus parentes Uru-Eu-Wau-Wau, e outros povos isolados. Dentre estes há um povo que os Amondawa e Uru-Eu-Wau-Wau reconhecem como Kawahiba, e outro ao qual chamam de Wyrapararakwara, que significa “indígenas de flecha grande”. A essa T.I, está sobreposta a área ambiental Parque Nacional de Pacáas Novos, que conta com mais de 700 mil hectares. O acesso à aldeia não é fácil, uma vez que há somente uma linha vicinal que permite seu acesso por carro, moto e mesmo ônibus durante os dias úteis. Fica a 50km da cidade de Mirante da Serra, e desta é possível fretar um táxi até a aldeia.
4.3 Características ecológicas
Área preservada pelos índios, sem sinais de desmatamento ou exploração ilegal de madeira. Não há rios próximos à aldeia, mas há igarapés, segundo os indígenas, a alguns quilômetros. Não mais que 8km. Várias aves de diferentes espécies são vistas sobrevoando a aldeia. Também foram avistados macacos preto e, por vezes, os indígenas relatam a presença de onças a alguns quilômetros da aldeia quando estão caçando à noite.
4.4 Características econômicas
O meio de subsistência é o cultivo de arroz, feijão, mandioca e milho. Boa parte da safra é vendida nas cidades vizinhas, e é a fonte de renda de boa parte dos Amondawa. Há também a “casa da farinha”, fonte de renda para a outra parte. Uma minoria tem acesso a benefícios sociais, como o Bolsa Família, e alguns idosos são aposentados. Alguns homens de meia idade caçam frequentemente. Contudo, reportam que há pouca caça em qualquer época do ano. Não há a possibilidade de pesca, pois não há rios por perto. Por isso, foram construídas três represas, das quais uma estava em funcionamento, e contava com peixes Surubim e Tambaqui.
4.5 Semelhanças e diferenças sociolinguísticas marcantes entre as localidades de ocorrência da língua
Só há um local de ocorrência da língua, a aldeia Trincheira.
4.6 Síntese das situações de risco para a comunidade linguística e a língua
Durante a pesquisa de campo na aldeia, nos meses de fevereiro e agosto, não houve qualquer sinal de algo que poderia ser considerado de risco para a comunidade linguística. A exceção foram alguns rumores de que moradores próximos à estrada vicinal entram esporadicamente na reserva para caçar e armar instrumentos de caça, o que prejudica a relação amistosa que há entre os índios e os não indígenas e pode, futuramente, causar algum desentendimento de grave risco para ambos os lados. Apesar de não haver fatores que prejudiquem a língua dos Amondawa, como aqueles encontrados próximos às aldeias Uru-Eu-Wau-Wau, bem como dos Karipuna, que também são Kawahiba, quais sejam a extração ilegal de madeira de suas terras e a grilagem intermitente, os Amondawa, em especial o cacique Tari, demonstraram extrema preocupação com a situação dos seus parentes Uru-Eu-Wau-Wau. Como esses indígenas também estão na mesma Terra Indígena, eles creem que se a situação perdurar, a extração ilegal de madeira próximo à aldeia será inevitável.
6 - Anexos
6.1 Dados do acervo digital sobre as localidades
6.2 Mapa(s) de distribuição geográfica da língua
1 - Dados Gerais
1.2 Projeto
1.3 Língua do Inventário
3.1 A população falante da língua se encontra:
Concentrada em uma área geográfica
3.2 Com relação ao padrão de residência em locais urbanos:
A comunidade linguística é majoritariamente rural e há poucos falantes em áreas urbanas
3.3 Movimentos migratórios?
Não há movimentos significativos de migração dos falantes para áreas urbanas
2.1 Existem localidades de ocorrência da língua fora da área de abrangência da pesquisa
Sim
2.2 Localidades
Tipo de localidade
Fora da área de abrangência da pesquisa
Coordenadas Geográficas
Localização Geográfica
Tipo de Uso do Solo
Urbano
Estatuto jurídico da localidade
Sem estatuto jurídico especial
Tipo de localidade
Na área de abrangência da pesquisa
É comunidade de referência?
Sim
Faz parte da área ocupada pela comunidade de referência da língua?
Sim
Você considera que a língua está em risco nessa localidade?
Sim
Demografia
População de falantes da língua é majoritária
Temporalidade
A comunidade reside há menos de 50 anos e mais de 25 anos
Infraestrutura
Possui rede de eletricidade | Fácil acesso por meios de transporte a centros urbanos
Economia
A população depende basicamente de recursos e/ou empregos locais

