Metadados
Projeto
Língua do Inventário
1 - Comunidade de Referência
1.1 Número de falantes
215 (66 entrevistados)
1.2 Número de falantes parciais
0
1.3 Números de não-falantes
0
7 - Taxa de Transmissão da língua de referência
7.1 Faixa Etária
Idoso +60
8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência
Grau de transmissão da língua
9 - Escrita e Leitura
9.1 Identificar a existência de grafias
com uma grafia
9.2 Caracterizar as grafias existentes
9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?
Não
9.5 Quais tipos de texto?
O uso da escrita não é difundido para todas as pessoas da comunidade, sendo que os que a usam, com maior ou menor frequência, são os professores, agentes de saúde, os indivíduos escolarizados/alfabetizados.
9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?
Há menos de 25 anos
9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?
Não
9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?
Não
10 - Paisagem Linguística
10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:
Outros
10.2 Caso tenha marcado a opção "outros", explique:
É comum que haja, na comunidade de referência, faixas e banners de políticos, levadas até o local em períodos de campanha eleitoral. Nas portas das casas,
eventualmente encontram-se a inscrição de nomes pessoais, do nome da comunidade de referência e do etnônimo "Kalapalo".
13 - Língua mais frequente
13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas
Língua 1 Kalapalo
14 - Situação Comunicativa
14.1 Situações comunicativas
Todos os Kalapalos usam sua língua nativa em todas as situações comunicativas entre eles e com outros karib do alto xingu, incluindo comunicação via internet e escrita (bilhetes, cartas).
14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência
[3] Uso estável
15 - Usos linguísticos especiais da língua de referência
15.1 Uso linguístico especial
Akinha, Egi, Anetü itaginhü, Kehege.
15.2 Descrição das características formais e dos conteúdos
Akinha: Narrativas de caráter mitológico ou histórico. Costumam ser organizadas em blocos, internamente estruturados por um paralelismo de linhas, e externamente organizados segundo um paralelismo de blocos. Egi: Cantos. A palavra egi pode se referir tanto à música vocal quanto à música instrumental. Anetü itaginhü: Uma forma de "fala cantada", marcada pela entoação monotonal de linhas paralelas. Kehege: Fórmulas em "fala cantada", marcadas pela entoação monotonal de linhas paralelas.
15.3 Situações sociais de ocorrência
Akinha: Em situações diversas do cotidiano. A maioria dos adultos conhece algumas akinha, mas apenas alguns são considerados grandes conhecedores e dominam a arte de contá-las. Alguém com estas habilidades é chamado de akinha oto, "dono/mestre de histórias". Egi: Em todos os rituais alto-xinguanos, eventos essencialmente musicais. Seus especialistas são chamados de eginhoto, "dono/mestre do canto". Anetü itaginhü: Este gênero de fala é de conhecimento exclusivo dos chefes (anetü). É utilizado sobretudo em encontros rituais de grupos distintos, mas também tem usos específicos no interior do grupo local em fases de organização dos rituais. Kehege: Este gênero de fala é de conhecimento e uso exclusivo de chefes, pajés e especialistas rezadores. Usadas em rituais de cura. Um subgênero de Kehege é o hitsindzoho, usado para "batizar" a primeira colheita de milho e pequi, e para "benzer" armadilhas de pesca e campeões de lutas (kindoto).
16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais
16.1 Proporção de indivíduos que conhecem o uso linguístico especial
Poucas pessoas
16.2 Frequência atual do uso linguístico especial
Menos do que antigamente
16.3 Situação da transmissão do uso linguístico especial
Número decrescente de pessoas aprendendo
16.4 Observações sobre os usos linguísticos especiais
Há poucos jovens interessados em aprender os usos especiais da língua e seus principais conhecedores já estão bastante velhos e debilitados. A transmissão desse tipo de conhecimento depende do interesse explícito do aprendiz, que deve buscar o especialista e pedir que o ensine.
Muitos dos jovens que poderiam aprender esses conhecimentos estão nas cidades do entorno, estudando.
17 - Atitudes linguísticas da comunidade
17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência
Observações
Há um interesse explícito na manutenção da língua, ao mesmo tempo em que
há um interesse explícito no domínio do português. Ambos interesses, até o momento, vêm sendo equacionados de forma a manter a transmissão da língua Ka lapalo. Todavia, tem ocorrido um aumento acelerado na quantidade de pessoas que moram e estudam nas cidades, inclusive crianças, a fim de aprender o português.
17.2 Atitude em relação às demais línguas
Os Kalapalo participam de uma área cultural marcada pelo multi-linguismo. Nesse sentido, o aprendizado de outras línguas indígenas sempre foi importante e estimulado, seja através de casamentos interétnicos ou mesmo de estadias prolongadas em outras aldeias onde houvesse parentes. Atualmente esse aprendizado de outras línguas vem sendo substituído pelo português, que passou a ser a língua franca na região, tanto no contato interétnico quanto no contato com os não indígenas que frequentam e trabalham no Parque. O contato com a língua portuguesa também se intensificou com o maior acesso à televisão.
O domínio do português e visto pelos Kalapalo como uma forma de garantir seu acesso - de forma qualificada - a serviços (como os serviços de saúde, por exemplo) e bens (todo tipo de alimentos, equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos). Nesse sentido, muitos jovens e crianças têm sido estimulados a estudar em escolas nas cidades do entorno do Parque.x
18 - Síntese
18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?
Língua 1 Kalapalo
Língua 2 Português
18.2 Justifique
A língua Kalapalo continua sendo a principal língua utilizada no cotidiano das aldeias, onde reside a maior parte da população Kalapalo. O português, por sua vez, passou a ser a segunda língua de referência, e vem ganhando espaço no cotidiano das aldeias, seja através da televisão, de músicas ou mesmo das escolas.
18.3 Panorama das línguas em contato
1. Já existe uma considerável e crescente quantidade de indivíduos bilíngues em língua materna (Kalapalo), ainda dominante nas comunidades/aldeias, e português, língua de colonização dominante no entorno fora da área indígena. Indivíduos realmente bilíngues em duas línguas indígenas alto-xinguanas geneticamente distintas, ou plurilíngues, são uma minoria, não mais do que 3%.
Aqui é preciso considerar três situações distintas: (i) indivíduos provenientes de outras comunidades e residentes em aldeia Kalapalo, exceto Yawalapiti, por laços de casamento, entendem parcialmente a língua do cônjuge Kalapalo, mas não a falam, salvo em casos raros de absoluta necessidade; e, se a falam, o fazem com fluência muito parcial; (ii) são bilíngues em duas línguas indígenas os filhos de casais "mistos", ou seja, com pai e mãe falantes de línguas distintas, sendo que estes filhos e filhas entendem as duas línguas, mas usam corriqueiramente somente a língua dominante da comunidade de residência; (iii) verdadeiros bilíngues ou multilíngues em mais do que uma língua indígena são os Yawalapiti, na comunidade homônima, onde residem alguns Kalapalo, sendo que a língua yawalapiti já está desaparecendo, com não mais do que 5 falantes muito idosos.
Podemos definir como norma de uso a evitação de falar em público uma língua que não é a da comunidade de residência.
2. As famílias nucleares e as comunidades não tendem a ser multilíngues, com exceção do caso Yawalapiti.
3. O português pode ser considerado, hoje, como língua franca na comunicação entre falantes de línguas geneticamente distintas, mas não entre falantes das línguas/variedades karib alto-xinguanas.
4. A região conhecida como Alto Xingu é tradicionalmente definida como sendo "multilíngue". Para caracterizar adequadamente este multilinguismo, é preciso considerar: (i) a ideologia ou ética que regra o uso de línguas "outras" nas comunidades alto-xinguanas, conforme a evitação comentada acima; (ii) os encontros entre comunidades e entre indivíduos de diferentes comunidades alto-xinguanas são frequentes e intensos, destacando-se os rituais ou "festas" intercomunitárias, quando se ouve uma polifonia multilíngue ou o português assume a função de língua de comunicação; neste último caso, as comunidades karib alto-xinguanas são exceção; (iii) todas as comunidades alto-xinguanas executam cantos, incluídos nos vastos repertórios de cada ritual, bem como "rezas" (kehege), em línguas diferentes: Kuikuro, Kalapalo, Mehinaku (Arawak) e Kamayurá (Tupi-Guarani).
5. Todas as línguas indígenas em contato com o português correm sério risco de declínio e desaparecimento, já que a língua colonizadora está cada vez mais presente nas comunidades, sobretudo na escola e com a exposição a mídias.
6. Todas as comunidades alto-xinguanas, karib e não-karib, compartilham princípios éticos, normas de comportamentos, regime alimentar, práticas econômicas tradicionais, narrativas míticas e sistema de parentesco. Compartilham também a maioria dos rituais, como kwaryp, tawarawanã, yamurikumalu, moitará, etc., e repertório de cantos que são cantados em línguas diferentes, como dito anteriormente. Além disso, compartilham gêneros e estilos como a narrativa e as "rezas", fórmulas de cura e benzimento. Há empréstimos lexicais, em número reduzido, entre as línguas; no caso Kalapalo, provenientes de Mehinaku/Waurá, arawak, e Kamayurá, tupi-guarani.
As referências abaixo são fundamentais para o entendimento das características específicas da ética verbal e do multilinguismo alto-xinguanos:
FRANCHETTO, Bruna (org.). 2011. Alto Xingu: uma sociedade multilíngue. E-book. Rio de Janeiro: Museu do Índio, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - PPGAS, Museu Nacional, UFRJ, CNPq, Sub-Reitoria de Ensino de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ. p. 30-38. Disponível em: http://www.museunacional.ufrj.br/ppgas/Alto_Xingu.pdf
FRANCHETTO, Bruna; HECKENBERGER, Michael J. (orgs.). 2001. Os Povos do Alto Xingu: história e cultura. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ.
MEHINAKU, Mutua. 2010. Tetsualü: pluralismo de línguas e pessoas no Alto Xingu. Dissertação de Mestrado. PPGAS/MN/UFRJ.
2 - Comunidade Linguística
2.1 Número de falantes
572
2.2 Número de falantes parciais
Menos de 3%
2.3 Números de não-falantes
Menos de 3%
3.1 Na comunidade de referência
Cerca de 30% dos entrevistados (o que deve indicar um monolinguismo de aproximadamente 60% da população total, dada a predominância de homens
adultos entre os entrevistados).
3.2 Na comunidade linguística
60%
3.3 Em português na comunidade de referência
0
3.4 Em português na comunidade linguística
0
3.5 Nas demais línguas faladas no território na comunidade de referência
0
3.6 Nas demais línguas faladas no território na comunidade linguística
Menos de 3%
3.7 Observações
Todos os que residem nas comunidades Kalapalo falam e/ou entendem o
Kalapalo. Os que só entendem e não falam ou falam muito pouco Kalapalo são indivíduos de outras comunidades não falantes de Kalapalo e que residem nas aldeias Kalapalo por casamento, cerca de 3%. Ver gráfico 1 em Gráficos AIHA.doc e gráficos Etnias em Gráficos demais aldeias Kalapalo.doc impressos em anexos e incluídos do DVD - INDL Kalapalo 1-2015.
4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?
Cerca de 70%
4.2 Quantos também falam português na comunidade linguística?
Cerca de 40%
4.4 Quantos também falam uma outra língua na comunidade linguística?
Menos de 3% entendem e podem falar outras línguas (Mehinaku, Yawalapiti, Waura Kamayurá, Aweti) com dominio parcial nas situações em que isso é
permitido (ver item 7.2).
4.5 Observações
Para detalhamento dos níveis de fluência do português na comunidade de
referência ver os gráficos em Gráficos AIHA.doc impressos em anexos e incluídos do DVD - INDL Kalapalo 1- 2015.
5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?
Muito poucos indivíduos (ver item 7.2).
5.2 Quantos indivíduos na comunidade linguística que falam três ou mais línguas?
Muito poucos indivíduos (ver item 7.2).
5.3 Quais são as línguas mais comuns faladas por indivíduos que dominam mais de duas?
A grande maioria dos indivíduos bilingues dominam Kalapalo e, em graus variados, o Português. O entendimento das outras variedades/línguas karib alto-xinguanas (Kuikuro, Nahukwa, Matipu) é total, embora o seu uso na comunicação seja regrado pelas normas da ética verbal comentadas no item 7 .2. Outras línguas, geneticamente distintas, são objeto de entendimento total ou parcial, mas não são usadas na fala em contextos públicos (nãodomésticos).
Estimamos que não mais de 2 indivíduos por localidade sejam falantes de uma
língua aruak (Mehinaku ou Waura) e/ou Tupi (Kamayurá ou Aweti).
6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?
Língua 1 Kalapalo
6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?
Língua 1 Português
6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique
Língua:
Português
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
Na idade escolar
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
Na escola
6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?
Não
Número absoluto de falantes fluentes
11
Número percentual de falantes fluentes
100%
Número absoluto de falantes com proficiência parcial
0
Número percentual de falantes com proficiência parcial
0
Número absoluto de não falantes
0
Número percentual de não falantes
0
11.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
19
11.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)
29%
11.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
19
11.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)
29%
11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
20
11.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)
30%
11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
20
11.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)
30%
11.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
27
11.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)
41%
11.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
27
11.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)
41%
Observações
Os números absolutos se referem aos 66 entrevistados na comunidade de
referência (Aiha), e a estimativa é calculada aproximadamente para toda as comunidades Kalapalo. Ver Gráficos AIHA.doc no DVD "INDL- Kalapalo 1- 2015"
12.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
6
12.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)
8%
12.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
6
12.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)
8%
12.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
40
12.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)
40%
12.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
40
12.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)
40%
12.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
20
12.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)
52%
12.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
20
12.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)
52%
Observações
Os números absolutos se referem aos 66 entrevistados na comunidade de
referência (Aiha), e a estimativa é calculada aproximadamente para toda as comunidades Kalapalo. Ver Gráficos AIHA.doc no DVD "INDL- Kalapalo 1-2015"

