Metadados
Projeto
Língua do Inventário
1 - Comunidade de Referência
1.1 Número de falantes
5
1.2 Número de falantes parciais
0
1.3 Números de não-falantes
6
7 - Taxa de Transmissão da língua de referência
7.1 Faixa Etária
Idoso +60
8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência
Grau de transmissão da língua
9 - Escrita e Leitura
9.1 Identificar a existência de grafias
com uma grafia
9.2 Caracterizar as grafias existentes
9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?
Não
9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?
Há menos de 25 anos
9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?
Não
9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?
Sim
9.10 Quais tipos de textos?
Geralmente são as crianças que escrevem em Português, quando estão na escola. Portanto, seus textos dizem respeito a gêneros escolares.
9.11 Comente sobre as principais diferenças entre a prática de escrita e leitura na língua portuguesa e na língua de referência da comunidade
A prática de leitura e escrita na língua de referência é inexistente, dado que não há disciplina que oportunize às crianças o aprendizado da sua própria escrita. Somente quatro Karipuna sabem escrever e ler em sua língua. A maioria não sabe escrever ou ler em Português. A exceção são os quatro que também escrevem e leem na sua própria língua.
10 - Paisagem Linguística
10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:
Nenhum (não há textos escritos na língua de referência expostos publicamente)
13 - Língua mais frequente
13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas
Língua 1: Português | Língua 2: Kawahiba dos Karipuna
14 - Situação Comunicativa
14.1 Situações comunicativas
Durante os sete (7) dias em que estive com os Karipuna de Rondônia, pude ver que a língua com a qual mais interagem é o Português. A comunicação em Kawahiba dos Karipuna fica restrita aos mais velhos, Katika e Aripã. Em alguns poucos momentos, Batiti e André dialogavam com os primeiros na sua língua. Entre si, Batiti e André sempre conversavam em Português.
As crianças não entendem palavras isoladas da língua ou uma conversa simples que se passe em Kawahiba dos Karipuna. Neste caso, não se enquadram sequer como bilíngues passivos.
Tive a oportunidade de ser hospedado por um Karipuna, que é um dos 10 falantes, e que mora em Porto Velho. Ao telefone ou rádio da CASAI, quando conversava com Batiti ou André, o diálogo era sempre em Português.
Aripã e Katika geralmente conversam na casa de Katika. O único vídeo para o acervo de usos sociais da língua foi gravado exatamente entre esses dois, quando numa manhã, ao tomar café, Aripã narrava a história do mítico Kandabuhua. O pouco uso da língua Kawahiba dos Karipuna na atualidade refletiu na dificuldade de se obter vídeos dos usos dinâmicos dessa língua.
A modalidade de uso da língua é somente oral. Mesmo os alfabetizados, quando se comunicam por suportes eletrônicos, isso não se dá na língua.
Ademais, como as crianças não sabem a língua, os avós ou pais não esboçam a comunicação por meio dela.
14.2 Anexar/ Fazer upload de arquivos no acervo
14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência
[2] Uso em retração
14.4 Justificativa e detalhamentos sobre a dinâmica de usos
A língua Kawahiba dos Karipuna se encontra com seu uso em retração. Isso porque o uso dessa língua se limita a situações esporádicas de encontros dos mais velhos. Pessoas de 40 anos não dialogam na língua com os falantes mais jovens, que têm 24.
Além disso, nenhum indivíduo Karipuna com até 23 anos sabe a língua, ou sequer seja bilíngue passivo. A maioria dos Karipuna está na zona urbana, na capital Porto Velho, e não há expectativa de que volte à aldeia.
16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais
16.4 Observações sobre os usos linguísticos especiais
Ninguém sabe se houve algum uso linguístico especial da língua pelos pajés, por exemplo.
17 - Atitudes linguísticas da comunidade
17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência
17.2 Atitude em relação às demais línguas
Não parece haver nenhuma atitude negativa ou positiva em relação ao Português.
Deve-se notar que tudo que entrou na cultura dos Karipuna recentemente, como escola, livro, carro, moto etc. são nominalizações ou derivações. Neste caso, palavras como “meias” são obtidas via processo de nominalização cujo resultado é “aquilo que cobre os pés”.
Essas palavras, que se caracterizam como neologismos, provavelmente foram criadas na língua quando do contato com a sociedade não indígena, quando nenhum Karipuna falava Português, e por isso se mantiveram como decalques, e não empréstimos de fato.
Ademais, apesar dos velhos apresentarem um registro mais formal, segundo os jovens, não há um contexto de diglossia na comunidade.
18 - Síntese
18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?
Língua 1 Português
18.2 Justifique
O Português é sem dúvida a língua dominante hoje na única aldeia Karipuna, a Panorama. Como vimos, há somente 10 falantes, e cinco (5) destes não moram na aldeia. Na aldeia, portanto, há 11 indivíduos, e deste seis (6) não falam a língua.
18.3 Panorama das línguas em contato
Há 10 falantes bilíngues em Português e Kawahiba dos Karipuna. Um único falante Karipuna,
que vive com o povo Arara, também fala a língua desse povo, bem como o Português.
2 - Comunidade Linguística
2.1 Número de falantes
10
2.2 Número de falantes parciais
0
2.3 Números de não-falantes
19
3.1 Na comunidade de referência
0
3.2 Na comunidade linguística
0
3.3 Em português na comunidade de referência
18
3.4 Em português na comunidade linguística
18
3.5 Nas demais línguas faladas no território na comunidade de referência
0
3.6 Nas demais línguas faladas no território na comunidade linguística
0
4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?
10
4.2 Quantos também falam português na comunidade linguística?
10
4.3 Quantos também falam uma outra língua na comunidade de referência?
1. O indígena Karipuna que mora com os Arara, povo também Tupi, fala a língua Arara, segundo os Karipuna Batiti e André.
4.4 Quantos também falam uma outra língua na comunidade linguística?
1
5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?
0
5.2 Quantos indivíduos na comunidade linguística que falam três ou mais línguas?
0
5.4 Observações
Informamos, acima, que há um indígena que mora numa aldeia Arara, povo Tupi que vive em Rondônia, e que também fala a língua dos Arara, além do Português e do Kawahiba dos Karipuna.
6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?
Língua 1: Português
6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique
Língua:
Português
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
Infância
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
Aldeia indígena
6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?
Há somente um lugar em que a língua de referência é falada por uma comunidade linguística. Os demais indígenas que falam a língua e não moram na aldeia não a utilizam no ambiente em que se encontram.
Número absoluto de falantes fluentes
2
Número percentual de falantes fluentes
6,89%
Número absoluto de falantes com proficiência parcial
0
Número percentual de falantes com proficiência parcial
0
Número absoluto de não falantes
0
Número percentual de não falantes
0
11.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
7
11.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)
24,13%
11.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
7
11.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)
24,13%
11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
3
11.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)
10,34%
11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
3
11.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)
10,34%
11.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
19
11.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)
65,51%
11.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
19
11.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)
65,51%
12.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
16
12.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)
55,17%
12.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
17
12.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)
58,62%
12.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
4
12.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)
13,79%
12.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
3
12.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)
10,34%
12.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
9
12.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)
31,03%
12.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
9
12.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)
31,03%

