Metadados
Projeto
Língua do Inventário
1 - Comunidade de Referência
1.1 Número de falantes
25
1.2 Número de falantes parciais
20
1.3 Números de não-falantes
19
7 - Taxa de Transmissão da língua de referência
7.1 Faixa Etária
Idoso +60
8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência
Grau de transmissão da língua
Observações
A língua está claramente em crise. A porcentagem de falantes completos está diminuindo com as faixas de idade decrescentes. Além disso, o número de falantes parciais está ficando maior do que o número de falantes completos. A retomada de crescimento de falantes completos na faixa de juventude parece incidental e não é consolidado na faixa de infância. Porém, a comunidade é muito espalhada e tão pequena que as porcentagens apresentam um quadro com distorções. O que realmente está acontecendo com a língua no momento atual não é mais tão capturável na estatística, mas é uma questão de histórias e escolhas pessoais de indivíduos.
9 - Escrita e Leitura
9.1 Identificar a existência de grafias
com uma grafia
9.2 Caracterizar as grafias existentes
9.3 Contrastar as grafias existentes
Existe uma grafia, cuja cartilha está anexado como “4.7.2 Kwaza ABC 2002”.
9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?
Não
9.5 Quais tipos de texto?
Material de ensino escolar.
9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?
Há menos de 25 anos
9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?
Não
9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?
Não
9.10 Quais tipos de textos?
Tarefas na escola da aldeia.
9.11 Comente sobre as principais diferenças entre a prática de escrita e leitura na língua portuguesa e na língua de referência da comunidade
Em geral, quando há necessidade de escrever, como em cartas ou recados, Português é usado. Na escola, a ênfase está no Português ou Aikanã, e a vasta maioria do material de ensino está em Português. Mesmo assim, não há grande habilidade em escrever nem em português. Vários jovens gostam de trocar mensagens no celular em Aikanã. Não há escrito espontâneo em Kwazá.
10 - Paisagem Linguística
10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:
Cartazes, faixas, banners e cartolinas
10.3 Documentos sobre a paisagem linguística
13 - Língua mais frequente
13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas
Língua 1 Aikanã | Língua 2 Português | Língua 3 Latundê, Kwazá
14 - Situação Comunicativa
14.1 Situações comunicativas
Dentro da comunidade de referência Kwazá é usado entre os falantes da língua, em princípio em qualquer lugar, tanto na aldeia quanto na cidade. Português ou Aikanã é usado com aqueles que não falam Kwazá.
No entanto, adolescentes, mesmo quando são falantes do Kwazá, Aikanã ou Latundê, também falam Português entre si. Por outro lado, em reuniões da comunidade, apesar de incluir também falantes monolíngues do Português, os falantes do Aikanã tendem a fazer discursos em Aikanã. Dentro da comunidade linguística, mas fora da comunidade de referência, somente Português é usado. O meio escrito no papel existe somente nas escolas.
14.2 Anexar/ Fazer upload de arquivos no acervo
14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência
[2] Uso em retração
14.4 Justificativa e detalhamentos sobre a dinâmica de usos
De certo modo, a língua Kwazá está em retração, devido ao crescimento de casamentos com pessoas não-falantes. Além disso, o uso do Português está tornando cada vez mais dominante.
15 - Usos linguísticos especiais da língua de referência
15.1 Uso linguístico especial
uñteta’anãi
15.2 Descrição das características formais e dos conteúdos
histórias tradicionais na língua Kwazá
15.3 Situações sociais de ocorrência
Alguns adultos sabem várias histórias. Contam a pedido do linguista e possivelmente para os filhos netos em casa.
16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais
16.1 Proporção de indivíduos que conhecem o uso linguístico especial
Poucas pessoas
16.2 Frequência atual do uso linguístico especial
Menos do que antigamente
16.3 Situação da transmissão do uso linguístico especial
Número decrescente de pessoas aprendendo
16.4 Observações sobre os usos linguísticos especiais
As histórias tradicionais são às vezes contadas por idosos para os netos e filhos interessados. As pessoas acham importante não perder esses usos especiais, mas têm dificuldade em evitar que isso aconteça.
17 - Atitudes linguísticas da comunidade
17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência
Observações
Em geral, a comunidade não quer perder a língua Kwazá e lamenta que a língua tem tão poucos falantes. Muitos lamentam também a perda de vários aspectos da cultura, como festas, xamanismo, costumes comunitários, pintura corporal, etc., e acham que a língua também
tem um valor cultural importante.
17.2 Atitude em relação às demais línguas
A comunidade aceita a presença das outras línguas, Aikanã e Latundê, sem problemas. Português é dominado por todos e é considerado como língua muito importante para o contato com os não indígenas e como instrumento para defender seus direitos.
Anexar / Fazer upload de entrevistas/reuniões com falantes de referência
18 - Síntese
18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?
Língua 1 Aikanã
Língua 2 Português
Língua 3 Kwazá, Latundê
18.2 Justifique
Com base no aspecto quantitativo da demografia, Português é dominante. Existem mais falantes do Português no território da língua de referência do que falantes da mesma. Porém, quando se fala do “território” do Kwazá, se deve levar em consideração o fato que tal
território não existe sem as línguas Kwazá. Com respeito à aquisição, uma pequena minoria da comunidade no território da língua de
referência adquire o Kwazá como língua primeira/materna/nativa, e Português como língua primeira fora da casa.
Com respeito ao valor cultural do Kwazá, isso concerne somente o povo que vive nesse território. Além disso, esse valor é maior para a comunidade de referência, porque identifica ela culturalmente.
Em termos de domínios sociais, o Kwazá é menos representado do que Português ou Aikanã, porque essas duas últimas línguas ambos são falados na maioria dos domínios. Somente no contexto de uso dentro de algumas famílias, o Kwazá não pode ser substituído pelo Português
ou pelo Aikanã sem constrangimento.
18.3 Panorama das línguas em contato
Considerando a comunidade linguística como “área de abrangência de pesquisa”, tem três lugares diferentes onde a língua de referência é falada: (1) T.I. São Pedro; (2) T.I. Tubarão-Latundê; (3) as cidades onde moram falantes do Kwazá. (1-2) Em princípio as línguas indígenas coexistem pacificamente, não são desrespeitadas, e há várias pessoas e famílias nucleares bilíngues e ainda algumas trilíngues. Português é a língua franca quando um dos interlocutores não entende a língua indígena do outro. As línguas inoritárias Kwazá e Latundê são faladas em determinadas localidades enquanto as línguas majoritárias são faladas na maioria das localidades. As línguas minoritárias, talvez especialmente
o Latundê, estão sofrendo pressão do Português. A língua Salamãi é uma língua adormecida, que está sendo parcialmente lembrado por uma senhora idosa bilíngue Aikanã-Português na T.I. Tubarão-Latundê. (3) As línguas indígenas são somente faladas no círculo familiar ou em encontros entre falantes. Os não-indígenas nas cidades não conseguem identificar quais línguas que são e, se foram informados, não sabem nada com respeito a elas. O Português funciona como língua franca
enquanto as línguas indígenas têm a capacidade de funcionar como línguas segredas. Em Porto Velho tem ainda uma idosa falante do Português que lembra um pouco do Salamãi.
Com respeito a interferência entre as línguas em contato envolvendo Kwazá foram publicados vários trabalhos, como essencialmente Crevels & van der Voort (2008) mencionado em 3.3.1. e van der Voort (2005). Traços individuais de contato envolvendo também Kwazá foram tratados
em outras publicações por van der Voort, como (2009a) sobre estruturas possessivas, (2009b, 2013, 2016b) sobre construções de citação, e (2015, 2018) sobre classificadores.
3.1 Na comunidade de referência
1
3.3 Em português na comunidade de referência
6
3.5 Nas demais línguas faladas no território na comunidade de referência
0
3.7 Observações
A pessoa monolíngue na língua Kwazá tem um ano de idade em 2015.
Obviamente não é falante completo. Em 2020 isso deve ter mudado, porque com 6 anos deve ter aprendido Português também.
4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?
58
4.3 Quantos também falam uma outra língua na comunidade de referência?
30
4.5 Observações
Os que falam língua de referência + português + outra língua, são incluídos também naqueles que falam língua de referência + português. Os ‘falantes’ são todos, i.e. que falam tudo, que falam razoavelmente, os que entendem.
5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?
30
5.3 Quais são as línguas mais comuns faladas por indivíduos que dominam mais de duas?
Kwazá e Aikanã
6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?
Língua 1 Kwazá, Português, Aikanã | Língua 2 Português, Aikanã | Língua 3 Aikanã
6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?
Língua 1 Português | Língua 2 Aikanã | Língua 3 Kwazá
6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique
-
Língua:
Português
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
durante ou depois da infância
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
Contextos multilíngues, como escola, igreja, casamentos, cidade, viagens, visitantes.
-
Língua:
Aikanã
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
durante a infância
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
contextos multilíngues, como escola e casamentos.
6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?
Na aldeia Barroso, T.I. Tubarão-Latundê, a aquisição da língua de referência como primeira língua ocorre em uma família só.
Na T.I. Kwazá do São Pedro, a aquisição da língua de referência como primeira língua ocorre em duas famílias.
Número absoluto de falantes fluentes
0
Número percentual de falantes fluentes
0
Número absoluto de falantes com proficiência parcial
4
Número percentual de falantes com proficiência parcial
6,15
Número absoluto de não falantes
0
Número percentual de não falantes
0
11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
12
11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
12
Observações
Estes números são o resultado de estimativas baseadas no meu conhecimento pessoal. Além disso, perguntei a uma professores indígenas quais alunos sabem ler e escrever bem na língua. Na T.I. São Pedro há talvez 10 pessoas com domínio parcial de leituras e escrita. Na T.I. Tubarão-Latundê, há talvez dois. Alunos na escola indígenas na T.I. São Pedro têm que copiar palavras Kwazá no seu caderno, mesmo se não falam a língua. Ninguém sabe escrever um pequeno texto na língua.
Fora da na T.I. São Pedro não há ensino da língua Aikanã.Estes números são o resultado de estimativas baseadas no meu conhecimento pessoal. Além disso, perguntei a uma professores indígenas quais alunos sabem ler e escrever bem na língua. Na T.I. São Pedro há talvez 10 pessoas com domínio parcial de leituras e escrita. Na T.I. Tubarão-Latundê há talvez dois. Alunos na escola indígenas na T.I. São Pedro têm que copiar palavras Kwazá no seu caderno, mesmo se não falam a língua. Ninguém sabe escrever um pequeno texto na língua. Fora da na T.I. São Pedro não há ensino da língua Aikanã.

