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Ninam

Início Módulo 5 - Diagnostico Sociolinguístico Ninam

Metadados

Projeto

Língua Ninam

Língua do Inventário

Ninam

7 - Taxa de Transmissão da língua de referência

7.1 Faixa Etária

Juventude 13-25

9 - Escrita e Leitura

9.1 Identificar a existência de grafias

com múltiplos modelos de grafias.

9.2 Caracterizar as grafias existentes

MEVA

9.3 Contrastar as grafias existentes

A escola e a escrita estão presentes na vida dos Ninam do Sul e do Norte. Embora sejam dialetos de uma mesma língua, a história do desenvolvimento da ortografia em cada um dos dialetos apresenta significativas diferenças.

A ortografia adotada pelos Ninam do Sul, bastante difundida nas regiões do Mucajaí, foi desenvolvida pela equipe de missionários da MEVA a partir da década de 1960, e ensinada através das cartilhas de alfabetização produzidas pelos missionários (Leite, 2016).

Já a ortografia adotada pelos Ninam do Norte foi desenvolvida pela própria comunidade a partir das diversas relações com agentes do contato, incluindo os missionários da Missão Boas Novas, como o linguista Ernesto Migliazza, e a linguista Gale Goodwin Gomez, que na década de 1980 realizou sua pesquisa de doutorado na região.

A principal diferença da ortografia do Ninam do Norte em relação ao Ninam do Sul e também às outras ortografias Yanomami é a adoção do grafema tx, que representa foneticamente o valor de /ʤ/ ou /ʧ/. O Ninam do Sul representa o mesmo fonema com o grafema y, seguindo a convenção adotada pelas línguas Yanomam e Yanoamamɨ.

Além de outras peculiaridades, uma segunda grande diferença entre as ortografias Ninam é que na variação do Norte adotou-se o /ë/ e o /ɨ/ para a representação dos fonemas /ə/ e /ɨ/, enquanto na ortografia desenvolvida pela MEVA esses valores eram representados pelos grafemas è e ỳ, respectivamente.

Um ponto importante também a ser destacado é a adoção do grafema /l/, entre os Ninam do Sul, para a representação dos fonemas /ɾ/ e /ɭ/, que ocorrem em variação livre, o que faz, inclusive, com que muitos Ninam do Mucajaí grafem Xilixana em seus registros civis.

9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?

Sim

9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?

Há mais de 25 anos e menos de 75 anos

10 - Paisagem Linguística

10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:

Nenhum (não há textos escritos na língua de referência expostos publicamente)

10.3 Documentos sobre a paisagem linguística

Mapa da Diversidade das Línguas Yanomami no Brasil – 2018

13 - Língua mais frequente

13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas

Língua Ninam

14 - Situação Comunicativa

14.1 Situações comunicativas

A língua Ninam é usada cotidianamente entre todas as pessoas da aldeia. Durante reuniões onde bebem caxiri (cerveja de mandioca), os Ninam costumam conversar entre si em português. O português é usado também com os funcionários do posto de saúde e com os brancos durante viagens às cidades.

14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência

[3] Uso estável

14.4 Justificativa e detalhamentos sobre a dinâmica de usos

Comparando com o índice geral de vitalidade das demais línguas Yanomami, o índice do Ninam está em um patamar intermediário (3,4), com alguma variação entre as regiões, sendo Baixo Mucajaí e Uraricoera as com índices mais baixos (3 e 2,7, respectivamente). A grande vulnerabilidade da língua na região do Uraricoera é particularmente preocupante do ponto de vista da diversidade linguística, visto que apenas ali é falado um dos três dialetos do Ninam, o Ninam Central. O Uraricoera, assim como toda a região de fala Ninam, há pelo menos três décadas tem sido alvo contínuo de invasões garimpeiras, o que certamente teve influência nos índices de vitalidade obtidos nessas regiões, principalmente no índice de perda de domínio de uso, em que o Ninam obteve um dos menores índices entre as línguas Yanomami em pesquisa acerca da vitalidade das línguas Yanomami.

15 - Usos linguísticos especiais da língua de referência

15.1 Uso linguístico especial

Diálogo cerimonial

15.2 Descrição das características formais e dos conteúdos

O diálogo cerimonial é uma sofisticada arte verbal que envolve um complexo jogo de metáforas e é comumente empregado em situações de rituais funerários (reahu) ou visitas. Esta modalidade discursiva pode ser dividida em quatro categorias — wayamu, hiimuwei, ithowei e yaɨmuwei (Perri, 2009) — sendo realizada sempre entre homens que se alternam em pares sucessivos. Os diálogos cerimoniais têm como principais funções políticas o estabelecimento e manutenção da paz, transmissão de notícias, negociações de trocas, convites e contenção de tensões.

15.3 Situações sociais de ocorrência

Durante rituais funerários ou visitas.

16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais

16.1 Proporção de indivíduos que conhecem o uso linguístico especial

Poucas pessoas

16.2 Frequência atual do uso linguístico especial

Menos do que antigamente

16.3 Situação da transmissão do uso linguístico especial

Número decrescente de pessoas aprendendo

6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?

Ninam

6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?

Português

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