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Wariʼ

Início Módulo 5 - Diagnostico Sociolinguístico Wariʼ

Metadados

Projeto

Língua Wari’

Língua do Inventário

Wari’

1 - Comunidade de Referência

1.1 Número de falantes

1096 dos 1231 residentes das comunidades levantadas acima de dois anos (89%).

1.2 Número de falantes parciais

109 dos 1231 residentes das comunidades levantadas acima de dois anos, incluindo pessoas que entendem a língua, 8,9%.
19 dos 1231 residentes das comunidades levantadas acima de dois anos, contando somente pessoas com competência produtiva, 1,5%.

1.3 Números de não-falantes

26 pessoas dos 1231 residentes das comunidades levantadas acima de dois anos (2,1%).

7 - Taxa de Transmissão da língua de referência

7.1 Faixa Etária

Idoso +60

8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência

Grau de transmissão da língua

Estável

Observações

Entre as comunidades levantadas, a transmissão de Wari’ está estável em Rio Negro e Lage Novo. Em Sagarana e Graças a Deus, a transmissão está estável em famílias formadas por casais Wari’, mas em crise, ou seja, com taxa de transmissão reduzida, em famílias multiétnicas (tanto casais Wari’ com brasileiros quanto casais Wari’ com outras etnias indígenas).

9 - Escrita e Leitura

9.1 Identificar a existência de grafias

com múltiplos modelos de grafias.

9.2 Caracterizar as grafias existentes

MNTB | CIMI fluvial | CIMI terrestre

9.3 Contrastar as grafias existentes

A grafia MNTB é a única que usa / e onde as demais usam e , respectivamente. As grafias do CIMI diferem entre si somente na escrita de vogais entre uma consoante e : na grafia CIMI fluvial somente a vogal entre e não é escrita; na grafia CIMI terrestre a vogal não é escrita entre

e .

9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?

Sim

9.5 Quais tipos de texto?

Geralmente só se usa a forma escrita da língua nas escolas.

9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?

Há mais de 25 anos e menos de 75 anos

9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?

Não

9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?

Sim

9.10 Quais tipos de textos?

Todos necessários.

9.11 Comente sobre as principais diferenças entre a prática de escrita e leitura na língua portuguesa e na língua de referência da comunidade

A língua indígena escrita é utilizada somente na sala de aula. Nunca observei seu uso fora desse contexto. Embora não têm costume de escrever muito no cotidiano, os Wari’ frequentemente usam português para escrever cartas e outros tipos de documentos.

10 - Paisagem Linguística

10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:

Cartazes, faixas, banners e cartolinas

13 - Língua mais frequente

13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas

Língua 1: Wari’ | Língua 2: Português

14 - Situação Comunicativa

14.1 Situações comunicativas

A língua Wari’ é usada como língua de comunicação cotidiana na maioria das situações comunicativas na maioria das aldeias.
A língua portuguesa é usada como língua de comunicação cotidiana na maioria dos domicílios de famílias interétnicas. Português é usado também em todas as aldeias quando alguém recebe visitas de pessoas que não falam Wari’, como agentes do estado ou pesquisadores. Em algumas aldeias há pessoas não-indígenas que residem na aldeia de forma semipermanente, como professores da escola e enfermeiros, que quase nunca aprendem a falar Wari’.

14.2 Anexar/ Fazer upload de arquivos no acervo

Amostra de fala fluvial com Xijan Oro Nao’

|

Amostra de fala terrestre com Harein Piram Oro Waram Xijein

14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência

[3] Uso estável

14.4 Justificativa e detalhamentos sobre a dinâmica de usos

Na maioria das aldeias o uso de Wari’ está estável, especialmente no âmbito doméstico. Somente nos contextos que envolvem pessoas de fora da aldeia, como educação, saúde e os demais serviços governamentais, ou em casos de casamentos interétnicos, o uso da língua está em retração.

16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais

16.1 Proporção de indivíduos que conhecem o uso linguístico especial

Ninguém

16.3 Situação da transmissão do uso linguístico especial

Não há pessoas aprendendo

17 - Atitudes linguísticas da comunidade

17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência

Positiva

17.2 Atitude em relação às demais línguas

Embora a atitude em relação a língua indígena é positiva, valorizam-se também a habilidade de falar português com bastante fluência. Em alguns contextos específicos, como reuniões de assuntos técnicos do mundo do não-indígena, é comum os interlocutores alternarem frequentemente entre Wari’ e português. A situação de diglossia mais notável é quando os Wari’ vão à cidade para fazer comprar e resolver assuntos burocráticos. Assim, eles tendem a ficar no porto da FUNAI com indígenas de várias etnias da região, e usam a língua indígena com seus parentes Wari’ e usam português com os indígenas das demais etnias e com os não-indígenas.

18 - Síntese

18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?

Língua 1: Wari’
Língua 2: Português

18.2 Justifique

A língua Wari’ continua dominante no território Wari’ devido a atitudes positivas sobre a língua, uma taxa alta de transmissão na maioria das comunidades, seu uso em vários contextos sociais, e o número alto de falantes de Wari’. A expansão da língua portuguesa está ocorrendo mais em contextos especializados, como na interação com agentes do governo, ou em alguns contextos específicos (embora em expansão) como casamentos interétnicos. Nota-se que a tendência de adotar o português como língua cotidiana em casamentos interétnicos é algo relativamente recente pois foram observados vários casos de casamentos interétnicos onde o casal é de idosos que mantêm o uso de Wari’ dentro de casa.

18.3 Panorama das línguas em contato

A maioria da comunidade Wari’ é bilíngue na língua indígena e em português. Os contextos onde se usam as diferentes línguas já foi descrita nesse relatório.

2 - Comunidade Linguística

2.1 Número de falantes

3.923 pessoas (89% dos 4.408 Wari’ nos dados SIASI/SESAI 2018).

2.2 Número de falantes parciais

392 pessoas, incluindo pessoas que entendem a língua, 8,9% dos 4.408 Wari’ nos dados SIASI/SESAI 2018.
66 pessoas, contando somente pessoas com competência produtiva, 1,4% dos 4.408 Wari’ nos dados SIASI/SESAI 2018.

2.3 Números de não-falantes

93 pessoas (2,1% dos 4.408 Wari’ nos dados SIASI/SESAI 2018).

3.1 Na comunidade de referência

93 acima de dois anos (7,6%)

3.2 Na comunidade linguística

333

3.3 Em português na comunidade de referência

25 acima de dois anos (2%)

3.4 Em português na comunidade linguística

88

3.5 Nas demais línguas faladas no território na comunidade de referência

0

3.6 Nas demais línguas faladas no território na comunidade linguística

0

3.7 Observações

A maioria dos monolíngues em Wari’ são crianças entre 3 e 8 anos de idade (85 dos 93 indivíduos levantados).

4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?

1113 acima de dois anos (90%)

4.2 Quantos também falam português na comunidade linguística?

3967

4.3 Quantos também falam uma outra língua na comunidade de referência?

7 indivíduos acima de dois anos de idade (3 Kanoê, 3 Oro Win e 1 Djeoromitxi; 0,6% do total acima de dois anos de idade).

4.4 Quantos também falam uma outra língua na comunidade linguística?

25

5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?

7 pessoas acima de dois anos de idade.

5.2 Quantos indivíduos na comunidade linguística que falam três ou mais línguas?

25 pessoas.

5.3 Quais são as línguas mais comuns faladas por indivíduos que dominam mais de duas?

As combinações são: Wari’+Português+Oro Win (3); Wari’+Português+Kanoê (3); Wari’+Português+Djeoromitxi (1).

6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?

Língua 1 Wari’ | Língua 2 Português

6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?

Língua 1 Português | Língua 1 Wari’

6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique

  • Língua:

    Português

    Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?

    Idade escolar

    Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?

    Escola indígena, e, em alguns casos, em casa.

  • Língua:

    Wari’

    Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?

    Idade escolar

    Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?

    Para pessoas que aprendem o português em casa como primeira língua, geralmente aprendem a falar Wari’ com seus colegas escolares.

6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?

A aquisição de Wari’ em Rio Negro e Lage Novo quase sempre é como a primeira língua, embora em Sagarana e Graças a Deus havia muito mais casos de aquisição como segundo língua, dependendo da casa.

Número absoluto de falantes fluentes

74 de 76

Número percentual de falantes fluentes

97%

Número absoluto de falantes com proficiência parcial

2 de 76

Número percentual de falantes com proficiência parcial

3%

Número absoluto de não falantes

0 de 76

Número percentual de não falantes

0%

11.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura

?

11.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)

?

11.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita

47 de 58

11.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)

81%

11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura

?

11.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)

?

11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita

11 de 58

11.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)

19%

11.9 Número de falantes sem proficiência em leitura

?

11.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)

?

11.11 Número de falantes sem proficiência em escrita

0 de 58

11.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)

0

Observações

Cinco escolas indígenas foram visitadas durante o levantamento para a realização do diagnóstico ortográfico, com total de 58 participantes, todos entre 8 e 20 anos de idade. Cada participante foi apresentado a 20 palavras que foram escritas em português e produzidas oralmente pelos professores indígenas. Depois, o participante teve que escrever a palavra em Wari’ da forma que pudesse. Participantes que conseguiram escrever 15 ou mais palavras de uma forma inteligível são considerados escritores plenos. Entre 5 e 14 palavras são considerados escritores parciais. Nota-se que o diagnóstico não foi realizado na aldeia Graças a Deus, aquela com o nível mais baixo de transmissão da língua, dada a falta de professor quando a aldeia foi visitada em 2016 e 2017. A análise dos resultados identificou as seguintes dificuldades principais no uso da ortografia: distinção de segmentos nasais no final da palavra, identificação da oclusiva glotal e das ressonantes glotalizadas, e segmentação de verbos e sua flexão. Não foi testada a proficiência de leitura na língua indígena, mas geralmente as pessoas conseguem ler com mais proficiência do que escrevem.

12.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura

?

12.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)

?

12.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita

?

12.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)

?

12.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura

?

12.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)

?

12.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita

?

12.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)

?

12.9 Número de falantes sem proficiência em leitura

?

12.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)

?

12.11 Número de falantes sem proficiência em escrita

?

12.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)

?

Observações

A proficiência de leitura e escrita em português não foi testada no levantamento. Foi observado que as pessoas tendem a ter uma proficiência mais alta na escritura e leitura em português que na língua indígena.

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