2 - Identificação da pesquisa
2.1 Nome de identificação da pesquisa
Inventário da língua Sakurabiat
2.2 Objetivo da Pesquisa
Produção de conhecimento para inclusão no INDL
2.3 Qual/Quais Línguas?
Sakurabiat
4 - Escopo do inventário
4.1 Qual o escopo do Inventário
Amplo
5 - Documentação da anuência
5.1 Documento de Anuência
Anuência Sakurabiat | Autorização de uso da imagem e som - Geraldinho | Autorização de uso da imagem e som - Olimpio | Autorização de uso da imagem e som - Rosalina | Autorização de uso da imagem e som - Termo de compromisso | Assembleia Anuência
5.2 Pedido de Reconhecimento da Língua
Pedido de reconhecomento - T.I. Rio Branco | Pedido de reconhecomento - T.I. Rio Mequens
7 - Fonte das informações do formulário
7.1 Como a população da comunidade foi aferida?
Levantamento populacional total
Observações
Os Sakurabiat foram consultados sobre sua própria proficiência na língua. Houve consulta com pessoas-chave sobre a proficiência de membros de determinada família, de acordo com a proximidade e o conhecimento dos falantes. Todos os casos foram também aferidos e comparados com as observações da própria pesquisadora, que possui bom conhecimento sobre os falantes da língua Sakurabiat.
7.2 Como o número de falantes foi obtido?
Levantamento populacional total
7.3 Como foram aferidos os tipos de falantes?
Autodeclaração | Conhecimento geral de pessoa chave
Observações
Os Sakurabiat foram consultados sobre sua própria proficiência na língua. Houve consulta com pessoas-chave sobre a proficiência de membros de determinada família, de acordo com a proximidade e o conhecimento dos falantes. Todos os casos foram também aferidos e comparados com as observações da própria pesquisadora, que possui bom conhecimento sobre os falantes da língua Sakurabiat.
8 - Identificação da área de abrangência da pesquisa
8.1 Nome para identificação da área de abrangência da pesquisa
Comunidade Linguística Sakurabiat
8.2 A área de abrangência da pesquisa foi escolhida com base:
na totalidade das localidades de ocorrência de uma única língua (inventário por língua)
8.3 País
8.4 Região
8.5 Estado e Município brasileiro
8.6 Terras Indígenas
Metadados de destaque
Projeto
Língua do Inventário
3. Identificação e Síntese da Língua
3.1 Nome da Língua
Sakurabiat
3.2 Família Linguística
3.3 Síntese
A língua Sakurabiat é uma das cinco línguas indígenas que compõem a família linguística Tupari, a segunda maior família do tronco Tupi. A palavra sakurabiat significa literalmente “o grupo dos macacos-prego”, composta morfologicamente por sakurap ‘macaco-prego’ + iat ‘coletivo; plural’. Sakurabiat é um dos vários subgrupos ou clãs que constituem a etnia Sakurabiat. A grafia do nome SAKURABIAT segue o alfabeto da língua (Galucio, 2006), no qual o grafema representa a vogal central alta não arredondada [ɨ]. Na literatura acadêmica também podemos encontrar o nome Mekens fazendo referência à língua e ao grupo Sakurabiat (GALÚCIO, 1994). O termo Mekens foi uma denominação geral atribuída a grupos indígenas diferentes que viviam na região do rio Mequéns.
Atualmente, o termo Sakurabiat é usado como autodenominação da etnia e da língua tradicional do povo. Esse povo sofreu drástica redução populacional desde os primeiros contatos com não indígenas. Atualmente, os subgrupos reconhecidos politicamente entre os Sakurabiat são os Guatatira, os Korategayat e os Sakurabiat. Porém, há ainda pessoas representantes de outros grupos antigos, como Taapioriat e Mapi-apeyat. Havia um último representante do grupo Siokweriat, que morava já há alguns anos na TI Rio Branco e, nos últimos anos, se autoidentificava como membro da etnia Kampé. Infelizmente, enquanto redigíamos a versão deste relatório, fomos informados do seu falecimento, no mês de janeiro de 2021, devido a complicações e sequelas da covid-19.
As outras línguas da família Tupari geneticamente relacionadas à língua Sakurabiat são: Akuntsu, Wayoro, Makurap e Tupari. Todas essas línguas são faladas no estado de Rondônia por grupos relativamente pequenos.
A comunidade de referência e a comunidade linguística são equivalentes. À época do levantamento, com exceção de duas pessoas, todos os falantes de Sakurabiat residiam na TI Rio Mequéns. A maioria dos Sakurabiat vive na Terra Indígena (TI) Rio Mequéns, localizada no município de Alto Alegre dos Parecis, estado de Rondônia (Brasil). A população total na TI Rio Mequéns era de 86 pessoas, distribuídas da seguinte forma: 80 indígenas Sakurabiat e 06 não indígenas (05 homens e 01 mulher) casados com indígenas Sakurabiat (dados de 2016 e 2017, atualizados em 2019).
Essa população está distribuída em cinco aldeias: aldeia 90, atualmente sendo renomeada para Aipere Koopi; aldeia Mariano (também conhecida como aldeia do Joãozinho); aldeia Baixa Verde; aldeia Soopipari; e aldeia Kwai. Foram computadas também nesse total duas famílias que moram nas proximidades da Terra Indígena, mas não propriamente dentro da TI: são mulheres indígenas da etnia Sakurabiat, casadas com não indígenas, e seus filhos.
Temos ainda informações de que algumas famílias Sakurabiat residem fora da TI Rio Mequéns, nos seguintes locais: TI Rio Branco e áreas urbanas nos municípios de Pimenta Bueno, Cacoal, Vilhena e São Felipe, na localidade de Porto Rolim de Moura do Guaporé, povoado às margens do rio Mequéns, onde vive parte do povo Wajuru.
O número de falantes da língua Sakurabiat é ainda menor. Em 2017, foram computados 15 falantes plenos da língua e 09 falantes parciais. Desse total, apenas 02 falantes plenos não residiam à época na TI Rio Mequéns: um senhor havia mudado há pouco tempo para a cidade e outro havia mudado para a TI Rio Branco, também em Rondônia. De julho de 2017 a janeiro de 2021, o número de falantes foi ainda mais reduzido devido ao falecimento de quatro pessoas. Três falantes plenos faleceram entre 2018 e 2021, e uma senhora, falante parcial da língua, também faleceu em 2019. Portanto, em janeiro de 2021, o número de falantes da língua computado era de 12 falantes plenos e 08 falantes parciais.
Considerando-se esse cenário, a língua dos Sakurabiat encontra-se criticamente ameaçada de desaparecimento. Um dos fatores decisivos para o desenvolvimento do cenário atual foi a interrupção na transmissão da língua para as gerações mais novas. Essa situação não é recente, uma vez que já foi documentada pela coordenadora da pesquisa desde suas primeiras inserções na TI, em 1994. Todos os Sakurabiat são falantes fluentes de português.
Dado que se trata de um inventário amplo, inclui todos os residentes nas aldeias Sakurabiat, na TI Rio Mequéns, e também a família de indígenas Sakurabiat que reside na TI Rio Branco. O levantamento foi realizado inicialmente em duas viagens à TI Rio Mequéns, em 2016 e 2017, sendo que os dados foram confirmados e atualizados em uma terceira viagem em 2019. Esta última viagem não foi custeada com recursos do projeto INDL. As últimas informações sobre falecimento de pessoas foram atualizadas em janeiro de 2021.
1.1 Nome da Instituição
1.2 Endereço da Instituição
Av. Magalhães Barata, 376
CEP 66040-170, Belém, PA
1.3 Nome do responsável pela instituição
Ana Luisa Kerti Mangabeira Albernaz
1.4 Contatos (e-mail e telefone) do responsável pela instituição
(91) 3211-1706
1.5 Nome do responsável pela pesquisa
Ana Vilacy Galucio
1.6 Contatos (e-mail e telefone) do responsável pela pesquisa
avilacy@museu-goeldi.br
(91)988483114
1.7 Tipo de Instituição
Instituição Pública Federal
1.8 Credenciais da equipe
Ana Vilacy Galucio – Pesquisadora Titular no Museu Paraense Emílio Goeldi. Doutora em Linguística pela Universidade de Chicago (EUA). Desde 1994 realiza pesquisa junto ao povo Sakurabiat, da Terra Indígena Rio Mequéns, tendo feito várias etapas de pesquisa de campo desde então. Concluiu seu mestrado e doutorado na Universidade de Chicago, apresentando estudos sobre a língua Sakurabiat (Galucio, 1996, 2001). Publicou também diversos artigos científicos e tem orientado alunos de graduação e pós-graduação com trabalhos desenvolvidos sobre a língua. No período de 1996 a 1998, coordenou o projeto de alfabetização na língua Sakurabiat, desenvolvido pela Área de Linguística do Museu Paraense Emílio Goeldi, o qual envolveu elaboração de ortografia, aulas ministradas nas aldeias e produção de material didático e de apoio à leitura, em colaboração com os alunos.
Carla Daniele da Costa – Mestre em Letras (Linguística) pela Universidade Federal do Pará, trabalhou como assistente de pesquisa. Carla Costa estudou a língua Sakurabiat durante a graduação e também no curso de Mestrado. Sua dissertação de mestrado versou sobre o desenvolvimento de material didático para ensino da língua Sakurabiat na escola indígena.
Assistentes Indígenas – A pesquisa contou também com assistentes de pesquisa indígenas em todas as aldeias, que colaboraram com a coleta de informações, especialmente para o diagnóstico sociolinguístico e o registro fotográfico.
6.1 Houve pesquisa de campo para a produção de dados originais?
Sim
6.2 Quais dados do formulário foram produzidos e/ou atualizados em campo?
Módulo 4. Identificação e caracterização da língua de referência
Módulo 5. Diagnóstico sociolinguístico (completo)
Módulo 6. Avaliação e vitalidade linguística, revitalização e promoção
6.3 Com relação aos dados secundários, explique sumariamente: Quais tipos de dados foram atualizados em campo?
Dados sobre os falantes e a situação da língua na comunidade
6.4 Com relação aos dados secundários, explique sumariamente: Para quais tipos de dados houve pouca ou nenhuma atualização?
Caracterização da língua e aspectos sociais e ecológicos da comunidade de referência.

