1 - Identificação da Comunidade Linguística
1.2 Projeto
1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:
1.4 Língua do Inventário
3 - Caracterização da comunidade linguística
3.1 Histórico
Desde a época do contato, na década de 50, os Asuriní vêm sofrendo muitas perdas, tanto materiais quanto culturais. Primeiramente por terem sido colocados em uma terra muito pequena, o que os impediu de crescerem como grupo mantendo suas atividades de subsistência como antigamente, como a atividade da caça, sendo a Terra Indígena atualmente uma ilha de floresta envolvida por áreas de pastagens. Logo em seguida ao contato, viveram sob a interferência de missionários que pretendiam alcançarem-lhe as almas. Foram quase 10 anos de interferência proselitista com repressões aos rituais culturais Asuriní e o início da drástica mudança de língua. Com a implantação da hidrelétrica de Tucuruí e a formação do lago em 1984, grandes impactos ocorreram em toda a região. Alguns estão relacionados à implantação física do empreendimento e outros induzidos pela sua presença cada vez mais intensa do branco na cidade de Tucuruí e na área do entorno. O contato com a sociedade envolvente levou os Asuriní a terem acesso a espingardas, lanternas, veículos, além de técnicas diferentes. A mata do entorno da aldeia Trocará vem se transformando com impacto direto na paisagem que tem afetado também a fauna, mudando a sua composição local e diminuindo suas densidades naturais.
Os Asuriní foram obrigados, desde o contato, a aprenderem o português para interagirem com os brancos, já que estes, salvo alguns casos particulares, não aprenderam a língua indígena e, pelo que é relatado pelos índios, dos antigos agentes do SPI e dos agentes da FUNAI, com exceção de Sotero, chefe de posto na década de 70, nenhum falou a língua dos Asuriní. Com a fixação de parte dos índios em torno de um posto, aumenta a exposição destes ao português e diminuem as possibilidades e situações de praticarem a língua nativa e o modo de vida tradicional. Nos anos 60, com a chegada de vários missionários do SIL no posto indígena do Trocará, aumenta a exposição dos Asuriní ao português e a uma outra língua, o inglês, falado entre os missionários. Esses missionários, até aprenderem a língua nativa, devem ter realizado sessões de coleta de dados linguísticos por meio do português e devem ter contribuído para a frequência e intensidade do uso dessa língua na aldeia.
Na década de setenta aumenta a exposição dos Asuriní ao português, quando o contato destes com não-índios recém-chegados à região, em decorrência da construção da Hidrelétrica de Tucuruí, se intensifica. Em seguida, com a construção da Trans-Cametá e o ramal ligando esta estrada ao posto indígena do Trocará, desenvolve-se contato intenso entre os Asuriní e não-índios, não só pelo novo acesso à cidade de Tucuruí, viabilizado pela estrada, mas também pela presença constante de não-índios na terra indígena e nas cercanias desta, entre estes vários invasores. As transformações ocorridas na região em decorrência da construção da Hidrelétrica trouxeram direta e indiretamente vários prejuízos aos Asuriní, sobretudo no que diz respeito à intensificação agressiva do contato dos não-índios com eles.
No final da década de 90, a vitalidade da língua Asuriní já se encontrava seriamente abalada, o que podia ser comprovado pelo fato de os nascidos entre o final da década de 70 e o início da década seguinte não falarem a língua nativa como primeira língua, interrompendo, dessa forma, a transmissão da língua Asuriní para as gerações seguintes. Agregue-se a todos esses fatores que contribuíram para o enfraquecimento do uso da língua e de várias práticas culturais tradicionais Asuriní a chegada de energia elétrica à aldeia, que acarretou a aquisição por parte dos Asuriní de televisores, sistemas de som e de DVDs, aumentando ainda mais a exposição da comunidade como um todo à língua portuguesa e à cultura dos brancos.
3.2 Presente
Um balanço da situação atual da língua Asuriní, fundamentado em uma pesquisa sociolingüística que procurou identificar o grau de proficiência da língua nativa de cada membro da comunidade Asuriní, revela que, de uma população de 500 pessoas, apenas 15% falam a língua nativa com proficiência, sendo que destes apenas 11% a falam como primeira língua e apenas 5 crianças com menos de sete anos têm proficiência plena na língua nativa. No quadro seguinte, em que é quantificada parte dos resultados da pesquisa, cada cor corresponde a um grau de proficiência na língua nativa, codificados por meio de algarismos romanos de I a VII. A correspondência desses numerais com o grau de proficiência e o significado deste é a seguinte:
I – Falante pleno – (comunicação principalmente na língua nativa, com conhecimento e uso pleno da gramática Asuriní, na sua variante mais conservadora, com conhecimento lexical nos vários campos semânticos);
II – Falante pleno – (uso restrito da língua nativa a situações que envolvem a participação de falantes plenos, mas alterna padrões gramaticais conservadores com padrões não conservadores, e possui conhecimento lexical razoável em vários campos semânticos);
III – Semi-falantes (uso esporádico de variedade menos conservadora, com conhecimento lexical restrito);
IV – Semi-falantes fracos (uso esporádico de variedade menos conservadora, caracterizado pela presença intensa de calques do português e de empréstimos deste, com conhecimento lexical deficiente);
V – Conhecedores passivos (só entendem a língua nativa, mas nunca a falam);
VI – Pessoas sem conhecimento da língua nativa;
VII – Bebês.
2 - População da comunidade linguística
2.1 População identificada na pesquisa
500
2.2 Estimativa da população total
530

