4 - Síntese das características da área da comunidade de referência da língua
4.1 Características sociais
Felipe Vander Velder (em um verbete do ISA) menciona que é impossível abordar a organização social dos Karitianas sem antes caracterizar a cisão religiosa do grupo. O autor relata que o trabalho de conversão religiosa (evangélica) teve resultados apenas parciais: a comunidade é dividida em dois grupos distintos, um identificado como "povo do pajé (xamã)" e o outro "povo do pastor" ou "crentes". "Os Karitiana enfatizam o pouco rendimento sociológico desta oposição, dizendo que “são os ‘espíritos’ – Jesus, entre os “crentes” e Itamama, para os “do pajé” – que não se gostam”, e que na vida cotidiana as pessoas relacionam-se normalmente: casam-se, trabalham, divertem-se. Entretanto, esta oposição, expressa no nível do sobrenatural, se indica uma diferenciação notável no universo simbólico, também não deixa de apontar implicações sociológicas e políticas importantes." (Vander Velden) "Assim sendo, é forçoso constatar que a cisão religiosa recobre um conflito político significativo, que opõe as principais lideranças Karitiana; ou, em outras palavras, o conflito é expresso na linguagem da religião. Os desdobramentos mais recentes deste confronto podem ser rastreados na tentativa, por parte do xamã, de construir uma nova aldeia (tentativa frustrada, como vimos no item A Terra Indígena e a aldeia). Ainda que muitas famílias manifestassem desejo de visitar ou passar algum tempo neste novo local, apenas aquelas ligadas ao xamã – ou seja, o “povo do pajé” – falava, abertamente, em deixar, permanentemente, a aldeia atual." (Vander Velden) “Lados”, porque a cisão também toma forma, nas referências dos próprios índios, de uma oposição geográfica: os “de cá” contra os “do lado de lá”. As famílias “do pajé” residem, sobretudo, na porção mais central da margem direita do igarapé: as casas formam um núcleo integrado em torno da moradia do xamã. As famílias do “pastor” distribuem-se, em sua maioria, na margem esquerda e nas extremidades da direita. Digno de nota é o fato de que, na margem esquerda, avizinham-se das estruturas instaladas pelos brancos; ali, também, está o pátio das reuniões comunitárias. As três “igrejas” – “casas de Deus” –, do mesmo modo, situam-se nas extremidades da aldeia: duas na margem direita e uma na esquerda. Tem-se, portanto, um núcleo “central”, ocupado pelo xamã, circundado pelas áreas periféricas onde estão os pastores." (Vander Velden)
4.2 Características geográficas
Atualmente, existe apenas uma Terra Indígena Karitiana, mas o grupo se subdividiu em 5 grupos menores e vivem em 5 diferentes aldeias. Três dessas aldeias estão localizadas dentro da TI e as outras 2 fora dela. Uma delas é a aldeia Rio Candeias, onde vive a família do pajé. Duas foram as razões para a família do pajé se mudar para a área do baixo Candeias: (1) retomada do território ancestral que ficou de fora da demarcação da TI e (2) devido aos conflitos político-religioso enfrentados pela família do pajé, conforme relato de Vander Velden.
4.3 Características ecológicas
A Terra Indígena Karitiana está localizada numa área de floresta bastante preservada, Floresta Nacional (FLONA) do Bom Futuro.
4.4 Características econômicas
Os Karitiana são agricultores, caçadores e pescadores. Utilizam-se da técnica de agricultura de coivara; plantam macaxeira, milho, arroz, feijão e café. Atualmente parte dos recursos são provindos de aposentadorias de idosos e de crianças e adultos com necessidades especiais, dos funcionários públicos como professores, motoristas, enfermeiros, agentes de saúde, técnicos, etc.. Nota-se também pequenos comércios na aldeia central, onde algumas famílias compram mantimentos e combustíveis na cidade para revender na aldeia. "É preciso destacar que a intenção dos Karitiana de recuperar ao menos parte de seu território tradicional, com a ampliação da Terra Indígena, além da importância histórica e simbólica, remete também a uma preocupação de ordem prática. Todos na aldeia são unânimes em destacar o esgotamento das reservas de caça e pesca no interior da área: as expedições têm chegado cada vez mais longe, muitas vezes extrapolando os limites demarcados; e os resultados têm sido mais e mais desapontadores. De todo modo, a ampliação do território garantiria aos Karitiana uma reserva inestimável de recursos, necessária ao bem-estar do grupo." (Vander Velden) "A dependência de gêneros alimentícios e bens industrializados leva os Karitiana a comercializarem parte dos produtos de suas atividades na cidade. Milho, café e feijão – além de algumas frutas como a laranja e o açaí – são os principais gêneros que, em Porto Velho, encontram fácil comprador. O artesanato – bastante diversificado e produzido por todas as famílias da aldeia – é comercializado nas dependências da Associação do Povo Karitiana (Akot Pytim’adnipa), com sede própria, ou em feiras permanentes e esporádicas de artesanato na capital de Rondônia e outras cidades da região. O volume de vendas, contudo, é pequeno, em função, principalmente, do reduzido fluxo de turistas que visitam Porto Velho. Por esta razão, os Karitiana vêm buscando alternativas para expandir as praças de comercialização de sua cultura material." (Vander Velden)
4.5 Semelhanças e diferenças sociolinguísticas marcantes entre as localidades de ocorrência da língua
As diferenças marcantes da situação sociolinguística é bem visível entres os índios aldeados e os que vivem na cidade. Posto que muitos dos citadinos não falam mais a língua ou são falantes parciais ou só entendem. Quanto à situação dos aldeados, não há diferenças marcantes. A única diferença notada está entre a nova geração e os idosos, estes usam por exemplo a pré-oralização e pós oralização "ambi" (casa) e os jovens usam abi "casa".
4.6 Síntese das situações de risco para a comunidade linguística e a língua
Pode-se considerar a situação de risco para a língua a proximidade com a cidade e o forte contato com os não-indígenas; há uma parcela da população aproximadamente 1/4 vivendo temporaria- ou permanentemente nas áreas urbanas.
6 - Anexos
6.1 Dados do acervo digital sobre as localidades
6.2 Mapa(s) de distribuição geográfica da língua
1 - Dados Gerais
1.2 Projeto
1.3 Língua do Inventário
3.1 A população falante da língua se encontra:
Dispersa em áreas geográficas descontínuas
3.2 Com relação ao padrão de residência em locais urbanos:
A comunidade linguística é majoritariamente rural, mas há muitos falantes em áreas urbanas
3.3 Movimentos migratórios?
Há um movimento crescente de migração dos falantes para áreas urbanas
2.1 Existem localidades de ocorrência da língua fora da área de abrangência da pesquisa
Sim
2.2 Localidades
Tipo de localidade
Fora da área de abrangência da pesquisa
Localização Geográfica
Tipo de Uso do Solo
Urbano
Estatuto jurídico da localidade
Sem estatuto jurídico especial
Tipo de localidade
Na área de abrangência da pesquisa
É comunidade de referência?
Sim
Faz parte da área ocupada pela comunidade de referência da língua?
Não
Você considera que a língua está em risco nessa localidade?
Sim
Demografia
População de falantes e não falantes é equilibrada (+50% para cada)
Temporalidade
A comunidade reside há menos de 50 anos e mais de 25 anos
Infraestrutura
Possui rede de eletricidade | Possui atendimento permanente de saúde
Economia
A população depende basicamente de recursos e/ou empregos locais
Tipo de localidade
Fora da área de abrangência da pesquisa
Localização Geográfica
Tipo de Uso do Solo
Urbano
Estatuto jurídico da localidade
Sem estatuto jurídico especial
Tipo de localidade
Fora da área de abrangência da pesquisa
Localização Geográfica
Tipo de Uso do Solo
Urbano
Estatuto jurídico da localidade
Sem estatuto jurídico especial
Tipo de localidade
Fora da área de abrangência da pesquisa
Localização Geográfica
Tipo de Uso do Solo
Rural
Estatuto jurídico da localidade
Terra Indígena
Tipo de localidade
Na área de abrangência da pesquisa
Nome da localidade na Língua de Referência
Byyjyty osop aky
É comunidade de referência?
Sim
Faz parte da área ocupada pela comunidade de referência da língua?
Sim
Você considera que a língua está em risco nessa localidade?
Sim
Demografia
População de falantes da língua é majoritária
Temporalidade
A comunidade reside há mais de 100 anos
Economia
A população depende largamente de fontes de renda oriundas de outros locais
Tipo de localidade
Na área de abrangência da pesquisa
É comunidade de referência?
Sim
Faz parte da área ocupada pela comunidade de referência da língua?
Sim
Você considera que a língua está em risco nessa localidade?
Sim
Demografia
População de falantes da língua é majoritária
Economia
A população depende largamente de fontes de renda oriundas de outros locais
Tipo de localidade
Na área de abrangência da pesquisa
Nome da localidade na Língua de Referência
Kyõwã
É comunidade de referência?
Sim
Faz parte da área ocupada pela comunidade de referência da língua?
Sim
Você considera que a língua está em risco nessa localidade?
Sim
Demografia
População de falantes da língua é majoritária
Temporalidade
A comunidade reside há menos de 75 anos e mais de 50 anos
Infraestrutura
Possui rede de eletricidade | Possui atendimento permanente de saúde
Economia
A população depende largamente de fontes de renda oriundas de outros locais
Tipo de localidade
Na área de abrangência da pesquisa
Nome da localidade na Língua de Referência
Byyjyty okot pytim'adna
É comunidade de referência?
Sim
Faz parte da área ocupada pela comunidade de referência da língua?
Sim
Você considera que a língua está em risco nessa localidade?
Sim
Demografia
População de falantes da língua é majoritária
Temporalidade
A comunidade reside há menos de 25 anos
Tipo de localidade
Na área de abrangência da pesquisa
É comunidade de referência?
Sim
Faz parte da área ocupada pela comunidade de referência da língua?
Sim
Você considera que a língua está em risco nessa localidade?
Sim
Demografia
População de falantes da língua é majoritária
Temporalidade
A comunidade reside há menos de 25 anos
Economia
A população depende largamente de fontes de renda oriundas de outros locais

