Metadados
Projeto
Língua do Inventário
1 - Comunidade de Referência
1.1 Número de falantes
324
1.2 Número de falantes parciais
20
1.3 Números de não-falantes
44 (11 não declarados)
7 - Taxa de Transmissão da língua de referência
7.1 Faixa Etária
Idoso +60
8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência
Grau de transmissão da língua
Observações
A situação de transmissão do uso da língua está estável, considerando os aldeados. Existem 99 Karitianas vivendo fora das aldeias; desse total, estima-se que 50% vivem permanentemente enquanto os outros 50% estão residindo temporariamente na cidade por questões educacionais. Os Karitiana, que estão na cidade temporariamente, estão na "Antiga Funai" de Porto Velho onde a língua Karitiana é usada como a língua principal. Geralmente, aqueles que usam o português como língua da casa já vivem na cidade por mais de uma década, alguns são casados com não indígenas, outros estão vivendo com outros grupos indígenas. Nota-se que, mesmo entre aqueles que não mais falam Karitiana, existe uma preocupação de que os filhos vão viver na aldeia para aprender a língua.
9 - Escrita e Leitura
9.1 Identificar a existência de grafias
com múltiplos modelos de grafias.
9.2 Caracterizar as grafias existentes
9.3 Contrastar as grafias existentes
Conforme Storto na cartilha de 1996, a ortografia elaborada por Landin é puramente fonêmica e não representa os fatos da língua, pois há diferentes representações para alofones de um mesmo fonema. Storto apontou que os Karitianas solicitaram que fosse reelaborada a ortografia pelo fato de a antiga apresentar problemas.
A atual ortografia tem sido criticada pelos Karitiana pelo motivo de ter havido a opção de dialeto/idioleto dos "mais velhos", conforme se abaixo:
"Note que como há variação dialetal/idioletal com relação aos alofones das consoantes nasais, escolhas entre dialetos teriam que ser feitas por qualquer ortografia. Os Karitiana discutiram e votaram que escolheriam as formas mais antigas das palavras para registro na língua escrita; assim, formas com parcial nasalização foram escolhidas sobre formas totalmente oralizadas (ambi e não abi), e mesmo formas arcaicas de algumas palavras serão usadas (a palavra para irmã que se pronumcia [pa' ] será escrita pan'in, pois esta é a forma antiga da palavra). Ainda está para ser decidida a forma final da ortografia, mas a proposta acima já foi votada e aprovada, tendo ficado para se decidir que formas das consoantes nasais se utilizará para cada palavra (a forma "mais antiga" de cada palavra será determinada não apenas do ponto de vista linguístico, mas levaremos em consideração o idioleto dos membros mais velhos e respeitados da comunidade). Note que mesmo uma ortografia fonêmica como a de Landin teria que decidir entre diferentes formas de uma mesma palavra (/ami/ ou /ãmi/?). A grande vantagem da atual ortografia sobre a proposta por Landin é uma drástica redução no número de diacríticos usados, uma vez que ao invés de marcarmos quais as vogais intrinsicamente nasais com um til, representamos nas conoante nasais através das consoantes b, d, g, sua adjacência a vogais orais." (Storto 1996).
9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?
Sim
9.5 Quais tipos de texto?
Há um caso de um Karitiana que escreve textos poéticos e narrativos na língua. Existem trocas de mensagens de textos em mídias sociais; alguns textos em cadernos de escolas, cartas. Atualmente eles estão elaborando uma cartilha de alfabetização na própria língua. Contudo, não se pode dizer que há um uso extenso de textos escritos na língua.
9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?
Há menos de 25 anos
9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?
Não
9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?
Sim
9.10 Quais tipos de textos?
Textos didáticos, documentos, relatórios, etc.
10 - Paisagem Linguística
10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:
Inscrições em cemitérios, muros, edifícios, paredes, rochas, árvores, etc.
13 - Língua mais frequente
13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas
Língua 1 Karitiana
14 - Situação Comunicativa
14.1 Situações comunicativas
Nas aldeias, quase a totalidade da população usa Karitiana em casa, na roça, nos cultos evangélicos, orações, reuniões, escola. Quando estão na cidade, os jovens se comunicam em Karitiana e/ou português nas redes sociais como Facebook e Whatsapp.
14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência
[3] Uso estável
14.4 Justificativa e detalhamentos sobre a dinâmica de usos
A língua Karitiana (no modo oral) é fortemente utilizada entre os falantes, em todas as situações, exceto em situações em que há não-falantes.
15 - Usos linguísticos especiais da língua de referência
15.1 Uso linguístico especial
Contação de história.
15.2 Descrição das características formais e dos conteúdos
Mitos de origem; relatos históricos, fábulas, etc.
15.3 Situações sociais de ocorrência
Aldeia Rio Candeias, Pajé Cizino Morais Karitiana.
16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais
16.1 Proporção de indivíduos que conhecem o uso linguístico especial
Poucas pessoas
16.2 Frequência atual do uso linguístico especial
Menos do que antigamente
16.3 Situação da transmissão do uso linguístico especial
Não há pessoas aprendendo
16.4 Observações sobre os usos linguísticos especiais
Atualmente há há apenas duas pessoas que sabem contar histórias tradicionais: o pajé Cizino Morais Karitiana (Aldeia Rio Candeias) e Waldemar Ferreira (Central). Este último não tem contado histórias pois, segundo informações de pessoas-chave, ele tornou-se funcionário do serviço de saúde. No contexto atual, apenas Cizino pratica a contação de história para os membros de sua comunidade. Ressalta-se que apenas 38 dos 396 Karitianas tem contato com essa prática de uso especial da língua, uma vez que a aldeia Rio Candeias está distante das demais e o acesso a transporte é relativamente difícil.
17 - Atitudes linguísticas da comunidade
17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência
18 - Síntese
18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?
Língua 1 Karitiana
Língua 2 Português
18.3 Panorama das línguas em contato
Na área identificou-se apenas o uso de duas línguas, Karitiana e português. A maioria da população é bilíngue, tendo o português como segunda língua. Apenas o português é utilizado como língua franca.
3.1 Na comunidade de referência
50
3.3 Em português na comunidade de referência
60
4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?
283
4.3 Quantos também falam uma outra língua na comunidade de referência?
0
5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?
0
5.2 Quantos indivíduos na comunidade linguística que falam três ou mais línguas?
0
5.3 Quais são as línguas mais comuns faladas por indivíduos que dominam mais de duas?
Nada consta.
6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?
Língua 1 Karitiana
6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?
Língua 1 Português
6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique
-
Língua:
Karitiana
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
|nfância
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
Em casa com os pais e familiares.
-
Língua:
Português
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
Na idade escolar (alguns casos em casa também)
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
Escola
6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?
Sim, nota-se se que nas aldeias a maioria ou quase totalidade dos casos a língua adquirida é Karitiana, exceto em alguns casos de famílias de outras etnias em que o português é a língua da casa. Na cidade, uma grande parte da população Karitiana em contexto urbano usa o português como língua da casa. Portanto, as crianças neste contexto adquirem o português ao invés do Karitiana.
Número absoluto de falantes fluentes
17
Número percentual de falantes fluentes
4%
Número absoluto de falantes com proficiência parcial
1
Número percentual de falantes com proficiência parcial
0,25%
Número absoluto de não falantes
0
Número percentual de não falantes
0
11.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
151
11.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
151
11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
79
11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
74
11.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
153
11.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
157
12.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
204
12.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
204
12.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
88
12.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
85
12.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
92
12.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
92

