Metadados
Projeto
Língua do Inventário
1 - Comunidade de Referência
1.1 Número de falantes
81
1.2 Número de falantes parciais
10
1.3 Números de não-falantes
35
7 - Taxa de Transmissão da língua de referência
7.1 Faixa Etária
Infância 0-12
8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência
Grau de transmissão da língua
Observações
Nas casas onde há mães não indígenas, todas as crianças, praticamente, não falam a língua e não estão aprendendo, segundo os indígenas.
9 - Escrita e Leitura
9.1 Identificar a existência de grafias
com uma grafia
9.2 Caracterizar as grafias existentes
9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?
Não
9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?
Há menos de 25 anos
9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?
Não
9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?
Sim
9.10 Quais tipos de textos?
Gêneros escolares como atividades realizadas na escola, como dissertação. Gêneros multimídias, como Whatsapp e Facebook.
9.11 Comente sobre as principais diferenças entre a prática de escrita e leitura na língua portuguesa e na língua de referência da comunidade
A prática de leitura e escrita na língua de referência é claramente menor do que aquela em Português, dado que as disciplinas na língua, ministradas pelos professores indígenas, não exigem algum texto de qualquer gênero escrito na língua. Diferentemente, os professores não indígenas, como é comum na escola do não indígena, sempre exigem algum texto, o mínimo que seja, escrito em português. Neste sentido, o único momento em que se pode ver alguns alunos escrevendo na língua foi quando houve uma solicitação de que eles escrevessem um texto sobre o cotidiano na aldeia.
10 - Paisagem Linguística
10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:
Nenhum (não há textos escritos na língua de referência expostos publicamente)
13 - Língua mais frequente
13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas
Língua 1: Kawahiba dos Amondawa | Língua 2: Português
14 - Situação Comunicativa
14.1 Situações comunicativas
Na comunidade, entre pessoas com mais de 30 anos, a língua de referência predomina em todas as situações comunicativas. No entanto, pessoas com idade entre 20 e 29 anos usam o Português mesmo em situações corriqueiras, como quando jogam futebol, prática quase diária. Pessoas com idade inferior a esta tendem a usar português sempre com outros de mesma faixa etária.
O meio pelo qual a língua é mais utilizada é na sua modalidade oral, como nas conversas do dia a dia, em reuniões da associação, nas tomadas de decisão sobre alguma demanda da comunidade etc.
A única oportunidade em que se constatou seu uso na escrita foi quando se solicitou a alguns alunos do 9° ano que escrevessem um texto curto sobre sua vida na aldeia. Nas redes sociais, como Facebook, ou no Whatsapp, só se observou o uso do Português.
14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência
[2] Uso em retração
14.4 Justificativa e detalhamentos sobre a dinâmica de usos
A escolha se deve ao fato de que mesmo os jovens entre 20 e 30 anos usam o Português para conversarem quando estão na aldeia. Numa certa ocasião, um indígena queria explicações sobre como funcionava a lei em casos do não indígena que entravam na reserva para caçar sem a permissão dos índios. Após uma breve explicação sobre essa lei, esse indígena passou a falar com um parente, em Português, sobre qual seria a medida que eles, indígenas, deveriam tomar quanto a um não indígena que morava na estrada vicinal que passa em frente à T.I Uru-Eu-Wau-Wau e que estava invadindo a terra para caçar.
Nas partidas de futebol, que contam com homens de 15 a 30 anos, qualquer comentário é feito em Português. Às vezes, a impressão é de que se houver um não indígena próximo, o Português é que deve ser a língua de comunicação. No entanto, por vários momentos não havia algum não indígena por perto e o diálogo se passava em Português. As meninas que jogam bola têm idades entre 12 a 20 anos e usam a língua com mais frequência, apesar de ainda ser mais comum o uso do Português nesse momento.
Além disso, pessoas com idade superior a 30 anos sempre falam na língua. Sempre que me encontravam, me interpelavam na sua língua com expressões para “bom dia”, “aonde vai?”, “de onde vem?” etc.
16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais
16.4 Observações sobre os usos linguísticos especiais
Não se sabe. Talvez os pajés tinham um uso especial da língua, no entanto, não há como verificar essa possibilidade, pois não existem mais pajés de povos Kawahiba de Rondônia.
17 - Atitudes linguísticas da comunidade
17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência
Observações
Os mais velhos, em especial o cacique da aldeia, Tari Amondawa, se sentem muito preocupados com a perda linguística e o fato de que os jovens não querem mais aprender a língua. O sentimento geral é de que a língua Kawahiba dos Amondawa fosse falada por todos e aprendida como primeira língua para que não houvesse monolinguismo em Português no futuro.
17.2 Atitude em relação às demais línguas
A atitude dos Amondawa parece ser indiferente quanto ao Português, única língua falada por eles, além da língua de referência.
É interessante notar, entretanto, que tudo que entrou na cultura do povo recentemente, como escola, livro, carro, moto etc. são ou nominalizações derivações, o que transparece uma atitude positiva quanto a sua língua materna em alguns casos. O exemplo disso vem da derivação terõhua, que para os Amondawa significa “avião”. Morfologicamente, essa palavra é composta de terõ “barulho” e -hua, um sufixo aumentativo. Literalmente, terõhua é “barulho alto”.
Contudo, é possível que esses neologismos sejam da época do contato, quando nenhum deles falava Português, e por isso novidades que não são da cultura dos Amondawa foram incorporadas à língua conforme sua função ou o aspecto icônico mais saliente para os Amondawa.
Ademais, apesar dos mais velhos apresentarem um registro mais formal da língua segundo os jovens, não há um contexto de diglossia na comunidade.
18 - Síntese
18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?
Língua 1 Kawahiba dos Amondawa
Língua 2 Português
18.2 Justifique
A predominância do Kawahiba dos Amondawa em vários contextos frente ao Português é o principal argumento para essa escolha. A quantidade de falantes atualmente de Kawahiba dos Amondawa é superior a de falantes monolíngues em Português.
18.3 Panorama das línguas em contato
Com exceção de dois Amondawa monolíngues e dos 42 que não falam a língua, todos os demais são bilíngues em Kawahiba dos Amondawa e Português.
2 - Comunidade Linguística
2.1 Número de falantes
81
2.2 Número de falantes parciais
10
2.3 Números de não-falantes
35
3.1 Na comunidade de referência
2
3.2 Na comunidade linguística
2
3.3 Em português na comunidade de referência
17
3.4 Em português na comunidade linguística
17
3.7 Observações
Não há outra língua, além do Kawahiba dos Amondawa e Português, falada na aldeia Trincheira.
4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?
80
4.2 Quantos também falam português na comunidade linguística?
80
4.3 Quantos também falam uma outra língua na comunidade de referência?
0
4.4 Quantos também falam uma outra língua na comunidade linguística?
0
4.5 Observações
Não há outra língua, além do Kawahiba dos Amondawa e Português, falada na aldeia Trincheira.
5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?
0
5.2 Quantos indivíduos na comunidade linguística que falam três ou mais línguas?
0
6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?
Língua 1: Português
6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?
Língua 1: Kawahiba dos Amondawa
6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique
Língua:
Português
Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?
Infância
Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?
Aldeia Trincheira com a família. Em geral, quando se trata de um casal em que um dos cônjuges é não indígena, a criança não aprende a língua dos Amondawa.
6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?
A língua Kawahiba dos Amondawa é falada somente na Aldeia Trincheira, a única aldeia desse povo. Desse modo, não há a possibilidade dela ser adquirida em outro ambiente e, portanto, haver diferenças entre a sua aquisição em lugares diferentes.
Número absoluto de falantes fluentes
6
Número percentual de falantes fluentes
4,76%
Número absoluto de falantes com proficiência parcial
6
Número percentual de falantes com proficiência parcial
4,76%
Número absoluto de não falantes
31
Número percentual de não falantes
24,60%
11.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
31
11.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
31
11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
1
11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
1
11.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
94
11.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
94
12.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura
15
12.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita
15
12.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura
23
12.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita
26
12.9 Número de falantes sem proficiência em leitura
88
12.11 Número de falantes sem proficiência em escrita
88

