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Guarani Mbya

Início Módulo 6 - Avaliação da vitalidade Linguística, Revitalização Guarani Mbya

Metadados

Projeto

Língua Guarani Mbya

Língua do Inventário

Guarani Mbya

1. Ações de revitalização e promoção

1.1 Identificação e caracterização de ações de revitalização e promoção

Observações

as ações de valorização e promoção da língua Guarani Mbya não tem caráter unificado: há pequenas ações isoladas em praticamente todas as aldeias, sejam promovidas por associações indígenas, poderes públicos estaduais e municipais e outras entidades, e até mesmo por falantes isoladamente. As iniciativas levantadas e listadas durante a realização do Inventário da Língua Guarani Mbya já estão desatualizadas.

1.2 Propostas da Comunidade para a Salvaguarda da Lingua

Observações gerais

As principais demandas da comunidade para a salvaguarda da língua Guarani Mbya estão disponíveis no documento final do Encontro do Inventário da Língua Guarani Mbya, anexado a este processo em versões em português e Mbya, também disponíveis no blog do evento: [http://guaranimbya.wordpress.com/](http://guaranimbya.wordpress.com/). Há também demandas levantadas durante a pesquisa do ILG, disponíveis na página 131 da publicação. Para completar os dados de demandas da tabela anterior com essa tipologia para cada uma das demandas, seria necessário realizar outro levantamento por meio de pesquisa em campo ou de evento reunindo falantes e lideranças.

2. Vitalidade linguística

2.1 Grau de vitalidade da língua

6-Forte

2.2 Fatores a que se atribui o atual estado de vitalidade da língua

O Inventário da Língua Guarani Mbya levantou dados que demonstram o alto grau de vitalidade dessa língua indígena de grande população e extensão territorial. Abarcando sessenta e nove aldeias em estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil, o Inventário revelou importantes características da comunidade linguística em questão com relação aos usos da língua e dos bens culturais que ela organiza. Além da presença massiva da língua Guarani Mbya nos lares das aldeias visitadas, 98,3%, outras línguas também foram indicadas como coexistentes nessas residências, em situações de bilinguismo, trilinguismo e quadrilinguismo retratadas pelo ILG, demonstrando que as aldeias se afirmam como ricos ambientes multilíngues e multiculturais. As duas línguas de maior expressividade depois do Guarani Mbya foram o português, que possui falantes declarados em todas as aldeias, e o espanhol, que tem falantes em 32 das comunidades inventariadas. Quanto ao Guarani Mbya, um forte indicador do seu vigor pode ser percebido por meio da análise das faixas etárias das entrevistas individuais realizadas: dentre os entrevistados, constatamos que 73% declaram ter menos de 40 anos. Este indicador mostra o quanto a população Guarani Mbya nas comunidades visitadas é jovem. Aliado a este dado, observamos que a quase totalidade, 97%, dos jovens, abaixo de 20 anos, e adultos, entre 20 e 40 anos, sabe a língua Guarani Mbya. Quanto à proficiência nessa língua indígena, 98% dos falantes Guarani Mbya entrevistados declararam proficiência plena da produção oral e 97%, da compreensão oral. Quanto à leitura e escrita em Guarani, 48% e 41% afirmaram ter proficiência plena da compreensão e produção escrita, índice semelhante à escrita das outras línguas declaradas. Outro fator decisivo para a manutenção de uma língua é a sua transmissão entre as gerações. No caso do Guarani Mbya, é altíssimo o grau de transmissão intergeracional da língua: 98% informaram transmitir a língua aos filhos, 99% aos netos e 89% aos bisnetos. Praticamente todos os pais, avós e bisavós ensinam ou pretendem ensinar a língua aos seus descendentes. A principal razão apresentada para o interesse em manter e transmitir a língua é a continuidade da cultura e da tradição, uma vez que a língua constitui toda a cosmologia do povo Guarani. Além do espaço doméstico, onde, conforme mencionamos, o Guarani Mbya é dominante, outros âmbitos de circulação da língua no cotidiano da sociedade, incluindo instituições, como escola e sistemas de saúde, rituais e celebrações, são igualmente importantes, pois conferem à língua e aos seus falantes legitimidade e promovem aderências e poder de representação aos bens culturais a ela articulados. Nas escolas, a língua Guarani Mbya divide espaço, na grande maioria dos casos, 85%, com a língua portuguesa, constituindo um ensino bilíngue. Em apenas uma das escolas, localizada em Santa Catarina, o Guarani é língua única de ensino. O português, por outro lado, é língua exclusiva de ensino em cinco, 12%, das escolas. As escolas monolíngues em português situam-se nos estados do Rio Grande do Sul, duas, de Santa Catarina, duas, e de São Paulo, uma. Se no sistema educacional escolar o uso bilíngue das línguas Guarani Mbya e portuguesa é majoritário, no sistema de saúde prevalece o uso da língua portuguesa, declarada a língua de atendimento em 32 comunidades, ou seja, 55% delas. O uso bilíngue da língua Guarani Mbya e do português foi registrado em 25 postos de atendimento, correspondendo a 43% das situações, enquanto o uso monolíngue do Guarani Mbya foi constatado somente em um posto de saúde, 5%, no Rio Grande do Sul. Na Opy, ou casa de reza, tudo se passa em língua Guarani. Essa dominância é contrária ao que ocorre nos espaços de instrução escolar e de atendimento à saúde, âmbitos em que a língua Guarani Mbya divide o espaço com a língua portuguesa. Por isso, a importância sociolinguística desse espaço é inegável. No entanto, nem todas as comunidades possuem Opy. Esse espaço está presente em 44, ou 69%, das comunidades inventariadas. Do mesmo modo que a língua em si, as atividades econômicas e culturais tradicionais e outros eventos estruturados pelos usos da língua, quando transmitidos às gerações mais jovens, configuram importantes indicadores sobre a vitalidade da língua e do povo que a fala. Artesanato, agricultura, comidas ou bebidas específicas, caça, instrumentos musicais e ritos ou celebrações figuram entre as principais atividades que envolvem o uso linguístico de Guarani Mbya no cotidiano. Sobre a transmissão desses itens, é grande o interesse dos Guarani em ensinar todas as atividades do cotidiano às gerações mais jovens, 90%, sendo o Guarani Mbya a língua desses ensinamentos. A promoção de ações que abrem as atividades das comunidades para não indígenas não é consenso: em metade das aldeias inventariadas, há informação sobre alguma atividade nessa direção; na outra metade, não há menção a quaisquer dessas atividades. A língua Guarani, independentemente da variedade, tem se consolidado como uma das línguas indígenas de maior expressão sociopolítica em toda a América do Sul, gozando de estatuto oficial em diferentes âmbitos, conforme apresentamos no Capítulo VII. Supranacional e oficial, a língua Guarani projeta-se no cenário brasileiro pelo grande número de falantes distribuídos em vários estados e municípios e pela vivacidade com que se representa nas ações políticas do país. Abarcando uma população de aproximadamente 5.745 habitantes, contabilizando indígenas, 99,8%, e não indígenas, 0,2%, nas aldeias visitadas, a língua Guarani ou Guarani Mbya é declarada como a de uso na casa por praticamente todos os inventariados, somente quatro indivíduos se declaram monolíngues em português. Podemos concluir, então, que, ao excluirmos os não indígenas, o número 5.735 diz respeito aos falantes da língua. A este número devemos somar o de aldeias não inventariadas, seja por se localizarem em locais de difícil acesso ou, como mencionamos, por estarem mais ao Norte do país, fora do escopo de abrangência do ILG.

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