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Kuikuro

Início Módulo 5 - Diagnostico Sociolinguístico Kuikuro

Metadados

Projeto

Língua Kuikuro

Língua do Inventário

Kuikuro

1 - Comunidade de Referência

1.1 Número de falantes

272

1.2 Número de falantes parciais

1

1.3 Números de não-falantes

0

7 - Taxa de Transmissão da língua de referência

7.1 Faixa Etária

Idoso +60

8 - Grau de Transmissão da Língua de Referência

Grau de transmissão da língua

Estável

9 - Escrita e Leitura

9.1 Identificar a existência de grafias

com uma grafia

9.2 Caracterizar as grafias existentes

9.4 As pessoas da comunidade costumam escrever na sua própria língua?

Não

9.5 Quais tipos de texto?

O uso da escrita não é difundido para todas as pessoas da comunidade, sendo que os que a usam, com maior ou menor frequência, são os professores, agentes de saúde e os indivíduos escolarizados/alfabetizados.

9.6 Há quanto tempo existe o uso da escrita na língua de referência pela comunidade?

Há menos de 25 anos

9.7 Pode-se dizer que existe uma tradição de textos escritos em diferentes gêneros discursivos na comunidade?

Não

9.9 As pessoas da comunidade costumam escrever em português?

Sim

9.10 Quais tipos de textos?

Documentos, emails, cartas, bilhetes.

9.11 Comente sobre as principais diferenças entre a prática de escrita e leitura na língua portuguesa e na língua de referência da comunidade

Há, através da escola e da pressão externa à comunidade, um estímulo maior a escrever em português do que na língua indígena.

10 - Paisagem Linguística

10.1 Quais são os principais tipos de textos escritos que costumam estar expostos na paisagem linguística das localidades de ocorrência da língua de referência:

Cartazes, faixas, banners e cartolinas

10.2 Caso tenha marcado a opção "outros", explique:

email, facebook, twitter

13 - Língua mais frequente

13.1 Língua mais frequentemente usada nas situações cotidianas

Língua 1 Kuikuro | Língua 2 Português

14 - Situação Comunicativa

14.1 Situações comunicativas

Todos os Kuikuro usam sua língua nativa em todas as situações comunicativas entre eles e com outros karib do alto xingu, incluindo comunicação via internet e escrita (bilhetes, cartas).

14.3 Dinâmica dos usos da língua de referência

[3] Uso estável

15 - Usos linguísticos especiais da língua de referência

15.1 Uso linguístico especial

Akinha

|

Egi

|

Anetü itaginhü

|

Kehege

15.2 Descrição das características formais e dos conteúdos

Akinha: Narrativas de caráter mitológico ou histórico. Costumam ser organizadas em blocos, internamente estruturados por um paralelismo de linhas, e externamente organizados segundo um paralelismo de blocos. | Egi: Cantos. A palavra egi pode se referir tanto à música vocal quanto à música instrumental. | Anetü itaginhü: Uma forma de “fala cantada”, marcada pela entoação monotonal de linhas paralelas. | Kehege: Fórmulas em “fala cantada”, marcadas pela entoação monotonal de linhas paralelas.

15.3 Situações sociais de ocorrência

Akinha: Em situações diversas do cotidiano. A maioria dos adultos conhece algumas akinha, mas apenas alguns são considerados grandes conhecedores e dominam a arte de contá-las. Alguém com essas habilidades é chamado de akinha oto, “dono/mestre de histórias”. | Egi: Em todos os rituais alto-xinguanos, eventos essencialmente musicais. Seus especialistas são chamados de eginhoto, “dono/mestre do canto”. | Anetü itaginhü: Este gênero de fala é de conhecimento e uso exclusivo dos chefes, anetü. É utilizado sobretudo em encontros rituais de grupos distintos, mas também tem usos específicos no interior do grupo local em fases de organização dos rituais. | Kehege: Este gênero de fala é de conhecimento e uso exclusivo de chefes, pajés e especialistas, rezadores. Usadas em rituais de cura. Um subgênero de Kehege é o hitsindzoho, usado para “batizar” a primeira colheita de milho e pequi, e para “benzer” armadilhas de pesca e campeões de lutas, kindoto.

16 - Caracterização da situação atual dos usos linguísticos especiais

16.1 Proporção de indivíduos que conhecem o uso linguístico especial

Poucas pessoas

16.2 Frequência atual do uso linguístico especial

Menos do que antigamente

16.3 Situação da transmissão do uso linguístico especial

Número decrescente de pessoas aprendendo

16.4 Observações sobre os usos linguísticos especiais

Há poucos jovens interessados em aprender os usos especiais da língua, e seus principais conhecedores já estão bastante velhos e debilitados. A transmissão desse tipo de conhecimento depende do interesse explícito do aprendiz, que deve buscar o especialista e pedir que o ensine. Muitos dos jovens que poderiam aprender esses conhecimentos estão nas cidades do entorno, estudando.

17 - Atitudes linguísticas da comunidade

17.1 Grau de atitudes dos falantes com relação à língua de referência

Positiva

Observações

Há um interesse explícito na manutenção da língua, ao mesmo tempo em que há um interesse explícito no domínio do português. Ambos os interesses, até o momento, vêm sendo equacionados de forma a manter a transmissão da língua Kuikuro. Todavia, tem ocorrido um aumento acelerado na quantidade de pessoas que moram e estudam nas cidades, inclusive crianças, a fim de aprender o português.

17.2 Atitude em relação às demais línguas

Os Kuikuro participam de uma área cultural marcada pelo multilinguismo. Nesse sentido, o aprendizado de outras línguas indígenas sempre foi importante e estimulado, seja por meio de casamentos interétnicos ou mesmo de estadias prolongadas em outras aldeias onde houvesse parentes. Atualmente, esse aprendizado de outras línguas vem sendo substituído pelo português, que passou a ser a língua franca na região, tanto no contato interétnico quanto no contato com os não indígenas que frequentam e trabalham no Parque. O contato com a língua portuguesa também se intensificou com o maior acesso à televisão. O domínio do português é visto pelos Kuikuro como uma forma de garantir seu acesso, de forma qualificada, a serviços, como os serviços de saúde, por exemplo, e bens, como todo tipo de alimentos, equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos. Nesse sentido, muitos jovens e crianças têm sido estimulados a estudar em escolas nas cidades do entorno do Parque.

18 - Síntese

18.1 Nesse momento, qual ou quais línguas a pesquisa identifica como dominante para a vida cotidiana e valores culturais na comunidade, incluindo os fatores considerados nesse diagnóstico (aquisição, transmissão, usos, atitudes)? É possível estabelecer uma hierarquia entre as línguas nesse sentido?

Língua 1 Kuikuro
Língua 2 Português

18.2 Justifique

A língua Kuikuro continua sendo a principal língua utilizada no cotidiano das aldeias, onde reside a maior parte da população Kuikuro. O português, por sua vez, passou a ser a segunda língua de referência e vem ganhando espaço no cotidiano das aldeias, seja por meio da televisão, de músicas ou mesmo das escolas.

18.3 Panorama das línguas em contato

1. Já existe uma considerável e crescente quantidade de indivíduos bilíngues em língua materna, Kuikuro, ainda dominante nas comunidades/aldeias, e português, língua de colonização, dominante no entorno fora da área indígena. Indivíduos realmente bilíngues em duas línguas indígenas alto-xinguanas geneticamente distintas ou plurilíngues são uma minoria, não mais do que 3%. Aqui é preciso considerar três situações distintas: i) indivíduos provenientes de outras comunidades e residentes em aldeia Kuikuro, exceto Yawalapiti, por laços de casamento, entendem parcialmente a língua do cônjuge Kuikuro, mas não a falam, salvo em casos raros de absoluta necessidade, e, se a falam, o fazem com fluência muito parcial; ii) são bilíngues em duas línguas indígenas os filhos de casais mistos, ou seja, com pai e mãe falantes de línguas distintas, sendo que estes filhos e filhas entendem as duas línguas, mas usam corriqueiramente somente a língua dominante da comunidade de residência; iii) verdadeiros bilíngues ou multilíngues em mais de uma língua indígena são os Yawalapiti, na comunidade homônima, onde residem muitos Kuikuro, sendo que a língua Yawalapiti já está desaparecendo, com não mais do que 5 falantes muito idosos. Podemos definir como norma de uso a evitação de falar em público uma língua que não é a da comunidade de residência. 2. As famílias nucleares e as comunidades não tendem a ser multilíngues, com exceção do caso Yawalapiti. 3. O português pode ser considerado, hoje, como língua franca na comunicação entre falantes de línguas geneticamente distintas, mas não entre falantes das línguas/variedades karib alto-xinguanas. 4. A região conhecida como Alto Xingu é tradicionalmente definida como sendo multilíngue. Para caracterizar adequadamente este multilinguismo, é preciso considerar: i) a ideologia ou ética que regra o uso de línguas “outras” nas comunidades alto-xinguanas, evitação comentada acima; ii) os encontros entre comunidades e entre indivíduos de diferentes comunidades alto-xinguanas são frequentes e intensos, destacando-se os rituais ou “festas” intercomunitárias, quando ou se ouve uma polifonia multilíngue ou o português assume a função de língua de comunicação; neste último caso, as comunidades karib alto-xinguanas são exceção; iii) todas as comunidades alto-xinguanas executam cantos, incluídos nos vastos repertórios de cada ritual, bem como “rezas”, kehege, em línguas diferentes, como Kuikuro, Kalapalo, Mehinaku, Arawak, e Kamayurá, Tupi-Guarani. 5. Todas as línguas indígenas em contato com o português correm sério risco de declínio e desaparecimento, já que a língua colonizadora está cada vez mais presente nas comunidades, sobretudo na escola e com a exposição a mídias. 6. Todas as comunidades alto-xinguanas, karib e não karib, compartilham princípios éticos, normas de comportamentos, regime alimentar, práticas econômicas tradicionais, narrativas míticas e sistema de parentesco. Compartilham também a maioria dos rituais, kwaryp, tawarawanã, yamurikumalu, moitará etc., e repertório de cantos que são cantados em línguas diferentes, como dito anteriormente. Além disso, compartilham gêneros e estilos como a narrativa e “rezas”, fórmulas de cura e benzimento. Há empréstimos lexicais, em número reduzido, entre as línguas, no caso Kuikuro, provenientes de Mehinaku/Waurá, arawak, e Kamayurá, tupi-guarani. As referências abaixo são fundamentais para o entendimento das características específicas da ética verbal e do multilinguismo alto-xinguanos:
FRANCHETTO, Bruna (org.). 2011. Alto Xingu: uma sociedade multilíngue. E-book. Rio de Janeiro: Museu do Índio, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social — PPGAS, Museu Nacional, UFRJ, CNPq, Sub-Reitoria de Ensino de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ, p. 30-38. Disponível em: [http://www.museunacional.ufrj.br/ppgas/Alto_Xingu.pdf](http://www.museunacional.ufrj.br/ppgas/Alto_Xingu.pdf).
FRANCHETTO, Bruna; HECKENBERGER, Michael J. (orgs.). 2001. Os Povos do Alto Xingu: História e Cultura. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ. MEHINAKU, Mutua. 2010. Tetsualü: pluralismo de línguas e pessoas no Alto Xingu. Dissertação de Mestrado, PPGAS/MN/UFRJ.

2 - Comunidade Linguística

2.1 Número de falantes

530

2.2 Número de falantes parciais

Menos de 3%

2.3 Números de não-falantes

Menos de 3%

3.1 Na comunidade de referência

65%

3.2 Na comunidade linguística

65%

3.3 Em português na comunidade de referência

0

3.4 Em português na comunidade linguística

0

3.5 Nas demais línguas faladas no território na comunidade de referência

0

3.6 Nas demais línguas faladas no território na comunidade linguística

Menos de 3%

3.7 Observações

Todos os que residem nas comunidades Kuikuro falam e/ou entendem o
Kuikuro. Os que só entendem e não falam ou falam muito pouco Kuikuro são indivíduos de outras comunidades não falantes de Kuikuro e que residem nas aldeias Kuikuro por casamento, cerca de 3%. Ver gráfico 1 em Gráficos IPATSE.doc e gráficos Etnias em Gráficos demais aldeias Kuikuro.doc impressos em anexos e incluídos do DVD – INDL Kuikuro 1-2015.

4.1 Quantos também falam português na comunidade de referência?

78 (29%)

4.2 Quantos também falam português na comunidade linguística?

Cerca de 35%

4.3 Quantos também falam uma outra língua na comunidade de referência?

1 (Mehinaku)

4.4 Quantos também falam uma outra língua na comunidade linguística?

Cerca de 7% entendem e podem falar outras línguas geneticamente distintas, como Mehinaku, Yawalapiti, Waurá, Kamayurá e Aweti, com domínio parcial nas situações em que isso é permitido, ver item 7.2.

4.5 Observações

Para detalhamento dos níveis de fluência do português na comunidade de referência, ver os gráficos de 4 a 11 em Gráficos IPATSE.doc, impressos em anexos e incluídos no DVD-INDL Kuikuro I-2015.

5.1 Quantos indivíduos na comunidade de referência que falam três ou mais línguas?

Muito poucos indivíduos (ver item 7.2).

5.2 Quantos indivíduos na comunidade linguística que falam três ou mais línguas?

Muito poucos indivíduos (ver item 7.2).

5.3 Quais são as línguas mais comuns faladas por indivíduos que dominam mais de duas?

A grande maioria dos indivíduos bilíngues domina Kuikuro e, em graus variados, o português. O entendimento das outras variedades/línguas karib alto-xinguanas, Kalapalo, Nahukwa e Matipu, é total, embora seu uso na comunicação seja regrado pelas normas da ética verbal comentadas no item 7.2. Outras línguas, geneticamente distintas, são objeto de entendimento total ou parcial, mas não são usadas na fala em contextos públicos, não domésticos. Estimamos que não mais de 2 indivíduos por localidade sejam falantes de uma língua aruak, Mehinaku ou Waurá, e/ou tupi, Kamayurá ou Aweti.

6.1 Qual língua é mais comumente aprendida como primeira língua?

Língua 1 Kuikuro

6.2 Qual língua é mais comumente aprendida como segunda língua?

Língua 1: Português

6.3 Para as línguas adquiridas como segunda língua, indique

Língua:

Português

Em que fase da vida dos indivíduos a língua é adquirida?

Na idade escolar

Em que contextos sociais ela está sendo adquirida?

Na escola

6.4 Há diferenças notáveis entre a aquisição da língua de referência em diferentes localidades investigadas?

Não

Número absoluto de falantes fluentes

22

Número absoluto de falantes com proficiência parcial

1

Número percentual de falantes com proficiência parcial

Menos de 5%

11.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura

30

11.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)

30%

11.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita

30

11.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)

30%

11.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura

30

11.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)

35%

11.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita

30

11.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)

35%

11.9 Número de falantes sem proficiência em leitura

35%

11.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)

35%

11.11 Número de falantes sem proficiência em escrita

35%

11.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)

35%

Observações

Os números absolutos se referem aos 100 entrevistados na comunidade de referência, Ipatse, e a estimativa é calculada aproximadamente para todas as comunidades Kuikuro. Ver Gráficos IPATSE.doc no DVD “INDL-Kuikuro 1-2015”.

12.1 Número de falantes com proficiência plena em leitura

5

12.2 Estimativa de proficiência plena em leitura (%)

5%

12.3 Número de falantes com proficiência plena em escrita

5

12.4 Estimativa de proficiência plena em escrita (%)

5%

12.5 Número de falantes com proficiência parcial em leitura

30

12.6 Estimativa de proficiência parcial em leitura (%)

30%

12.7 Número de falantes com proficiência parcial em escrita

30

12.8 Estimativa de proficiência parcial em escrita (%)

30%

12.9 Número de falantes sem proficiência em leitura

65

12.10 Estimativa sem proficiência em leitura (%)

65%

12.11 Número de falantes sem proficiência em escrita

65

12.12 Estimativa sem proficiência em escrita (%)

65%

Observações

Os números absolutos se referem aos 100 entrevistados na comunidade de referência, Ipatse, e a estimativa é calculada aproximadamente para todas as comunidades Kuikuro. Ver Gráficos IPATSE.doc no DVD “INDL-Kuikuro I-2015”.

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