2 - Identificação da pesquisa
2.1 Nome de identificação da pesquisa
Inventário da língua Karo
2.2 Objetivo da Pesquisa
Produção de conhecimento para inclusão no INDL
2.3 Qual/Quais Línguas?
Karo
4 - Escopo do inventário
4.1 Qual o escopo do Inventário
Amplo
5 - Documentação da anuência
5.1 Documento de Anuência
Autorização de uso da Voz, Imagem e Informação, para fins do Inventário Nacional de Diversidade Linguística (INDL), dos seguintes indígenas: Sebastião Gavião, Paulo Mãn Arara, Dutra Arara, Mana Arara e Luiza Xere Yãy Arara | Termo de anuência
5.2 Pedido de Reconhecimento da Língua
8 - Identificação da área de abrangência da pesquisa
8.1 Nome para identificação da área de abrangência da pesquisa
Comunidade Linguística Karo-Arara
8.2 A área de abrangência da pesquisa foi escolhida com base:
na totalidade dos locais de ocorrência de uma única língua (inventário por língua)
8.3 País
8.5 Estado e Município brasileiro
8.6 Terras Indígenas
10 - Mapas
Mapas
Metadados de destaque
Projeto
Língua do Inventário
3. Identificação e Síntese da Língua
3.1 Nome da Língua
Karo
3.2 Família Linguística
3.3 Síntese
Sendo a única língua da família denominada Ramarama, pertencente ao tronco Tupi, o Karo é falado majoritariamente pelos Karo-Arara, que somam cerca de 321 pessoas considerando aquelas residentes nas aldeias karo-araras. Desse contingente populacional, cerca de 306 pessoas são consideradas falantes da língua, sendo 90% de falantes plenos. Além desse povo, quatro homens que se auto-identificam como Gavião e residem em aldeias Karo-Arara dizem ser falantes plenos de Karo. Outros três são falantes parciais. Duas mulheres não indígenas casadas com homens karo-araras compreendem razoavelmente a língua. Seus filhos de casamentos anteriores, um rapaz e um menina, são falantes plenos. Todos os falantes levantados por esse inventário moram nas aldeias karo-araras, localizadas na Terra Indígena Igarapé Lourdes. Segundo dados do levantamento demográfico dos indígenas residentes nas aldeias do município de Ji-Paraná (Sesai 2016), há cerca de 44 pessoas identificadas como Karo-Arara residindo em aldeias gaviões (também situadas na TI Igarapé Lourdes) e nas cidades de Ji-Paraná e Porto Velho. A grande maioria é formada por jovens filhosde casamentos de pais Karo-Arara e Gavião ou cujas mães contraíram matrimônio com Gavião. Muitos nunca viveram junto aos Karo-Arara, embora seja muito possível que na infância tenham ficado alguns períodos em aldeias desse povo, uma vez que é comum que jovens casais revezem-se entre períodos de residência na casa da família do marido e da família da esposa até fixarem residência. De todo modo, não verifiquei a proficiência na língua dessas pessoas. Pela idade e pelos nomes que circulam até hoje nas aldeias Karo-Araras, calculo que pelo menos dez pessoas desse universo de 44 devem falar a língua karo. Esses falantes não compõem esse inventário na medida em que não tenho informações precisas sobre a proficiência dessas pessoas. Todas as informações referentes ao número de falantes que constam nesse inventário são referentes ao período de setembro de 2016. Nas duas aldeias araras mais antigas, Iterap e Paygap, as pessoas dominam completamente a língua e, em diferentes graus, o português. Por Iterap me refiro a um conjunto de sete sessões residenciais, que distam entre 100 e 700 metros umas das outras (ver “características sociais” no item 2.2.1). Todas essas sessões originaram-se da aldeia central, denominada Iterap, e mantêm com ela relações das mais diversas, que envolvem o uso dos serviços de saúde e educação, visitas a parentes, participação nos jogos de futebol e de vôlei. É comum que várias pessoas residam períodos em Iterap e períodos nesses núcleos residenciais mais afastados, que podem ser chamados de sítios , em português. O caso da aldeia Cinco Irmãos, fundada em 2011, é mais complexo. A aldeia é composta por uma família que, com exceção da matriarca D. Janete, jamais tinha vivido junto aos Karo-Arara. Dona Janete casou-se com um seringueiro na década de 1970 e quando foi contatada pela Funai para juntar-se aos seus parentes no início da década de 1990 vivia em Porto Velho como marido e cinco filhos. Em 1994, o casal e parte dos filhos foi viver com os parentes em Paygap, onde permaneceram por cerca de quatro anos antes de retornarem para Porto Velho. Em 2005: voltaram a viver em Paygap e em 2011 abriram a aldeia Cinco Irmãos. Dois netos de Dona Janete aprenderam a se comunicar na língua, mas os demais dizem entender pouco. Mesmo Dona Janete prefere comunicar-se em português, alegando que não sabe mais falar na gíria . Assim, todas as pessoas com mais de 12 anos que se auto-identificam como Karo-Arara e não falam o idioma (um total de cinco pessoas) são provenientes dessa: família. Embora esse relatório contenha informações sobre a aldeia Cinco Irmãos e os falantese não falantes que nela residem, a pesquisadora não visitou essa aldeia por ocasião do levantamento para o diagnóstico da situação da língua Karo. Outro ponto interessante é relação que seis homens cujas idades variam entre 54 e 69 anos estabeleceram com a língua. Tendo se separado de seus parentes na infância ou juventude para trabalharem com diferentes patrões , retomaram o contato com os Karo-Arara quando já adultos. Nenhum deles se lembrava da língua. Tiveram que reaprende-la. Assim, quatro desses homens compreendem perfeitamente o idioma, não tendo, entretanto, readquirido a capacidade de falar a língua materna. Assim, todos, inclusive esposas e filhos, se dirigem a eles exclusivamente em Karo e eles respondem em português. O mais velho desses homens, ensinado pela sogra, reaprendeu a falar. Outro compreende tudo e fala razoavelmente. Dado que se trata de um inventário amplo, ressalta-se que a comunidade de referência e a comunidade linguística são equivalentes. Elas incluem todos os residentes nas aldeias karoararas, o que inclui além das 321 pessoas identificadas a essa etnia, 8 Gavião-Ikoleng, 1 Karipuna e 8 não indígenas, perfazendo um total de 338 pessoas. O levantamento foi realizado em duas etapas: entre 12 e 29 de maio de 2016, com períodos de trabalho em Ji-Paraná e nas aldeias Iterap e Paygap, e entre 19 e 29 de setembro do mesmo ano, ocasião em que o trabalho concentrou-se em Iterap, a aldeia mais populosa e com diferentes núcleos residenciais.
1.2 Endereço da Instituição
Av. Magalhães Barata, 376
CEP 66040-170, Belém, PA
1.3 Nome do responsável pela instituição
Nilson Gabas Junior
1.5 Nome do responsável pela pesquisa
Júlia Otero dos Santos | Sebastião Kara’yã Péw
1.6 Contatos (e-mail e telefone) do responsável pela pesquisa
juliaoterosantos@gmail.com
(91) 98109-5747
1.7 Tipo de Instituição
Instituição Pública Federal
1.8 Credenciais da equipe
Júlia Otero dos Santos: professora de antropologia na Universidade Federal do Pará (UFPA), doutora em antropologia pela Universidade de Brasília (2015). Realizou estágio pós-doutoradono Museu Paraense Emilio Goeldi (2106). Desde 2010 realiza pesquisa junto aos Karo-Arara da Terra Indígena Igarapé Lourdes. Os professores Sebastião Arara, licenciado em Licenciatura Intercultural pela Universidade Federal de Rondônia (Unir) e Sandra Arara, graduanda do mesmo curso, trabalharam como assistentes dessa pesquisa.
6.1 Houve pesquisa de campo para a produção de dados originais?
Sim
6.2 Quais dados do formulário foram produzidos e/ou atualizados em campo?
Módulo 4. Identificação e caracterização da língua de referência Módulo 5. Diagnóstico sociolinguístico (todo) Módulo 6. Avaliação e vitalidade linguística, revitalização e promoção
6.3 Com relação aos dados secundários, explique sumariamente: Quais tipos de dados foram atualizados em campo?
Dados sobre os falantes e a situação da língua na comunidade
6.4 Com relação aos dados secundários, explique sumariamente: Para quais tipos de dados houve pouca ou nenhuma atualização?
Caracterização da língua e aspectos sociais e ecológicos da comunidade de referência.

