Status do Processo de Reconhecimento
1.3 Língua do Inventário
Saiba mais sobre esta língua
Conheça a língua
2.1 Modalidade da língua
Oral-auditiva
Autodenominações
1.6 Observações sobre autodenominações
Termo dado pelos Oro Win aos Uru-Eu-Wau-Wau.
Na língua dos Oro Win, significa “os tocadores de taboca”, instrumento utilizado durante um ritual conhecido como Yrerua.
A indígena Manda, da aldeia 621, mencionou que quando os povos Amondawa e Uru-Eu-Wau-Wau estavam juntos, essa era uma das autodenominações que esse povo, formado por ambos, utilizava.
Autodenominação do povo Uru-Eu-Wau-Wau hoje contatado e que vive na T.I Uru-Eu-Wau-Wau.
Foram quase dizimados, seja por doença ou massacres com invasores da terra. O nome do grupo corresponde ao nome do seu grande guerreiro, Jupa’u.
Heterônimos
1.7 Heterônimos
Kawahiba
1.8 Observações sobre heterônimos
gente, índio, pessoa
1.9 Denominação de ampla circulação
Uru-Eu-Wau-Wau

1.1 Identificação e Caracterização da Língua Referência - Nome da língua
Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau
1.2 Projeto
1.3 Língua do Inventário
1.10 Observações sobre denominação de ampla circulação
“Tocadores de Taboca”, de origem da língua do povo Oro Win.
1.11 Denominação adotada neste formulário
Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau
1.12 Justificativa da denominação adotada
Os indígenas desejam que o nome da etnia, Uru-Eu-Wau-Wau, também faça parte do nome a ser registrado como patrimônio histórico cultural. Sendo assim, o acordo resultou na nomeação da língua como Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau.
1.13 Observações gerais sobre denominações
Kawahiba significa “gente”, “índio”, “pessoa”. Uru-Eu-Wau-Wau foi a denominação cunhada pelos indígenas Oro Win, que historicamente também habitavam o estado de Rondônia. Na língua Oro Win, Uru-Eu-Wau-Wau significa “tocadores de taboca”. Os povos Kawahiba têm um ritual chamado Yrerua, quando dançam em círculos tocando uma flauta enorme feita de taboca. Daí “os tocadores de taboca” por parte dos Oro Win.
Esta seção registra a existência de línguas ou variedades relacionadas à língua de referência, bem como suas características sociolinguísticas, locais de uso e níveis de inteligibilidade. O objetivo é identificar diferenças, proximidades e relações entre formas linguísticas utilizadas pela comunidade ou por grupos associados.
5.9 Diferenças estruturais entre línguas consideradas uma mesma Língua
Somente uma pesquisa com esse fim pode apontar as diferenças estruturais entre as variedades da língua de referência. Dessa forma, considera-se inviável que, em um inventário como este, essa questão seja respondida de maneira apropriada quanto aos níveis linguísticos específicos de cada variedade.
Por outro lado, identificam-se na literatura propostas de classificação e de parentesco da língua dos povos Kawahiba no âmbito da família Tupi-Guarani, pertencente ao tronco Tupi. A dissertação de Sampaio (1997), intitulada Estudo Comparativo Sincrônico entre os Parintintim (Tenharim) e o Uru-Eu-Wau-Wau (Amondawa): contribuições para uma revisão na classificação das línguas Tupi-Kawahiba, propõe que Parintintim, Tenharim, Uru-Eu-Wau-Wau e Amondawa constituem dialetos de uma mesma língua, apresentando percentual de inteligibilidade mútua superior a 80%.
Em trabalho posterior, a autora (2012), com base em análises de fonoestatística — que consideram critérios fonológicos para a classificação interna — e no método léxico-estatístico, também agrupou os povos Amondawa e Uru-Eu-Wau-Wau como os mais próximos entre si dentro do complexo formado pelas demais etnias Kawahiba já mencionadas.
Por fim, destaca-se que Aguilar (2017) propôs que os Kayabi, povo que habita o norte do estado do Pará, também integrem o complexo dialetal Kawahiba. Contudo, essa autora não apresenta dados linguísticos que comprovem essa afiliação genética aos demais grupos Kawahiba, baseando-se apenas em fontes secundárias não linguísticas. Assim, essa proposta deve ser considerada com cautela no momento, tanto pela ausência de evidências linguísticas consistentes quanto pelo fato de que os próprios grupos Kawahiba — incluindo Karipuna, Amondawa e Uru-Eu-Wau-Wau — não confirmam essa informação. Lideranças e anciãos desses povos, como os Karipuna Aripã, Katika e Batiti, os Amondawa Tari e os Uru-Eu-Wau-Wau das aldeias Boakara e Manda, relatam não ter conhecimento, por parte de seus antepassados, da existência de um povo denominado Kayabi que tenha participado das migrações realizadas historicamente do leste para o oeste.
Diante disso, permanece necessária a realização de análises linguísticas específicas que possam demonstrar, de forma fundamentada, a eventual filiação da língua falada pelos Kayabi ao complexo Kawahiba.
5.10 Divergências na literatura sobre línguas consideradas línguas diferentes
Não
acesse imagens e vídeos da comunidade de referência
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Acesse a página Fotos aldeia 621 - Kawahiba dos Uru-eu-Wau-Wau Registro fotográfico de fotos aldeia 621 - kawahiba dos uru-eu-wau-wau. -
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3 - Historicidade da língua
Esta seção reúne informações sobre a presença histórica da língua de referência no território e sobre os principais marcos temporais relacionados à trajetória da comunidade linguística. O registro desses elementos permite compreender a continuidade, as transformações e os processos históricos associados ao uso da língua.
3.1 A língua é falada no território nacional há pelo menos três gerações?
Sim
Marcos Temporais
3.2 Indique os marcos temporais que caracterizam a história da comunidade linguística
Os anciãos Uru-Eu-Wau-Wau das aldeias 621 e 623 lembram-se de estar juntos dos Tenharim, dos Parintintin, dos Amondawa, dos Diahoi, dos Juma, dos Karipuna de Porto Velho, dos Piripkura e dos Apiaká, próximo ao rio Madeira, no estado do Amazonas, no passado.
Separaram-se desses povos, num grupo formado com os hoje Amondawa e, então, vão para próximo do que hoje é o rio Cautário, já em Rondônia, sudoeste deste estado.
Brigas internas levam o povo Uru-Eu-Wau-Wau a se separar dos Amondawa e ir para a região de Comandante Ary ou Alta Lídia, onde tem contato com a FUNAI pela expedição comandada por Zebel, que tinha por objetivo evitar um possível conflito da sociedade, que estava chegando para a colonização de Rondônia, com os indígenas. Os indígenas contraem doenças, que são levadas para os Amondawa, quando do retorno ao local onde os Amondawa estavam. Com isso, os indígenas começam a adoecer e várias mortes vão se somando a cada dia devido à falta de imunidade frente às “doenças dos Brancos”.
Migraram para uma região próxima da fronteira da reserva, onde fundam a aldeia Alto Jamari. Novas separações ocorrem, seja para proteger a sua área de ocupação, ou por conta de brigas internas. Atualmente, estão dispersos em seis (6) aldeias, todas próximas dos limites do Nordeste da reserva.
Os Karipuna, como Aripã e Katika Karipuna, e o cacique e professor da escola da aldeia, Batiti, lembram-se de que seus antepassados contavam que todos os Kawahiba estavam juntos. Esses Kawahiba eram os Tenharim, os Parintintin, os Amondawa, os Diahoi, os Juma, os Piripkura e os Uru-Eu-Wau-Wau na região atualmente estado de Mato Grosso. Nessas andanças, seus antepassados contavam que se lembravam até de que guerrearam com os Xavante, povo Jê, que mora no Parque Indígena no Xingu. Saíram vitoriosos, principalmente porque eram muitos Kawahiba. Como bons Tupi, migravam constantemente. Durante essas migrações, alguns povos Kawahiba foram ficando em regiões que lhes apraziam. Esse foi o caso dos Piripkura, de quem hoje se sabe que há três falantes, Rita, casada com Aripã Karipuna e, por isso, vive boa parte do seu tempo na aldeia dos Karipuna, e seus irmãos, que preferiram o isolamento voluntário na T.I Piripkura, no estado do Mato Grosso.
Batiti Piripkura, exímio narrador das andanças do seu povo, e quem guardou boa parte daquilo que seus antepassados narravam, conta que os demais Kawahiba seguiram suas andanças sempre tendo como direção o “lugar onde o sol se põe”. “Queríamos conhecer as terras onde o sol se põe, porque viemos de onde ele nasce... de um lugar perto do mar”, diz ele. Após a dissidência dos Piripkura, os Kawahiba atravessaram o Rio Machado. A terra onde se encontravam agora já era no estado do Amazonas. Aqui, ficaram os Parintintim, Tenharim e Diahoi. Gostaram da região e decidiram se instalar por essas bandas desde já.
Seguiram viagem Uru-Eu-Wau-Wau, Amondawa, Karipuna, Capivari e Juma. Entraram novamente em Rondônia subindo o rio Madeira e, desse agrupamento maior, partiram por outro sentido, os Uru-Eu-Wau-Wau e Amondawa. Disseram que sabiam onde se encontrar quando precisassem. Os Karipuna, Juma e Capivari subiram o rio chamado de Contra pelos Karipuna, e ficaram pelas suas margens até os Capivari decidirem também se separarem indo em direção às cabeceiras do Jacy-Paraná.
Tempos depois, os Juma e os Karipuna encontraram-se com povos Wari. Houve várias guerras, com várias mortes do lado dos Kawahiba, até que esses indígenas decidiram reunir todos os Kawahiba de Rondônia para extinguir os Wari, que já estavam até zombando das mortes dos Kawahiba. Desse modo, Uru-Eu-Wau-Wau e Amondawa vieram de encontro aos demais Kawahiba e se uniram para a maior guerra que teriam contra a ameaça Wari.
Nesse momento, entusiasticamente, contam Batiti e Aripã, que até as crianças Kawahiba foram armadas com “bordunas” feitas de pupunheira. Localizada a grande aldeia dos Wari que, conforme Batiti, tinha mais de 600 Wari dentro de uma única maloca gigante, era a vez dos Kawahiba aguardarem o momento certo. Nesses dias os Wari estavam comemorando as mortes dos Kawahiba. Era festa, portanto. Passaram-se três dias cercando a aldeia dos Wari, até que um pajé Kawahiba disse que o momento de atacar era agora. Alguns homens Kawahiba entraram na maloca e cortaram a corda dos arcos dos Wari. Depois de todas as cordas cortadas e checadas para confirmar, um Wari se levanta para urinar, o que poderia levar ao início do ataque. Ao voltar, o Wari é surpreendido com um golpe de bordunha feito de pupunheira. É o início do massacre dos Wari pelas mãos dos Kawahiba.
4 - Classificação Linguística
Esta seção apresenta a classificação linguística da língua de referência, incluindo sua inserção em troncos, famílias ou outros agrupamentos linguísticos, bem como suas relações com línguas geneticamente próximas ou de origem comum. Essas informações contribuem para a compreensão da posição da língua no conjunto das línguas existentes.
4.1 Tipo de língua
4.3 Classificação linguística
4.5 Tronco linguístico
4.6 Família linguística
4.6 Listar as línguas geneticamente mais próximas
Diahoi, Juma, Tenharim, Parintintim, Uru-Eu-Wau-Wau, Amondawa, Karipuna, Capivari, Piripkura, Apiaká e Kayabi.
4.7 Observações gerais
Com base nas próprias impressões dos indígenas, bem como nas referências disponíveis sobre esses povos, trata-se de um complexo dialetal, o pan-Kawahiba, e não línguas diferentes.

Escolas no território
9.1 Escolas
9.1.1. Há professores que falam a língua de referência?
sim, todos ou a grande maioria
9.1.2 Há Materiais didática na e sobre a língua de referência ?
Não
9.1.3 Observações (professores e materiais didáticos)
Como já mencionado,e xiste uma cartilha elaborada pelos próprios indígenasq ue, no entanto, se baseou numa ortografia inconsistente e é pouco utilizada na escola.
9.1.5 Indique a situação atual da promoção da língua no contexto escolar
Indiferente à promoção do uso da língua de referência na escola
9.1.6 Justificativa e caracterização das situações desfavoráveis para a promoção da língua no contexto escolar
Embora esteja prevista a instrução escolar na língua de referência, os jovens que passaram pelq escola da aldeia afirmam que não receberam o ensino por meio da língua. Na verdade, segundo esse
mesmos jovens, algumas vezes, ao interpelarem o professor indígena para que ministrasse algo na língua dos Uru-Eu-Wau-Wau, o professor se mostrava indiferente, situação que perdurou até os jovens concluírem o primeiro ciclo do Ensino Fundamental quando, então, migram para a escola de não indígenas, onde a instrução escolar se dá unicamente em Português. De igual modo, contribui negativamente o fato de que a única disciplina que trata da cultura e por isso, também da língua, acontece uma única vez na semana, às quartas-feiras, no período matutino situação igual para todas as demais escolas Uru-Eu-Wau-Wau. Por parte dos professores, estes sempre apontam como dificuldade para a promoção da língua em sala a falta de materiais didátícos. Como temos pontuado ao longo deste relatório, o único material existente na língua é uma cartilha que os próprios indígenas elaboraram. Além disso, essa cartilha não utilizada com frequência na escola.
Instituições que promovem a língua
12.1 Nome da instituição
JOCUM (link para acesso ao site: http://www.jocum.com.br/
12.2 Ações prejudiciais
Quando participaram dos encontros da JOCUM, os indígenas Uru-Eu-Wau-Wau (dois da linha 621 e um da linha 623) passaram por uma espécie de treinamento cristão, quando liam a bíblia e oravam todos os dias.
Ademais, segundo levantamos com alguns destes indígenas que foram participantes dos encontros da JOCUM, o objetivo da instituição era traduzir a bíblia para a língua. Ao que parece, os missionários aprenderam a língua dos indígenas e produziram uma bíblia.
12.3 Consequências
Felizmente, não se constatou alguma consequência direta ou indireta da atuação dessa instituição na comunidade.
Isso provavelmente se deveu ao desinteresse dos indígenas que participaram do projeto. Além disso, acreditamos que para isso também contribuiu o fato de que alguns integrantes da JOCUM, um casal de missionários, quando moraram entre os Uru-Eu-Wau-Wau da aldeia Alto Jamari (ou Jamari?), terem adotado uma indígena Uru-Eu-Wau-Wau que foi concebida da relação entre um branco e uma indígena da comunidade.
No entanto, a adoção pelo casal foi de consenso somente da mãe, e não da comunidade, o que pode ter levado ao término da relação dessa instituição com os Uru-Eu-Wau-Wau.
Mais informações
6 - Situação político-jurídica
Esta seção registra o reconhecimento formal da língua de referência em instrumentos legais ou normativos, como processos de oficialização, patrimonialização ou regulamentação. As informações reunidas permitem identificar o status jurídico da língua e sua inserção em políticas públicas de proteção, valorização e promoção.
6.1 Oficialização
Não
6.2 Patrimonialização
Não





