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Aikaña

Início Comunidade Linguística Aikaña

1 - Identificação da Comunidade Linguística

1.2 Projeto

Língua Aikaña

1.3 A comunidade linguística pode ser classificada como:

Línguas Indígenas

1.4 Língua do Inventário

Aikaña

Indígenas

Identifique a Etnia

Aikanã

3 - Caracterização da comunidade linguística

3.1 Histórico

A língua Aikanã é falada pela etnia de mesmo nome, nas T.1.s Tubarão-Latundê, Kwazá do Rio São Pedro, na pequena reserva do subgrupo Cassupá (que se autodenomina Cassupá/Salamãi) no km 5,5 em Porto Velho, e em várias cidades em Rondônia. Ainda há um grupo de descendentes de Aikanã na T.1. Rio Guaporé que não fala a língua.
Os Aikanã moravam tradicionalmente ao longo e nas cabeceiras do rio Pimenta Bueno ou Apediá e do rio Corumbiara, no sudeste do Estado de Rondônia. Os povos vizinhos tradicionais eram os Kwazá (ou Koaiá, língua isolada), Kanoê (língua isolada), Salamãi (língua Tupí) e Kepkiriwat (língua Tupí extinta), e, a uma distância um pouco maior, os Latundê (língua Nambikwara) e os Sakurabiat (língua Tupí). Hoje em dia. a maioria dos Aikanã mora em reservas indígenas com remanescentes dos povos Kwazá, Latundê, Salamãi e Sabanê.
Os Aikanã são conhecidos também por alguns outros nomes: Masaká e Cassupá (em ortografia variável) são nomes pessoais de líderes de certos subgrupos: Mondé e Tubarão são derivações de nomes de antigas liderangas de grupos mistos com Salamai: Huari é um nome
desconhecido. encontrado somente em fontes antigos (Nordenskitld 1915, Hanke 1956):
Corumbiara ¢ nome de um dos rios onde tradicionalmente moravam Aikanã, e ha ainda outros nomes. Porém. a autodenominagdo ¢ Aikand. Os Aikana foram mencionados pela primeira vez em 1913, sob o nome “Uapuruta™, num mapa fcito pela Comissão Rondon (cf. Rondon & Faria, 1948). Os Aikana afirmam que os Waikuruta representavam um subgrupo antigo do povo. Uma senhora idosa da etnia Salamai afirmou que os Salamai referiram aos Aikana com o nome Waypuruta'e.
Apesar de falar linguas completamente diferentes. teve muito contato entre os Aikand e os
seus vizinhos mais proximos. em forma de guerras, alianças, festas, casamentos e comércio de troca. Esse intercâmbio resultou em tantas semelhanças entre as culturas desses povos, que se pode falar de um complexo cultural. A antropóloga Denise Maldi (1991) não explicitamente
inclui os Aikanã no que ela chamou o "Complexo Cultural do Marico". mas pela descrição é muito provável que também os Aikanã, Kanoé e Kwazá pertenciam a este complexo. Os contatos resultaram também em certas semelhanças lexicais e gramaticais entre as línguas desses povo: o pela qual Crevels e van der Voort (2008) levantaram a hipótese de que as línguas da região
iriça que cobre os lados bolivianos e brasileiros dos rios Guaporé e Mamoré fazem parte
de uma área linguística, a Área Linguística Guaporé-Mamoré”, que consiste em várias subáreas.
Os primeiros contatos documentados entre os Aikanã e a sociedade ocidental se deram no
início do século XX. O etnólogo Erland Nordenskióld (1915) visitou eles em 1914 e documentou
partes da língua e cultura. Como mencionado acima, desde a chegada dos seringal
aproximadamente em 1915 (Albert 1964) os Aikanã ganhavam objetos e comida em troca de
trabalho nos seringais e na extração de poáia. Essa primeira época de contato levou a uma grande
mortalidade indigena. principalmente pela introdução de doenças contagiosas, como influenza e sarampo, contra os quais os povos indígenas da região não tinham imunidade. Essas epidemias continuaram decimar povos indígenas no sul de Rondônia até nos anos 1980.
Quando o antropólogo Lévi-Strauss (1955) visitou a região em 1938. ele encontrou uma aldeia
etnicamente mista de “Mondé” na beira do rio Pimenta Bueno. que eram predominantemente
Índios Salamãi. Era provavelmente uma aldeia Salamãi dentro do território dos Aikanã, que os
idosos Aikanã localizam no foz do rio Kapasura/Rio do Ouro (Comunidade Aikanã 2010). Entre
eles estavam alguns Índios Kwaza. provavelmente sobreviventes das epidemias,
e possivelmente Aikanã também. No final dos anos 1930 a “Marcha para o Oeste” do governo Getúlio Vargas
levou a várias expedições na regiao. o que resultou em alguns registros de língua e contexto social
(Dequech 1942, 1943, 1988-93, Zack 1943). Nessa época, o SPI estabeleceu um posto de
atendimento no lugar chamado Cascata, no território dos Aikanã no alto rio Pimenta Bueno, onde
juntaram membros de vários grupos indigenas (Aikanã, Kanoé, Salamai, Mekens) para trabalhar
na borracha.
No final dos anos 1930 o SPI começou retirar grupos indígenas da região para liberar as terras
para seringalistas. Muitos Índios foram levados para o Posto Indigena Ricardo Franco. hoje T.I.
Rio Guaporé, centenas de quilómetros para o oeste, na fronteira com Bolívia. Lá foram juntados
partes de dez populações étnicas do sul de Rondônia e foram colocados para trabalhar. No
caminho, vários fugiram das canoas com quais eles foram deportados e tentaram voltar para suas
terras. O processo de levar Índios para Ricardo
Franco continuou até os anos 1970, e hoje tem
ainda umas famílias Aikanã (Masaká) na T.1. Rio Guaporé. Depois de alguns anos, uma grande
parte dos grupos Aikanã (Cassupá) e Salamãi de Ricardo Franco foi mandada para o seringal
Ribeirão. ao norte de Guajará-Mirím, e no final dos anos 1960 esses foram levados para o terreno
da Delegacia do Ministério da Agricultura (DEMA). a 5.5 km da cidade de Porto Velho. Esse
terreno foi doado em 2012 aos Índios sob o nome Comunidade Indigena Cassupá e Salamãi (SiIva 2016).
A partir dos anos 1960 no sudeste de Rondônia vários grupos. inclusive os Aikanã, trabalharam na abertura da rodovia BR-364, que liga Cuiabá a Porto Velho. Após o fechamento e loteamento pelo INCRA dos antigos seringais, as comunidades continuaram na extração de
seringa por conta própria, até 1997, quando os preços da borracha ficaram baixo demais, e as
comunidades abandonaram definitivamente esse trabalho pesado, que prejudicava a saude e que
acabava com os carros comunitários. A extração de madeira sempre tem representado uma fonte
de renda também. Nas últimas décadas membros da comunidade estão tendo empregos em função
pública dentro das aldeias, como assistente de saúde, professor indígena, etc.. pagos pelo
governo. Mesmo que a caça e a plantação de roga continuam importantes fontes de subsistência,
especialmente os jovens tendem a procurar empregos formais ou informais para poder também comprar coisas na cidade.
Um breve sobrevoo da etnohistéria e da situação sociolinguística dos Aikanã e Kwazá é van der Voort (2016a). A introdução de Silva (2012) inclui uma tabela com estimativas demográficas relativamente confiáveis da comunidade linguística Aikanã. As informações sociolinguísticas
sobre a T.I. Tubarão-Latundê em Anonby (2009) são pouco apuradas e mais voltadas para evangelização. Uma fonte imprescindivel para a etnohistoria dos Latundê, que contém também um levantamento detalhado da história recente dos Aikanã é Reesink (2012).

3.2 Presente

Os falantes da língua Aikanã representam uma grande parte da etnia Aikanã e uma pequena parte da etnia Kwazá. A situação sociocultural tradicional, brevemente caracterizada em 3.1. mudou-se muito no século XX. devido aos contatos com a sociedade ocidental, que levaram a doenças contagiosas, desapropriação de terras, massacres, deportação, escravidão, aculturação e outros tipos de violencia causada pela colonizagdo descontrolada e a destruição ecologica da regido.
Hoje, a maioria dos membros da comunidade linguistica Aikand mora nas T.1.s Tubardo-Latundé
e Kwaza do Rio São Pedro e uma minoria mora em outras T.1.s e nas cidades proximas. Muitos
aspectos das culturas material. intelectual e espiritual são bastante parecidos com as da sociedade
ocidental envolvente: comida. bebidas. roupas, modos de transporte, arquitetura, economia,
midias. música, medicina. escolaridade, cristianismo. individualismo. Mesmo assim, ha ainda muitas expressões de cultura indigena tradicional, como plantio da roga. caga e coleta no mato. a bebida fermentada tradicional chicha, remédios do mato. crengas especificas relacionadas a caça
ude. estilos de conversação. referéncias a mitologia tradicional indigena e a linguagem. Nos
últimos anos a comunidade esta cada vez mais em busca de reafirmagio da identidade étnica e
está procurando as pessoas mais idosas.
as quais guardaram conhecimento da mitologia, mú
instrumental e oral, pintura corporal. festas e dangas indigenas
A populagio das cidadezinhas proximas frequentemente possui quase nenhum conhecimento
basico sobre os povos indigenas da regido (ou do Brasil em geral). Se já sabem que existem povos
indigenas morando perto. vários acreditam nos mitos populares. por exemplo que foram
“plantados™ ali pela FUNAI e que atrapalham o fenomeno mégico chamado “progresso”. Por
outro lado, quanto mais os Aikana participam na sociedade envolvente
mandando suas
criangas ao ensino médio. fazendo cursos no ensino superior. assumindo empregos nas cidades e
mantendo casas lá, negociando acordos com empresas que afetam a T.1., ete. — quanto mais essa
sociedade envolvente está ficando curiosa sobre a sociedade tradicional dos Aikana.
ada vez mais pelas associagdes indigenas e outras organizagdes e pessoas que
defendem os direitos indigenas, os jovens Aikand valorizam aspectos da sua cultura original cada
vez mais, procurando saber mais sobre as suas raizes culturais, querendo preservar tradigoes.
lamentando as perdas da historia recente, e querendo se auto-afirmar como Aikana através das
outras etnias da regido ¢ da sociedade envolvente.
Quase toda a comunidade linguistica fala Portugués e entre os 250 falantes da lingua Aikana
ha somente um punhado de pessoas monolingues. Mesmo assim. a preocupagdo sobre a perda
gradual da lingua indigena cresceu e aquelas familias onde a lingua não mais esta sendo falada
lamentam isso.

Módulos Relacionados

Identificação da Pesquisa

Aikanã

Caracterização Territorial

Aikaña

Identificação e Caracterização da Língua Referência

Aikaña

2 - População da comunidade linguística

2.1 População identificada na pesquisa

276

2.2 Estimativa da população total

400

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Imagem padrão

Todas as informações sobre as línguas disponibilizadas no portal são de autoria das instituições responsáveis pelas pesquisas e das respectivas comunidades de referência, e dizem respeito ao momento em que as pesquisas foram realizadas.

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