1 - Denominações da Língua
1.1 Identificação e Caracterização da Língua Referência - Nome da língua
Ninam
1.2 Projeto
1.3 Língua do Inventário
1.5 Autodenominações
Ninam
1.6 Observações sobre autodenominações
Significa pessoa, ser humano
1.7 Heterônimos
Xirixana
1.8 Observações sobre heterônimos
Diferentemente dos falantes das variedades do Sul e Central, que rechaçam o termo Xirixana, os falantes do Ninam do Norte consideram aceitável referirem-se a eles como povo Xiriana e à sua língua como Xiriana. Há uma discussão na literatura se Xirixana/Xiriana seria um heterônimo ou uma palavra do Yanomami. Os grupos Carib da região, Ye’kwana em especial, utilizam a palavra Shidishinna para referirem-se aos que consideram índios “não-civilizados”, mais especificamente aos seus vizinhos Yanomami (Andrade, 2007, p. 44 et passim). De acordo com Peters, à época do contato, os Ninam do Sul chamavam a si mesmos “Xidjan”, o que ele reconhece como uma abreviatura de “Xilixana” e credita como uma denominação interna (Peters, 1998, p. 174). Os Ninam do Sul, que até recentemente aceitavam a denominação Xilixana, consideravam-na, entretanto, como “o nome da etnia”, ou o “modo como os brancos nos chamam”. Respostas que parecem confirmar a hipótese de uma origem estrangeira para o termo, uma vez que o próprio conceito de etnia só pode ser acionado no contexto interétnico. Ninam, por sua vez, corresponde mais acertadamente ao que usualmente é utilizado como etnônimo na Amazônia, sendo sobretudo um conceito relacional, mais ou menos inclusivo, e que assim como o yanomama, no Papiu, ou o sanöma, em Awaris, pode ser traduzido como pessoa, gente. Esta tem sido a escolha mais recente entre os Ninam para referirem-se a si e à sua língua — ninam thã, entre os Ninam do Sul.
1.9 Denominação de ampla circulação
Xiriana
1.11 Denominação adotada neste formulário
Ninam
1.12 Justificativa da denominação adotada
Recentemente passaram a adotar o termo Ninam como nome da etnia, visto que significa ser humano e Xirixana é um termo controverso e provavelmente estrangeiro, como explicado acima.
3 - Historicidade da língua
3.1 A língua é falada no território nacional há pelo menos três gerações?
Sim
3.2 Indique os marcos temporais que caracterizam a história da comunidade linguística
1 - Os primeiros registros que permitem distinguir a localização de diferentes grupos Yanomami datam do mesmo período, onde podemos identificar o que poderiam ser os ancestrais de grupos conhecidos hoje como Yanomamɨ, Sanöma e Ninam. Codazzi, já em 1838, localiza os Kirishana vivendo na Serra do Parima, contudo não é possível afirmar quando teriam deixado a região.
2 - Early & Peters (1990), a partir de relatos e genealogias recolhidas entre os Ninam do Mucajaí, reconstroem parte da história e dos movimentos desse grupo até 1890. De acordo com estes autores, no final do século XIX os ancestrais dos Pola pek viviam nas imediações do rio Awaris e estavam inseridos no circuito de troca de bens industrializados através de relações, ora amistosas ora conflituosas, com os Ye’kwana. Com o aumento da tensão na relação com os Ye’kwana o grupo decide se mudar para rio abaixo, mais precisamente para a confluência do rio Parima com o rio Awaris.
3 - Por volta de 1910, um novo conflito, dessa vez interno, leva a uma divisão do grupo e parte desce o Uraricoera até o seu encontro com o Uraricaá.
4 - Em 1958 são fundadas duas missões distintas entre os Ninam: uma missão evangélica da Unevangelized Field Mission (UFM) no rio Mucajaí e uma missão Batista no rio Uraricaá. A primeira persiste até os dias de hoje e a segunda foi encerrada em 1982.
5 - Ao final da década de 1980 os Ninam passam a sofrer severamente os impactos sociais e sanitários da invasão garimpeira em seu território.
4 - Classificação Linguística
4.1 Tipo de língua
4.6 Família linguística
5 - Identificação de línguas e variedades
5.1 Identificação de línguas e variedades
Localidades ou regiões onde é falada
Ericó e Saúba
Localidades ou regiões onde é falada
Uraricoera
6 - Situação político-jurídica
6.1 Oficialização
Língua não-oficial
6.2 Patrimonialização
Língua sem reconhecimento patrimonial
7 - Recursos Documentais
7.3 Disponibilidade das produções documentais na comunidade
As cartilhas em língua Ninam produzidas pela MEVA geralmente chegam nas aldeias quando as pessoas da comunidade solicitam. No Baixo Mucajaí pediram quando a escola começou. Os próprios Ninam têm gravado músicas em sua língua (composições novas) que circulam entre os celulares de vários Ninam. A associação está buscando recursos para gravarem um CD e um vídeo sobre os cantos Ninam.
8 - Pessoas de referência
8.1 Pessoas de Referência
Fanô Daniel Xirixana | Chicobim Xirixana | Emerson Paulino | Gale Godwing Gomez | Tainah Victor Leite
9 - Instituições
Existem escolas na comunidade de referência?
Sim
9.1 Escolas
9.1.1. Há professores que falam a língua de referência?
Sim, todos ou grande maioria
9.1.2 Há Materiais didática na e sobre a língua de referência ?
Não
9.1.4 Descreva a escola
Local
Aldeia Sikamabiu
Níveis contemplados
Ensino Fundamental
Possui educação intercultural, bilíngue ou diferenciada?
Sim
Explique:
Os professores falam a língua ninam com os alunos. Além disso, os professores respeitam os tempos da comunidade, não tendo aulas nos dias de festa ou reunião ou morte de alguém.
Língua de Alfabetização
Língua de Referência
Língua de Instrução
A língua de referência é usada na instrução escolar
A partir de qual ano escolar?
1 ano do Ensino Fundamental
Até que ano escolar?
5 ano do Ensino Fundamental
Com que regularidade/ frequência no ano escolar
Duas vezes na semana
Breve descrição do que trata a disciplina
O professor fala somente em ninam, o professor pensa algumas frases, escreve na lousa para os alunos copiarem. Para os mais novos o professor apresenta palavras.
Local
Aldeia Sikamabiu
Níveis contemplados
Ensino Infantil
Possui educação intercultural, bilíngue ou diferenciada?
Sim
Explique:
Os professores falam a língua ninam com os alunos. Além disso, os professores respeitam os tempos da comunidade, não tendo aulas nos dias de festa ou reunião ou morte de alguém.
Língua de Instrução
A língua de referência é usada na instrução escolar
9.1.5 Indique a situação atual da promoção da língua no contexto escolar
Favorável à promoção do uso da língua de referência na escola
10 - Demais serviços públicos
10.1 Demais serviços públicos
Outros
10.2 Observações
Os técnicos de enfermagem tem um vocabulário muito básico em língua Yanomami, mas que que por estar se tornando língua fraca, é amplamente entendido na comunidade. Em caso de traduções mais complexas, este trabalho é feito pelos AISs que falam português.
11 - Outras instituições
11.1 Outras Instituições
Tipo de instituição
Endereço
Comunidade Sikamapiu, TIY
Atividades realizadas
A associação Texoli é formada por membros da comunidade Sikamapiu, em Roraima, com sede na comunidade Sikamapiu, TIY. É uma organização que privilegia o uso da língua Ninam e dá apoio para os Ninam na cidade.
Tipo de instituição
Procedência
de fora da comunidade
Atividades realizadas
Organização de fora da comunidade, voltada à evangelização e ao apoio à escolarização para formar leitores da Bíblia.
12 - Organizações que ameaçam a língua e a cultura da comunidade linguística
12.1 Nome da instituição
Secretaria Especial de Saúde Indígena
12.2 Ações prejudiciais
Ações de saúde com permanência fixa de funcionários não indígenas na região.
12.3 Consequências
O posto de saúde na comunidade é uma importante porta de entrada do português e muito pouco permeável à língua indígena.






