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Kwazá

Início Módulo 4 - Identificação e Caracterização da Língua Referência Kwazá

1 - Denominações da Língua

1.1 Identificação e Caracterização da Língua Referência - Nome da língua

Kwazá

1.2 Projeto

Língua Kwazá

1.3 Língua do Inventário

Kwazá

1.4 Léxicos e Listas de Palavras

Lista Swadesh 100 – Kwazá

Tipo de Lista

Lista Swadesh

Modalidade de Registro

Sonoro | Textual

1.5 Autodenominações

Kwaza | Kũtyẽnahere | Tsãrã Txinũtenahere | Tsãrã Txuhũinahere

1.6 Observações sobre autodenominações

Os Kwazá são conhecidos na literatura, Rondon, 1916; Rondon & Faria, 1948; Dequech, 1942, 1988-1993; Zack, 1943, também como Koaiá, em ortografia variável: Coaiá, Quaiá etc., o que corresponde à pronúncia pelos Salamãi e Kepkiriwat, enquanto o nome Kwazá reflete a pronúncia pelos Aikanã, a língua Kwazá não possui /z/ nem [z]. Além disso, os Kwazá foram também referidos na região e em antigos relatórios da Funai, Galvão, 1980, pelo apelido Arara, mas essa denominação é rejeitada pelos Kwazá e atualmente não é mais usada. A autodenominação é Kwazá, na própria ortografia padrão sem acento agudo, como Kwaza, mas às vezes em ortografia confusa, como Quasar, Coasar, Kuazá etc. A etimologia da autodenominação não é conhecida e provavelmente vem de uma língua vizinha. O significado do nome como “Estrela d’Alva/Vênus”, mencionado em Souza, 1999, não foi confirmado. As autodenominações tidas pelos próprios Kwazá como originais aparentemente se referem a subgrupos tradicionais, tsãrã txinũtenahere, “gente da terra grande”, e tsãrã txuhũinahere, “gente da terra pequena”, usando o sufixo coletivo -nahere, “gente, povo, conjunto”. Um apelido que os Kwazá às vezes usam para si mesmos é kũtyẽnahere, “gente da castanha-do-pará”. Existem outras denominações que são pouco conhecidas, van der Voort, 2004, p. 729-731.

1.7 Heterônimos

Koaiá | Arara | Kwazá Aikanã

1.8 Observações sobre heterônimos

Como mencionado na seção sobre autodenominações, o nome Koaiá está registrado em várias fontes do século XX, sob formas ortográficas diferentes. É possível que o nome originalmente venha do Salamãi, língua Tupi da família Mondé, que os chamavam de Kwaya’e. Um outro nome encontrado raramente é Arara, que é rejeitado pelo povo e considerado pejorativo. Na T.I. São Pedro surgiu recentemente a autodenominação Kwazá Aikanã entre os membros do grupo misto de Aikanã, falantes do Aikanã, e Kwazá, falantes monolíngues do português. Essa autodenominação é usada como reconhecimento da natureza etnicamente mista do grupo, Aikanã et al., 2019. O nome refere-se também aos Aikanã e Kwazá fora do grupo, mas não é necessariamente adotado como etnônimo por estes.

1.9 Denominação de ampla circulação

Kwaza

1.10 Observações sobre denominação de ampla circulação

A etimologia do nome Kwaza é desconhecida. O nome refere tanto à língua quanto e ao povo em geral. Não há outros nomes para se referir à língua, senão kwazadɨnã ‘língua dos Kwazá’, palavra derivada usando o sufixo-dɨnãi ‘modo de’.

1.11 Denominação adotada neste formulário

Kwazá

1.12 Justificativa da denominação adotada

Nome refere tanto à língua quanto ao povo em geral.

1.13 Observações gerais sobre denominações

"A etimologia do nome Kwaza é desconhecida. Este nome refere tanto à língua quanto e ao povo em geral. Na língua portuguesa pode se escrever Kwazá com acento agudo. Na ortografia própria da língua Kwazá, não se usa acentos."

2 - Modalidade da língua

2.1 Modalidade da língua

Oral-auditiva

3 - Historicidade da língua

3.1 A língua é falada no território nacional há pelo menos três gerações?

Sim

3.2 Indique os marcos temporais que caracterizam a história da comunidade linguística

1913: Primeira identificação confiável de um grupo Kwazá, por intermédio dos Kepkiriwat, que os chamavam de Coaiás, Rondon & Faria, 1948, p. 183.
1938: Primeira documentação de língua e cultura Kwazá, Lévi-Strauss, 1938, 1995, comunicação pessoal publicada em van der Voort, 2004, p. 30-33.
Décadas de 1920-1980: Epidemias devastadoras dos povos indígenas da região, inclusive os Kwazá.
Décadas de 1930-1970: Muitos dos que ficaram na região de origem foram distribuídos em fazendas e seringais. A última aldeia dos Kwazá e Aikanã antes da mudança para a futura T.I. Tubarão-Latundê ficava na foz do rio Tanarú, hoje um pasto.
1941-1943: Expedição do S.P.I. ao alto rio Pimenta Bueno, Zack, 1943, e Expedição Urucumacuã do Departamento Nacional de Produção Mineral, Dequech, 1943, 1988-1993.
1960: Começo da abertura da rodovia BR-364, no trecho Vilhena-Porto Velho, onde vários povos da região foram envolvidos como mão de obra masculina, derrubadas e caça, e feminina, lavoura e cozinha.
1965: Estabelecimento de uma aldeia por um casal Kwazá e Aikanã nas cabeceiras do rio São Pedro. Essa aldeia seria consolidada como parte da T.I. Kwazá do Rio São Pedro em 2003.
1973: Migração dos remanescentes dos Aikanã e Kwazá da foz do rio Tanarú para lotes da Gleba Corumbiara, nas cabeceiras direitas do rio Pimenta Bueno, na futura T.I. Tubarão-Latundê.
1976: Primeiro contato com o povo Latundê no interior da futura T.I. Tubarão-Latundê.
1983: Demarcação da T.I. Tubarão-Latundê em 1983, homologada em 1990, ISA, 2018.
1983: Estabelecimento de igreja da missão evangélica Terena dentro da T.I. Tubarão-Latundê, Carlson, 1985.
1997: Último ano de exploração da borracha.
1999: Identificação da T.I. Kwazá do Rio São Pedro, homologada em 2003.
2000-presente: Os últimos idosos que ainda nasceram na maloca estão indo embora.

3.3 Observações sobre historicidade

Desde tempos imemoriais, como evidenciado pelos primeiros registros escritos.

4 - Classificação Linguística

4.1 Tipo de língua

Línguas Indígenas

4.3 Classificação linguística

Língua Isolada

5 - Identificação de línguas e variedades

5.1 Denominação da variedade ou língua

Kwazá

5.2 Localidades ou regiões onde é falada

Sudeste de Rondônia, TI Tubarão-Latundê, TI Kwazá do Rio São Pedro, cidades vizinhas

5.3 A equipe possui dados sobre essa variedade

Sim

5.4 Classificação da variedade

Mesma língua com relação à língua de referência

5.5 Identificação sociolinguística

Falada por um segmento social da comunidade linguística (como subgrupo, clã, falas de diferentes localidades do mesmo grupo social)

5.6 Grau de inteligibilidade

1‐Totalmente inteligível com a língua de referência

5.7 Grau de percepção dos falantes

1‐Falantes conseguem identificar algumas diferenças características de sotaque e léxico (ex. o português do recôncavo baiano e do interior de São Paulo)

5.8 Observações sobre variedades linguísticas

Não há dialetos identificáveis; há variação conectada às duas famílias originais, possivelmente relíquia de variação dialetal antiga ou efeito de contato/segunda língua/obsolescência.

5.9 Diferenças estruturais entre línguas consideradas uma mesma Língua

"Como observado acima, não há variação dialetal. Porém, existem pronúncias e alguns itens lexicais, que são diferentes entre as duas famílias originais mencionadas na seção 3.3.2. Disso, a variação fonética-fonológica foi discutido em van der Voort (2004:77-80)."

5.10 Divergências na literatura sobre línguas consideradas línguas diferentes

Não

6 - Situação político-jurídica

6.1 Oficialização

Língua não-oficial

6.2 Patrimonialização

Língua sem reconhecimento patrimonial

8 - Pessoas de referência

8.1 Pessoas de Referência

Antônio Teteru Kwazá | Arizalda O’e Inũte Kwazá | Edileusa Waruwaru Kwazá | Iracema Duruduru Aikanã Kwazá | José Tawiwi Aikanã Kwazá | Maria Tadeu Dadü Ãkurumɨi Aikanã | Marlene Kwaba Kwazá | Zezinho Turuwe Kwazá | Mário Kɨikãu Mãdee Aikanã Kwazá | Simone Wamũro Kwazá | Suelly Tsiataɨ Kwazá | Lisa Katharina Grund | Laura Vicuña Manso | José Luis Kassupá | Joshua Birchall | Hein van der Voort

9 - Instituições

Existem escolas na comunidade de referência?

Sim

9.1 Escolas

9.1.1. Há professores que falam a língua de referência?

Sim, mas há muitos professores que não falam a língua

9.1.2 Há Materiais didática na e sobre a língua de referência ?

Sim, mas existem ainda muito poucos e/ou de baixa qualidade

9.1.3 Observações (professores e materiais didáticos)

"Suponho que se trata de escolas na comunidade de referência. Não tem muitos professores. Talvez a metade deles é não-indígena e não fala a língua. Somente a cartilha de KƗKÃU
MÃDEE & VAN DER VOORT (2002) e o dicionário da Manso (2013) estão em princípio disponíveis.."

9.1.4 Descreva a escola

Escola Indígena Estadual Ensino Fundamental e Médio Matinã Kondã

Local

Terra Indígena Kwazá do Rio São Padro, aldeia Novo São Pedro

Níveis contemplados

Ensino Fundamental | Ensino Médio

Possui educação intercultural, bilíngue ou diferenciada?

Sim

Língua de Alfabetização

Português | Outra

Explique:

Aikanã é a língua nativa de alguns professores

Língua de Instrução

Outra

Observações (Ensino da língua como disciplina)

Não há ensino sobre ou na língua Kwazá nesta escola.

|

Escola Indígena Estadual Ensino Fundamental e Médio Yasymyu Tanhata Kwaza

Local

Terra Indígena Kwazá do Rio São Padro, aldeia Dois Irmãos

Níveis contemplados

Ensino Fundamental | Ensino Médio

Possui educação intercultural, bilíngue ou diferenciada?

Sim

Língua de Alfabetização

Português | Outra

Explique:

Aikanã é a língua nativa de alguns professores

Língua de Instrução

Outra

Observações (Ensino da língua como disciplina)

Não há ensino sobre ou na língua Kwazá nesta escola.

|

Escola Indígena Estadual Ensino Fundamental Dukaria Rarekute

Local

Terra Indígena Kwazá do Rio São Padro, aldeia Água Limpa

Níveis contemplados

Ensino Fundamental

Possui educação intercultural, bilíngue ou diferenciada?

Sim

Língua de Alfabetização

Português | Língua de Referência

Língua de Instrução

A língua de referência é usada na instrução escolar

A partir de qual ano escolar?

A partir do primeiro ano

Até que ano escolar?

Até o último ano

Com que regularidade/ frequência no ano escolar

Diariamente

Breve descrição do que trata a disciplina

As crianças aprendem ler e escrever palavras na sua língua nativa, o Kwazá

Observações (Ensino da língua como disciplina)

O professor indígena é falante monolíngue do Português, mas há uma assistente que orienta alunos na língua de referência, o Kwazá. O dicionário de Manso (2013) é usado, mas os erros que a assistente observava não foram entendidos pelo professor, que não é falante.

|

Escola Municipal Indigena Multisseriada Aikana

Local

Terra Indígena Tubarão-Latundê, aldeia Rio do Ouro

Níveis contemplados

Ensino Fundamental

Possui educação intercultural, bilíngue ou diferenciada?

Sim

Língua de Alfabetização

Português | Outra

Explique:

Aikanã é a língua nativa de alguns professores

Língua de Instrução

Outra

Observações (Ensino da língua como disciplina)

Não há ensino sobre ou na língua Kwazá nesta escola.

|

Escola Municipal Indigena Multisseriada Aikana Capitão Aritimon

Local

Terra Indígena Tubarão-Latundê, aldeia Gleba

Níveis contemplados

Ensino Fundamental

Possui educação intercultural, bilíngue ou diferenciada?

Sim

Língua de Alfabetização

Português

A partir de qual ano escolar?

Primeiro ano

Até que ano escolar?

nono ano

Observações (Ensino da língua como disciplina)

Tem aulas limitadas em Aikanã na escola. Não há possibilidade nem necessidade nem demanda para usar a língua Salamãi na escola. Considerei somente a escola da T.I. onde mora uma das duas semi-falantes.

9.1.5 Indique a situação atual da promoção da língua no contexto escolar

Favorável à promoção do uso da língua de referência na escola

9.1.6 Justificativa e caracterização das situações desfavoráveis para a promoção da língua no contexto escolar

A língua tem muito poucos falantes, os quais frequentam somente uma ou duas escolas na T.I. São Pedro. Falta de material de ensino na língua indígena; falta de formação linguística profissional dos professores; poucas horas podem ser dedicados ao ensino indígena; na escola em Gleba, T.I. Tubarão-Latundê vários alunos novos na série 6-9 acham o ensino de língua indígena em geral inútil ou recusam; vários alunos são de outra etnia e não dominam a língua.

12 - Organizações que ameaçam a língua e a cultura da comunidade linguística

12.1 Nome da instituição

Madereiros não identificados

12.2 Ações prejudiciais

Pagam um pouco de dinheiro para extração ilegal de madeira, mas estragam a floresta, trazem bebidas alcoólicas e drogas, corrompem os Índios, dividem as comunidades.

12.3 Consequências

Representa uma grave ameaça à língua e à cultura dos povos indígenas nas T.I.s.

13 - Registros Relacionados

13.1 Pesquisa Relacionada (Módulo 1)

Kwazá

13.2 Territórios Relacionados (Módulo 2)

Kwazá

13.3 Comunidades Linguísticas Relacionadas (Módulo 3)

Kwazá

13.4 Diagnósticos Sociolinguísticos Relacionados (Módulo 5)

Kwazá

13.5 Avaliações de Vitalidade e Revitalização Relacionadas (Módulo 6)

Kwazá

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