Status do Processo de Reconhecimento
1.3 Língua do Inventário
Saiba mais sobre esta língua
Conheça a língua
2.1 Modalidade da língua
Oral-auditiva
Autodenominações
1.5 Autodenominações
Amondawa
1.6 Observações sobre autodenominações
Todos os indivíduos indígenas da aldeia Trincheira se autodenominam de Amondawa. Há dois indígenas, no entanto, pertencentes a outras etnias. Uma é Gavião, da família Mondé, Tronco Tupi, e outro é Uru-Eu-Wau-Wau, também Kawahiba.
O indígena Uru-Eu-Wau-Wau também reconhece os indígenas da aldeia Trincheira por Amondawa, assim como seus parentes Uru-Eu-Wau-Wau e os Karipuna de Rondônia.
A etimologia da palavra é opaca para os falantes.
Heterônimos
1.7 Heterônimos
Kawahiba
1.8 Observações sobre heterônimos
gente, índio, pessoa
1.9 Denominação de ampla circulação
Amondawa, Kawahiba

1.1 Identificação e Caracterização da Língua Referência - Nome da língua
Kawahiba dos Amondawa
1.2 Projeto
1.3 Língua do Inventário
1.11 Denominação adotada neste formulário
Kawahiba dos Amondawa
1.12 Justificativa da denominação adotada
Os indígenas desejam que o nome da etnia faça parte, também, do nome da língua.
1.13 Observações gerais sobre denominações
gente, índio, pessoa
5 - Identificação de línguas e variedades
Esta seção registra a existência de línguas ou variedades relacionadas à língua de referência, bem como suas características sociolinguísticas, locais de uso e níveis de inteligibilidade. O objetivo é identificar diferenças, proximidades e relações entre formas linguísticas utilizadas pela comunidade ou por grupos associados.
5.1 Denominação da variedade ou língua
Kawahiba dos Uru-Eu-Wau-Wau, Tenharim, Parintintim, Juma, Kawahiba dos Karipuna de Rondônia, Diahoi, Capivari
5.9 Diferenças estruturais entre línguas consideradas uma mesma Língua
Somente uma pesquisa com esse fim pode apontar as diferenças estruturais entre as variedades da língua de referência. Dessa forma, considera-se inviável que, em um inventário como este, essa questão seja respondida de maneira apropriada quanto aos níveis linguísticos específicos de cada variedade.
Por outro lado, identificam-se na literatura propostas de classificação e de parentesco da língua dos povos Kawahiba no âmbito da família Tupi-Guarani, pertencente ao tronco Tupi. A dissertação de Sampaio (1997), intitulada Estudo Comparativo Sincrônico entre os Parintintim (Tenharim) e o Uru-Eu-Wau-Wau (Amondawa): contribuições para uma revisão na classificação das línguas Tupi-Kawahiba, propõe que Parintintim, Tenharim, Uru-Eu-Wau-Wau e Amondawa constituem dialetos de uma mesma língua, apresentando percentual de inteligibilidade mútua superior a 80%.
Em trabalho posterior, a autora (2012), com base em análises de fonoestatística — que consideram critérios fonológicos para a classificação interna — e no método léxico-estatístico, também agrupou os povos Amondawa e Uru-Eu-Wau-Wau como os mais próximos entre si dentro do complexo formado pelas demais etnias Kawahiba já mencionadas.
Por fim, destaca-se que Aguilar (2017) propôs que os Kayabi, povo que habita o norte do estado do Pará, também integrem o complexo dialetal Kawahiba. Contudo, essa autora não apresenta dados linguísticos que comprovem essa afiliação genética aos demais grupos Kawahiba, baseando-se apenas em fontes secundárias não linguísticas. Assim, essa proposta deve ser considerada com cautela no momento, tanto pela ausência de evidências linguísticas consistentes quanto pelo fato de que os próprios grupos Kawahiba — incluindo Karipuna, Amondawa e Uru-Eu-Wau-Wau — não confirmam essa informação. Lideranças e anciãos desses povos, como os Karipuna Aripã, Katika e Batiti, os Amondawa Tari e os Uru-Eu-Wau-Wau das aldeias Boakara e Manda, relatam não ter conhecimento, por parte de seus antepassados, da existência de um povo denominado Kayabi que tenha participado das migrações realizadas historicamente do leste para o oeste.
Diante disso, permanece necessária a realização de análises linguísticas específicas que possam demonstrar, de forma fundamentada, a eventual filiação da língua falada pelos Kayabi ao complexo Kawahiba.
5.10 Divergências na literatura sobre línguas consideradas línguas diferentes
Não
acesse imagens e vídeos da comunidade de referência
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Acesse a página Localização atual dos Kawahiba e Munduruku Registro fotográfico de localização atual dos kawahiba e munduruku. -
Acesse a página Tatuagens masculina e feminina Kawahiba. Registro fotográfico de tatuagens masculina e feminina kawahiba.. -
Acesse a página Registros de uso da língua Kawahiba dos Amondawa em diálogos e interações comunitárias Registro em vídeo de registros de uso da língua kawahiba dos amondawa em diálogos e interações comunitárias.
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Acesse a página Casa de farinha na Aldeia Trincheira Fotografias da casa de farinha utilizada na Aldeia Trincheira, incluindo vista interna e/ou externa da estrutura associada à produção de farinha. -
Acesse a página Tapiri na Aldeia Trincheira Fotografias do tapiri, descrito no formulário como espécie de sala de estar onde os indígenas permanecem boa parte do dia. -
Acesse a página Casas em modelo palafita na Aldeia Trincheira Fotografia de casas em modelo palafita na Aldeia Trincheira, registrando aspectos da organização espacial e da habitação local. -
Acesse a página Escola Amondawa e materiais escolares Fotografias da Escola Amondawa, incluindo ambiente interno e prateleiras de livros em português, conforme descrito no formulário. -
Acesse a página Posto de saúde na Aldeia Trincheira Fotografia do posto de saúde situado na Aldeia Trincheira, relacionado à infraestrutura local da comunidade. -
Acesse a página Aldeia Trincheira e área de entorno Fotografias de área externa da Aldeia Trincheira e de seu entorno, relacionadas à caracterização territorial da localidade onde a língua é falada. -
Acesse a página Estruturas comunitárias da Aldeia Trincheira Fotografias de estruturas comunitárias e espaços coletivos da Aldeia Trincheira, associadas à caracterização da localidade no formulário. -
Acesse a página Localização da Aldeia Trincheira na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau Mapa com marcação da localização da Aldeia Trincheira dentro da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, sobreposta ao Parque Nacional dos Pacáas Novos. -
Acesse a página Aldeia Trincheira vista do alto Imagem aérea/satélite da Aldeia Trincheira, mostrando a área aberta da aldeia em meio à vegetação.
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Acesse a página Localização atual dos Kawahiba e Munduruku Registro fotográfico de localização atual dos kawahiba e munduruku. -
Acesse a página Tatuagens masculina e feminina Kawahiba. Registro fotográfico de tatuagens masculina e feminina kawahiba.. -
Acesse a página Registros de uso da língua Kawahiba dos Amondawa em diálogos e interações comunitárias Registro em vídeo de registros de uso da língua kawahiba dos amondawa em diálogos e interações comunitárias. -
Acesse a página Casa de farinha na Aldeia Trincheira Fotografias da casa de farinha utilizada na Aldeia Trincheira, incluindo vista interna e/ou externa da estrutura associada à produção de farinha. -
Acesse a página Tapiri na Aldeia Trincheira Fotografias do tapiri, descrito no formulário como espécie de sala de estar onde os indígenas permanecem boa parte do dia. -
Acesse a página Casas em modelo palafita na Aldeia Trincheira Fotografia de casas em modelo palafita na Aldeia Trincheira, registrando aspectos da organização espacial e da habitação local. -
Acesse a página Escola Amondawa e materiais escolares Fotografias da Escola Amondawa, incluindo ambiente interno e prateleiras de livros em português, conforme descrito no formulário. -
Acesse a página Posto de saúde na Aldeia Trincheira Fotografia do posto de saúde situado na Aldeia Trincheira, relacionado à infraestrutura local da comunidade. -
Acesse a página Aldeia Trincheira e área de entorno Fotografias de área externa da Aldeia Trincheira e de seu entorno, relacionadas à caracterização territorial da localidade onde a língua é falada. -
Acesse a página Estruturas comunitárias da Aldeia Trincheira Fotografias de estruturas comunitárias e espaços coletivos da Aldeia Trincheira, associadas à caracterização da localidade no formulário. -
Acesse a página Localização da Aldeia Trincheira na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau Mapa com marcação da localização da Aldeia Trincheira dentro da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, sobreposta ao Parque Nacional dos Pacáas Novos. -
Acesse a página Aldeia Trincheira vista do alto Imagem aérea/satélite da Aldeia Trincheira, mostrando a área aberta da aldeia em meio à vegetação.
3 - Historicidade da língua
Esta seção reúne informações sobre a presença histórica da língua de referência no território e sobre os principais marcos temporais relacionados à trajetória da comunidade linguística. O registro desses elementos permite compreender a continuidade, as transformações e os processos históricos associados ao uso da língua.
3.1 A língua é falada no território nacional há pelo menos três gerações?
Sim
Marcos Temporais
3.2 Indique os marcos temporais que caracterizam a história da comunidade linguística
Os anciãos Amondawa, como o cacique Tari e Paiajupi, contam que seus antepassados relataram que todos os Kawahiba formavam um único grupo junto dos Tenharim, dos Parintintin, dos Diahoi, dos Juma, dos Uru-Eu-Wau-Wau, dos Karipuna de Rondônia, dos Piripkura e dos Apiaká, vivendo próximo ao rio Madeira, no atual estado do Amazonas, em tempos antigos. Nesse período inicial, todos compartilhavam um território comum. Posteriormente, separaram-se desses povos em um grupo formado com os atuais Uru-Eu-Wau-Wau e deslocaram-se para a região próxima ao que hoje é o rio Cautário, já em Rondônia, no sudoeste do estado.
Em um momento posterior, conflitos internos levaram o povo Amondawa a se separar dos Uru-Eu-Wau-Wau. Estes seguiram para a região de Comandante Ary, também conhecida como Alta Lídia, onde tiveram contato com a FUNAI durante uma expedição comandada por Zebel, cujo objetivo era evitar possíveis conflitos entre os indígenas e a sociedade envolvida na colonização de Rondônia. Nesse contexto de contato, os Uru-Eu-Wau-Wau contraíram doenças, que posteriormente foram levadas aos Amondawa quando retornaram ao local onde estes se encontravam. A partir desse episódio, os indígenas começaram a adoecer, e várias mortes ocorreram devido à falta de imunidade frente às doenças trazidas pelos não indígenas.
Os anciãos Karipuna, como Aripã e Katika Karipuna, bem como o cacique e professor da escola da aldeia, Batiti, recordam que seus antepassados relatavam que todos os Kawahiba viviam juntos na região que atualmente corresponde ao estado de Mato Grosso. Durante esse período de constantes deslocamentos, lembravam-se inclusive de guerras travadas contra os Xavante, povo do tronco Jê, que habita a região do Parque Indígena do Xingu. Os Kawahiba saíram vitoriosos desses confrontos, sobretudo por sua superioridade numérica. Como povos de tradição Tupi, mantinham um padrão de mobilidade constante, migrando em busca de novos territórios. Nessas migrações, alguns grupos passaram a permanecer em regiões que consideravam favoráveis. Esse foi o caso dos Piripkura, dos quais atualmente se sabe que restam poucos falantes, incluindo Rita, casada com Aripã Karipuna e residente parte do tempo na aldeia dos Karipuna, e seus irmãos, que optaram pelo isolamento voluntário na Terra Indígena Piripkura, no estado de Mato Grosso.
Segundo o narrador Batiti Piripkura, que preservou grande parte das narrativas transmitidas por seus antepassados, os demais grupos Kawahiba continuaram suas andanças sempre orientados pela direção do “lugar onde o sol se põe”, indicando um movimento migratório contínuo rumo ao oeste. Após a dissidência dos Piripkura, os Kawahiba atravessaram o rio Machado, alcançando territórios que hoje pertencem ao estado do Amazonas. Nesse novo espaço, os Parintintin, Tenharim e Diahoi decidiram permanecer, estabelecendo-se definitivamente na região.
Os grupos restantes — Uru-Eu-Wau-Wau, Amondawa, Karipuna, Capivari e Juma — prosseguiram suas migrações, retornando posteriormente ao território de Rondônia por meio do rio Madeira. Em uma nova etapa de dispersão territorial, Uru-Eu-Wau-Wau e Amondawa separaram-se novamente do agrupamento principal, mantendo, entretanto, a memória de locais de reencontro. Os Karipuna, Juma e Capivari seguiram pelo rio conhecido como Contra pelos Karipuna e estabeleceram-se ao longo de suas margens, até que os Capivari também se separaram e deslocaram-se em direção às cabeceiras do rio Jacy-Paraná.
Em um período subsequente, os Juma e os Karipuna encontraram-se com povos Wari, dando início a uma série de conflitos armados que resultaram em numerosas mortes entre os Kawahiba. Diante dessas perdas, os diferentes grupos Kawahiba de Rondônia decidiram reunir-se para enfrentar coletivamente os Wari. Nesse contexto, Uru-Eu-Wau-Wau e Amondawa juntaram-se aos demais grupos para travar o que é lembrado como a maior guerra contra esse povo. As narrativas relatam que até mesmo crianças foram armadas com bordunas feitas de pupunheira. Após localizar a grande aldeia dos Wari, descrita como composta por uma maloca com mais de seiscentos habitantes, os Kawahiba cercaram o local por três dias, aguardando o momento oportuno para o ataque. Após neutralizarem as armas dos Wari, iniciaram o confronto, resultando na destruição da aldeia e na dispersão dos sobreviventes. Esse episódio é lembrado como um marco significativo nas relações interétnicas e na memória histórica do povo.
Registros históricos indicam que os povos Kawahiba de Rondônia — incluindo Karipuna, Amondawa, Uru-Eu-Wau-Wau e Capivari — descendem de um dos três grupos que se separaram de um ancestral comum que habitava a foz do rio Tapajós. Essa separação teria ocorrido quando esses povos foram pressionados pelos Munduruku, seus inimigos à época. Após essa dispersão, um grupo formado pelos atuais Parintintin e Tenharim refugiou-se próximo ao rio Marmelos; outro grupo, os Apiaká, estabeleceu-se na região do Alto Tapajós, cuja língua hoje se encontra extinta; e um terceiro grupo, composto pelos ancestrais dos Amondawa, Uru-Eu-Wau-Wau, Karipuna e Capivari, deslocou-se para a região de Rondônia por meio dos afluentes do rio Madeira, especialmente os rios Jaci-Paraná e Jamari.
Outros povos Kawahiba, atualmente considerados extintos, habitavam áreas próximas ao rio Machado, como os Paranawat e os Wiraféd, além dos Takwatip, que viviam em um tributário desse rio próximo ao rio Muqui. Esses grupos falavam dialetos da mesma língua. Estudos realizados ao longo do século XX também registraram a existência de grupos em processo de extinção que habitavam a região do rio Machado ou Ji-Paraná, como os Tucumanfét e os Jabotiféd, bem como os já extintos Mialat, que viviam na região do rio Leitão em 1938. O povo conhecido como Piripkura, cujo nome deriva de uma palavra da língua Gavião que significa “borboleta”, encontra-se atualmente em fase de contato e também fala um dialeto Kawahiba. Do povo Capivari, resta apenas um sobrevivente, que atualmente vive com os Karitiana e possui idade avançada.
Atualmente, ainda existem grupos Kawahiba não contatados na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Os Amondawa e os Uru-Eu-Wau-Wau relatam também a presença de outro povo isolado nessa terra, que não pertence ao conjunto Kawahiba. Essa distinção é reconhecida principalmente pelas características de suas flechas, consideradas maiores do que as utilizadas pelos Kawahiba. Esse povo é denominado Wyrapararakwara, termo que pode ser traduzido como “indígenas de flechas grandes”.
4 - Classificação Linguística
Esta seção apresenta a classificação linguística da língua de referência, incluindo sua inserção em troncos, famílias ou outros agrupamentos linguísticos, bem como suas relações com línguas geneticamente próximas ou de origem comum. Essas informações contribuem para a compreensão da posição da língua no conjunto das línguas existentes.
4.1 Tipo de língua
4.3 Classificação linguística
4.5 Tronco linguístico
4.6 Família linguística
4.6 Listar as línguas geneticamente mais próximas
As variedades Kawahiba são Diahoi, Juma, Tenharim, Parintintim, Uru-Eu-Wau-Wau, Karipuna, Capivari, Piripkura, Apiaká e Kayabi.
4.7 Observações gerais
Com base nas próprias impressões dos indígenas, bem como nas referências disponíveis (SAMPAIO, 1997, 2012) sobre esses grupos, trata-se de um complexo dialetal, e não línguas diferentes.

Instituições que promovem a língua
Mais informações
6 - Situação político-jurídica
Esta seção registra o reconhecimento formal da língua de referência em instrumentos legais ou normativos, como processos de oficialização, patrimonialização ou regulamentação. As informações reunidas permitem identificar o status jurídico da língua e sua inserção em políticas públicas de proteção, valorização e promoção.
6.1 Oficialização
Sim
6.2 Patrimonialização
Não





