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Sakurabiat

Início Módulo 4 - Identificação e Caracterização da Língua Referência Sakurabiat

1 - Denominações da Língua

1.1 Identificação e Caracterização da Língua Referência - Nome da língua

Sakurabiat

1.2 Projeto

Língua Sakurabiat

1.3 Língua do Inventário

Sakurabiat

1.4 Léxicos e Listas de Palavras

Lista Swadesh 100 – Sakurabiat

Tipo de Lista

Lista Swadesh

Modalidade de Registro

Sonoro | Textual

1.5 Autodenominações

Sakurabiat

1.6 Observações sobre autodenominações

Significa literalmente 'o grupo dos macacos-prego' (sakurap + iat); é um dos subgrupos/clãs da etnia; grafia segue o alfabeto descrito em Galucio (2006); outras grafias: Sakyrabiar, Sakirabiá

1.7 Heterônimos

Mekens

1.8 Observações sobre heterônimos

Na literatura acadêmica Mekens designa a língua e o grupo Sakurabiat; foi denominação geral atribuída a diferentes grupos indígenas da região do rio Mequens

1.9 Denominação de ampla circulação

Sakurabiat

1.10 Observações sobre denominação de ampla circulação

Atualmente é autodenominação da etnia e da língua; amplamente difundida a partir dos trabalhos de Galucio (2006)

1.11 Denominação adotada neste formulário

Sakurabiat

1.12 Justificativa da denominação adotada

Autodenominação corrente, amplamente difundida; a ortografia defendida em Galucio (2006) é adotada na comunidade

2 - Modalidade da língua

2.1 Modalidade da língua

Oral-auditiva

3 - Historicidade da língua

3.1 A língua é falada no território nacional há pelo menos três gerações?

Sim

3.2 Indique os marcos temporais que caracterizam a história da comunidade linguística

século XVII primeiras notas sobre contatos com povos da margem direita do Guaporé
século XX denominação Mekens estendida a subgrupos atuais
final dos anos 1930/início dos anos 1940 retomada dos contatos com a exploração da borracha e do caucho
1934 Emil Snethlage registra aldeias e população
década de 1940 epidemias e abandono de aldeias
1940s tentativa fracassada do SPI em PIAs
1982 visita da FUNAI à área atual da TI Rio Mequéns
1983 surto de doença e reestabelecimento de contato mais estreito
1985 grupo de trabalho da FUNAI constata exploração ilegal e recomenda demarcação
1996 demarcação e homologação da TI Rio Mequéns

3.3 Observações sobre historicidade

Os anciãos relatam contatos amistosos e bélicos com Tupari e Makurap antes dos não indígenas

4 - Classificação Linguística

4.1 Tipo de língua

Línguas Indígenas

4.3 Classificação linguística

Família Linguística | Tronco

4.4 Especificar outra classificação linguística

ramo Tupari da família Tupi

4.5 Tronco linguístico

Tupi

4.6 Família linguística

Tupari

4.6 Listar as línguas geneticamente mais próximas

Akuntsu, Makurap, Tupari, Wayoró

5 - Identificação de línguas e variedades

5.1 Denominação da variedade ou língua

Variedade Sakurabiat / língua Sakurabiat, Variedade Guaratira / língua Sakurabiat, Variedade Siokweriat ou Kampé / língua Sakurabiat

5.2 Localidades ou regiões onde é falada

TI Rio Mequéns (aldeias 90/Aipere Koopi, Kwai e Baixa Verde), TI Rio Mequéns (aldeias Baixa Verde e Soopipari), TI Rio Branco (último falante pleno durante o levantamento)

5.3 A equipe possui dados sobre essa variedade

Sim

5.4 Classificação da variedade

Mesma língua com relação à língua de referência

5.5 Identificação sociolinguística

segmento social / subgrupos Sakurabiat, Korategayat e Taapiroyat, segmento social / subgrupo Guaratira, segmento social / subgrupo Siokweriat

5.6 Grau de inteligibilidade

1 - totalmente inteligível com a língua de referência

5.7 Grau de percepção dos falantes

2-Falantes reconhecem diferenças mais perceptíveis de sotaque, léxico e gramática (ex. português do Brasil e português de Portugal)

5.8 Observações sobre variedades linguísticas

A variedade Sakurabiat foi historicamente majoritária; a Guaratira tornou-se atualmente a mais falada; Siokweriat/Kampé contava com um único falante pleno durante o levantamento

5.9 Diferenças estruturais entre línguas consideradas uma mesma Língua

A variedade Sakurabiat foi historicamente majoritária; a Guaratira tornou-se atualmente a mais falada; Siokweriat/Kampé contava com um único falante pleno durante o levantamento

5.10 Divergências na literatura sobre línguas consideradas línguas diferentes

Há menção recente à 'língua Kampé', mas até o relatório não havia estudo técnico publicado que justificasse tratá-la como língua diferente da Sakurabiat

5.11 Documentação da pesquisa sobre línguas e variedades

THE MORPHOSYNTAX OF MEKENS (TUPI)

6 - Situação político-jurídica

6.1 Oficialização

Não

6.2 Patrimonialização

Não

8 - Pessoas de referência

8.1 Pessoas de Referência

Ademildo Monteiro Sakyrabiar | Silvana Guaratira | Carla Daniele Costa | Rosalina da Silva Guaratira | Olimpio Ferreira Sakyrabiar | Ana Vilacy Galucio | Pedro Arthur Sakyrabiar (ou Pedro Kampé) | Francisco da Silva Guaratira | Bonifácio da Silva Sakyrabiar | Severino da Silva Guaratira | Rosalina da Silva Guaratira | Luzia Sakyrabiar | Olimpio Ferreira Sakyrabiar | Samuel Monteiro Sakyrabiar | Vicência Ferreira Sakyrabiar

9 - Instituições

Existem escolas na comunidade de referência?

Sim

9.1 Escolas

9.1.1. Há professores que falam a língua de referência?

não

9.1.2 Há Materiais didática na e sobre a língua de referência ?

sim, mas existem ainda muito poucos e/ou de baixa qualidade

9.1.3 Observações (professores e materiais didáticos)

A respeito da educação escolar indígena na comunidade, houve uma tentativa de implantar o ensino da língua indígena na escola, que funcionava na aldeia 90, no ano de 2004; as aulas seriam ministradas pelo então professor indígena Olimpio Sakyrabiar; mas por motivos diversos a escola indígena foi desativada e as aulas interrompidas. Desde então não existe escola funcionando na aldeia 90 ou na aldeia Mariano (desmembrada da aldeia 90, nos últimos cinco anos).
Em um dos períodos em que houve educação escolar nas aldeias Sakurabiat (mais ou menos entre 1994-1996, antes da separação em várias aldeias) não havia espaço físico destinado à realização das atividades escolares; as aulas eram ministradas pela esposa do cacique, que utilizava a cozinha de sua casa – equipada com um quadro e algumas cadeiras – para alfabetizar, em português, seus filhos e outras crianças da comunidade.
A instabilidade da educação escolar Sakurabiat perdura até os dias atuais.
Durante o levantamento em campo, identificamos que havia dois espaços físicos destinados à escola – na aldeia Mariano e na aldeia Baixa Verde. Porém, somente na aldeia Baixa Verde, a escola funciona. Há uma professora indígena (Silvana Guaratira) contratada pela Secretaria de Estado de Educação de Rondônia (SEDUC/RO), que ministra aulas regulares para as séries infantis e primeiras séries do ensino fundamental. A escola se chama Escola de Ensino Fundamental Aipere. A professora ministra aulas para alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental em uma classe multisseriada. Em julho de 2019 havia quatro alunos matriculados.
Apesar dessa limitação com referência à escola, existe um processo de resgate cultural e linguístico, iniciado pelos Sakurabiat há cerca de 05 anos e impulsionado pela participação de três jovens adultos que realizaram o curso de formação de professores indígenas de Rondônia, concluído em 2019 (III Etapa do Projeto Açaí, desenvolvido pela Coordenação Geral do Núcleo de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc-RO). Os professores formados pelo curso recebem habilitação para lecionar nas séries iniciais do ensino fundamental. Porém, como informado anteriormente, apenas uma professora atua efetivamente como professora na T.I. Rio Mequens.
Com relação a materiais didáticos na e sobre a língua Sakurabiat, todos os materiais existentes são produtos da pesquisa de longo prazo que vem sendo realizada por Ana Vilacy Galucio, porém no momento deste levantamento, não existia nenhum material didático pensado especificamente para uso na escola indígena em funcionamento na T.I. Rio Mequens.
- O primeiro material foi produzido em 2004, em conjunto com Olimpio Sakyrabiar, foi elaborado o primeiro material para o ensino da língua (GALÚCIO; FERREIRA SAKYRABIAR, 2004). Esse material foi o resultado das experiências de aulas de alfabetização na língua indígena realizadas por Galúcio (entre 1996 e 1998), como parte do projeto de alfabetização em línguas indígenas, desenvolvido pelo setor de linguística do Museu Paraense Emílio Goeldi em parceria com a Norwegian Rainforest Foundation. O projeto abarcava outras línguas indígenas de Rondônia e tinha como objetivo alfabetizar em língua materna falantes fluentes de línguas indígenas.
A metodologia usada na cartilha de alfabetização seguiu a metodologia de ensino da língua Sakurabiat como língua materna (LM). A ortografia indígena utilizada no projeto foi elaborada por Galúcio e testada pela pesquisadora durante as aulas de alfabetização. Essa cartilha ainda é usada atualmente, como material de apoio ao ensino-aprendizagem da língua sakurabiat na escola indígena.
- em 2006, foi publicada a coletânea de narrativas tradicionais Sakurabiat (GALUCIO, A. V. Narrativas Tradicionais Sakurabiat: Mayãp Ebõ. Belém: MPEG, 2006.). Esse livro, disponibilizado para todas as famílias Sakurabiat, contém 25 narrativas escritas em Sakurabiat, traduzidas para o Portugues e conta com um suporte em CDRom com a narração oral e acompanhamento do texto escrito. Esse material tem sido usado como material paradidático na escola.
- Durante a reunião para a anuência do levantamento do INDL, em julho de 2017, a comunidade solicitou novo material didático para apoiar o ensino da língua, dentro e fora da escola. A assistente de pesquisa Carla Costa aceitou o desafio e apresentou uma proposta de material didático para ensino da língua, como resultado de seu curso de Mestrado (2018-2020), na Universidade Federal do Pará: COSTA, C. D. N.. Proposta de material didático para a língua Sakurabiat. 2020. 171 f. : il. color. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Letras, Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2020.
Esse Material foi elaborado a partir de pesquisa com os três professores indígenas formados pelo curso Açaí, que apresentaram suas expectativas e demandas para o material considerando sua experiência com a língua; três falantes plenos da língua três falantes da língua, todos adultos acima de 50 anos de idade, que auxiliaram especialmente na revisão do material; outros membros adultos da comunidade (incluindo mães/pais com filhos na escola indígena) que participaram desta pesquisa apresentando suas demandas e expectativas a respeito do material didático.
A partir da pesquisa realizada, Costa (2020) definiu o modelo de usuário do material didático, como sendo os alunos da escola indígena (crianças entre 5 a 9 anos), os adultos, especialmente os professores maiores de 20 anos de idade, mas também os demais adultos nessa faixa etária. Ambos compartilham a língua portuguesa como primeira língua aprendida na infância, caracterizando Sakurabiat como segunda língua (L2) em relação a sua aprendizagem na comunidade.
O livro contém duas versões: a versão do aluno, em que há as unidades e atividades a serem realizadas; e a versão do professor, constituída pelas unidades, atividades respondidas e direcionamentos sobre como conduzir as atividades propostas. Os professores são orientados a desenvolverem atividades de pesquisa com os anciões da comunidade para que situações de interação na língua indígena ocorra.
Este Material ficou pronto no 1º semestre de 2020, mas em decorrência da pandemia ocasionada pelo Cobid-19 não foi possível ainda levar para ser usado pela comunidade na T.I. Rio Mequens.

9.1.4 Descreva a escola

EIEEF AIPERE

Local

Aldeia Baixa Verde (Terra Indígena Rio Mequens)

Níveis contemplados

Ensino Fundamental

Possui educação intercultural, bilíngue ou diferenciada?

Não

Língua de Alfabetização

Português

Língua de Instrução

O Português é a única língua usada na instrução escolar

A partir de qual ano escolar?

1º ano ensino fundamental. Como a escola é multisseriada, e as crianças estudam simultaneamente na mesma sala de aula e mesmo período, as aulas de língua Sakurabiat são ministradas simultaneamente para todos; então os alunos de todas as séries, desde o 1º ano até o 5º ano, participam das aulas.

Até que ano escolar?

5º ano ensino fundamental. Como a escola é multisseriada, e as crianças estudam simultaneamente na mesma sala de aula e mesmo período, as aulas de língua Sakurabiat são ministradas simultaneamente para todos; então os alunos de todas as séries, desde o 1º ano até o 5º ano, participam das aulas.

Com que regularidade/ frequência no ano escolar

1 vez por semana, no mínimo

Breve descrição do que trata a disciplina

Conforme descrito em Guaratira e Costa (2020), como parte da disciplina de ensino de língua materna, a professora Silvana Guaratira desenvolve atividades de valorização e resgate da língua e cultura Sakurabiat. Essas atividades são planejadas de acordo com o que a professora aprende a respeito da língua e cultura de

Observações (Ensino da língua como disciplina)

As atividades de resgate da língua e cultura tradicionais na escola têm se mostrado importantes para a conscientização do grupo em relação à valorização da língua indígena como um importante elemento da identidade Sakurabiat. Antes das ações realizadas pela professora, as famílias da comunidade pouco estimulavam as crianças a aprenderem como falar na língua Sakurabiat palavras do cotidiano da aldeia. Após conversas da professora com os membros da comunidade a respeito da importância da língua Sakurabiat como símbolo da identidade étnica do grupo, além das atividades de uso da língua indígena realizadas dentro e fora da escola, os pais começaram a ensinar aos filhos nomes de animais, frutas, utensílios do dia a dia etc., em Sakurabiat.

9.1.5 Indique a situação atual da promoção da língua no contexto escolar

Favorável à promoção do uso da língua de referência na escola

11 - Outras instituições

11.1 Outras Instituições

Conselho Indigenista Missionário (CIMI-RO)

Tipo de instituição

ONGs nacionais

Atividades realizadas

Apoio esporádico às iniciativas da comunidade de valorização da língua e cultura tradicionais

Observações

Na década de 1990 apoiou a demanda pela demarcação da Terra Indígena e ações de resgate cultural

|

FUNAI

Tipo de instituição

Organizações governamentais

Procedência

de fora da comunidade

Atividades realizadas

Incentivo ao processo de resgate da língua e cultura tradicionais; apoio financeiro e operacional a oficinas culturais e artesanais

Observações

Em 2017 apoiou oficina de artesanato tradicional na aldeia Baixa Verde com participação de 4 das 5 aldeias e intercâmbio com outras etnias

|

Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)

Tipo de instituição

Organizações governamentais

Procedência

de fora da comunidade

Atividades realizadas

Desde 1994 financia e apoia pesquisas e estudos sobre a língua; projetos de documentação linguística e cultural; projetos de alfabetização na língua indígena

Observações

Possui acervo audiovisual com materiais na língua Sakurabiat registrados em projetos coordenados por Ana Vilacy Galucio

13 - Registros Relacionados

13.1 Pesquisa Relacionada (Módulo 1)

Sakurabiat

13.2 Territórios Relacionados (Módulo 2)

Sakurabiat

13.3 Comunidades Linguísticas Relacionadas (Módulo 3)

Sakurabiat

13.4 Diagnósticos Sociolinguísticos Relacionados (Módulo 5)

Sakurabiat

13.5 Avaliações de Vitalidade e Revitalização Relacionadas (Módulo 6)

Sakurabiat

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