1.3 Língua do Inventário
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1.4 Léxicos e Listas de Palavras
Autodenominações
1.5 Autodenominações
I'tâ tap, Arara tap, Karo tap, Karo-Arara
Observações
1.6 Observações sobre autodenominações
I'tâ tap: “Nós”, uma junção da primeira pessoa do plural inclusiva I'tâ seguido da partícula associativa tap que, segundo Gabas Jr., “tem a função de categorizar um conjunto de entidades associadas com um referente particular como pertencendo a um grupo temporário” (2009: 67). Diferente do marcador de plural 'to, empregado para referir-se a uma multiplicidade de entidades iguais – ka'a to, “as casas” –, tap é usado para “referir-se a uma multiplicidade de diferentes entidades de algum modo relacionadas ao substantivo com o qual elas ocorrem” (p. 68). A partícula agrupa referentes necessariamente distintos uns dos outros. I'tâ é também um termo traduzido como “gente” ou “pessoa”.
Arara tap: A partir da explicação anterior, pode ser traduzido como os Arara. Arara é um heterônimo dado pelos brancos e que foi adotado pelos índios.
Karo tap: Karo é a palavra na língua nativa para Arara.
Karo-Arara: É como têm preferido se identificar no momento. É a junção da palavra para arara na língua com a palavra em português para a mesma ave. Não sou capaz de explicar o motivo dessa escolha em detrimento de uma autodenominação na língua. Parece-me que o fato de a língua ser conhecida como Karo influenciou nessa decisão.
Heterônimos
1.7 Heterônimos
Arara, Itingurerei, Karo
Observações
1.8 Observações sobre heterônimos
Arara: nome pelos quais os brancos referem-se ao povo. Foi dado na época do contato em virtude da pintura tradicional arara (o corpo inteiro era pintado de urucum) e do uso de penas da arara vermelha nos cocares e na orelha.
Itinguerei: Nome dado pelos Gavião-Ikoleng. Significa batata na língua gavião. Esse povo chamava os Arara por esse nome pelo fato de os Arara morarem todos juntos e serem muitos, como são as batatas, que se reproduzem a partir de uma rama em grande quantidade.
Karo: Como os linguistas referem-se ao povo. Foi adotado a partir da tradução do nome do povo em português (Arara) para a língua nativa (karo, segundo a espécie animal).
1.9 Denominação de ampla circulação
Karo: o nome da língua foi dado por seu primeiro estudioso, o linguista Nilson Gabas Jr., do Museu Paraense Emílio Goeldi.

1.2 Projeto
1.1 Identificação e Caracterização da Língua Referência - Nome da língua
Karo
1.11 Denominação adotada neste formulário
Karo
1.12 Justificativa da denominação adotada
Os Karo-Arara não se mostram muito preocupados com a denominação da língua. Embora haja um movimento entre algumas lideranças para a adoção de um novo etnônimo, o mesmo não se reflete em relação à língua. Neste sentido, e ainda que essa questão não tenha sido amplamente discutida durante o levantamento em campo, a denominação corrente, já amplamente difundida e não questionada pelos Karo-Arara, deveria ser adotada pelo INDL.
1.13 Observações gerais sobre denominações
É o nome na língua nativa para arara, nome pelo qual os Karo-Arara são conhecidos na região.
5 - Identificação de línguas e variedades
Esta seção registra a existência de línguas ou variedades relacionadas à língua de referência, bem como suas características sociolinguísticas, locais de uso e níveis de inteligibilidade. O objetivo é identificar diferenças, proximidades e relações entre formas linguísticas utilizadas pela comunidade ou por grupos associados.
5.1 Denominação da variedade ou língua
Não há variedades linguísticas além da padrão
Esta seção registra a existência de línguas ou variedades relacionadas à língua de referência, bem como suas características sociolinguísticas, locais de uso e níveis de inteligibilidade. O objetivo é identificar diferenças, proximidades e relações entre formas linguísticas utilizadas pela comunidade ou por grupos associados.
5.1 Denominação da variedade ou língua
Não há variedades linguísticas além da padrão
acesse imagens e vídeos da comunidade de referência
3 - Historicidade da língua
Esta seção reúne informações sobre a presença histórica da língua de referência no território e sobre os principais marcos temporais relacionados à trajetória da comunidade linguística. O registro desses elementos permite compreender a continuidade, as transformações e os processos históricos associados ao uso da língua.
3.1 A língua é falada no território nacional há pelo menos três gerações?
Sim
Marcos temporais
3.2 Indique os marcos temporais que caracterizam a história da comunidade linguística
Como acontece com grupos que perambulavam por um território e vieram a se fixar em aldeias após o contato com os brancos, as andanças de antigamente e a cessação desses deslocamentos são um importante marcador temporal. Os mais velhos distinguem claramente dois períodos: um tempo antigo, associado às andanças e à vida na maloca, e de um tempo mais recente quando passam a viver no meio dos brancos. Esta nova era inicia-se a partir do deslocamento para os seringais da região do Machado e do estabelecimento de vínculos com os patrões, que inicia-se na década de 1940.
Desde que se encontraram irremediavelmente no meio dos brancos, o tempo do seringal é claramente demarcado como um espaço-tempo próprio por conta dos arranjos sociais que se criam neste ambiente. O tempo é também um lugar. Assim, seringal 'pe é o tempo em que viviam nos seringais sob o jugo dos patrões. Já ka'a bap 'pe, onde ka'a é casa e bap um qualificador para objetos grandes e compridos, é o tempo da maloca. Ao falarem do passado, o discurso das pessoas atrela tempo e espaço, os quais aparecem em função de uma socialidade específica.
No tempo do seringal, as famílias moravam afastadas umas das outras, cada qual em sua colocação. Não faziam festa e se visitavam raramente, encontrando-se somente no barracão. Tinham pequenas roças junto às casas, mas pararam de produzir roça aberta. A redução das roças e das relações implicou a suspensão do consumo da bebida fermentada – associado a contextos em que coletivos mais amplos se reúnem, como festas e mutirão de derrubada.
Com a chegada do SPI em meados da década de 1960, as pessoas alternam períodos na aldeia e em colocações familiares de extração de seringa, quando começam a trabalhar por conta própria e não mais para os patrões. O aldeamento mais regular ocorre somente em meados da década de 1980.
4 - Classificação Linguística
Esta seção apresenta a classificação linguística da língua de referência, incluindo sua inserção em troncos, famílias ou outros agrupamentos linguísticos, bem como suas relações com línguas geneticamente próximas ou de origem comum. Essas informações contribuem para a compreensão da posição da língua no conjunto das línguas existentes.
4.1 Tipo de língua
4.3 Classificação linguística
4.5 Tronco linguístico
4.6 Família linguística
Línguas geneticamente mais próximas
4.6 Listar as línguas geneticamente mais próximas
Sendo a única língua da família Ramarama, o
Kart não está próximo de nenhuma língua. As línguas mais próximas são as da família Mondé e Puruborá, mas, ainda assim, são ininteligíveis entre si.
Gabas Jr. comparou as listas de palavras coletadas por diferentes autores junto a falantes de Ramarama. O autor concluiu que os vocábulos coletados junto a falantes pertencentes aos povos Arara (Vitor Hugo, 1959), Ntogapíd (Nimuendaju, 1925, 1955), Ramarárama (Horta Barbosa, 1945), Urukú (Schultz, 1955), Urumí (Lévi-Strauss, 1950) Urumí (Rondon, 1948) são a mesma língua Karo, podendo, no máximo, apresentar diferenças dialetais. Com exceção da lista de Vitor Hugo, não é possível afirmar com certeza se esses povos são os antepassados diretos dos Karo-Arara.

Escolas no território
Existem escolas na comunidade de referência?
Sim
9.1.1. Há professores que falam a língua de referência?
sim, todos ou a grande maioria
9.1.2 Há Materiais didática na e sobre a língua de referência ?
sim, mas existem ainda muito poucos e/ou de baixa qualidade
9.1.3 Observações (professores e materiais didáticos)
Além da pouca variedade, os professores informaram que precisam de novas cópias da cartilha de Gabam e Gavião.
9.1.5 Indique a situação atual da promoção da língua no contexto escolar
Indiferente à promoção do uso da língua de referência na escola | Desfavorável à promoção do uso da língua de referência na escola
9.1.6 Justificativa e caracterização das situações desfavoráveis para a promoção da língua no contexto escolar
Nas aldeias Paygap e lterap, pode-se dizer que a escola não atrapalha(as aulas são ministradas na língua) e nem favorece Indo há uma disciplina dedicada ao estudo da língua) a promoção da
uso da língua. Em Cinco Irmãos, não há ensino na língua por isso marcou-se a opção desfavorável.
Instituições que promovem a língua
12.1 Nome da instituição
Igreja evangélica da linha batista (não vinculada às Novas Tribos)
12.2 Ações prejudiciais
Com a adesão maciça dos moradores de Iterap aos cultos evangélicos, ocorre uma certa demonização das práticas xamânicas e rituais.
12.3 Consequências
Diminuição da procura por tratamento com o pajé e baixa adesão às festas tradicionais. Abandono das práticas em torno da bebida fermentada.
6 - Situação político-jurídica
Esta seção registra o reconhecimento formal da língua de referência em instrumentos legais ou normativos, como processos de oficialização, patrimonialização ou regulamentação. As informações reunidas permitem identificar o status jurídico da língua e sua inserção em políticas públicas de proteção, valorização e promoção.
6.1 Oficialização
Língua não-oficial
6.2 Patrimonialização
Língua sem reconhecimento patrimonial
10 - Demais serviços públicos
10.1 Demais serviços públicos
Saúde
10.2 Observações
Nas aldeias, os AIS falam a língua, auxiliando a comunicação entre a equipe médica não indígena e os pacientes indígenas. Em casos de rotinas médicas ou internações na cidade, não há comunicação na língua. Um técnico de enfermagem arara atua na CASAL. Assim, quando ele está presente, o atendimento pode ser feito na língua. A educação também é oferecida na língua.
Grafias existentes na língua





